Score de crédito. Cuide e faça bom uso!

O assunto de hoje, no Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, foi score de crédito. Ou, em bom português, nota de crédito, ou escore de crédito. Conversamos com o Pedro Vieira sobre essa avaliação, que é muito utilizada em outros países, e no Brasil tem se difundido cada vez mais.

Afinal, o que é score de crédito?

O score de crédito é uma nota – como uma nota de prova escolar – calculada por uma empresa, para avaliar a forma como uma pessoa lida com seu dinheiro, principalmente quanto ao crédito. Ele também costuma ser chamado de escore de crédito, nota de crédito, rating de crédito, entre outros nomes.

Esse assunto já foi tema de um post nosso em 2017. Se quiser saber mais detalhes sobre o que é, como é calculado, como fazer para melhorar a nota, leia lá. O material ficou muito bom, modéstia à parte.

O foco da nossa conversa com o Pedro foi além da definição do que é score de crédito. Falamos sobre diferentes formas de se utilizar a informação contida nestes e em outros sistemas. Em países como os Estados Unidos seu uso é muito mais intenso, e de formas bastante surpreendentes.

O que é considerado um bom score de crédito?

O principal score de crédito em uso no Brasil, atualmente, é o da Serasa Experian. O site deles que cuida do sistema é o Serasa Consumidor. Este site informa que um score de crédito de até 300 pontos é de alto risco. Isto é, há grande chance de esta pessoa ser ou tornar-se inadimplente. De 300 a 700 pontos, o risco é médio. Acima de 700 pontos, o risco é baixo.

Cerca de 30% dos brasileiros têm escore de crédito abaixo de 300. 38% têm escore entre 301 e 700, e 32% têm nota superior a 700. O escore de crédito médio do brasileiro é de 485 pontos.

Os números assustam um pouco. Quase um terço das pessoas têm alto risco de inadimplência. A nota média é a metade da máxima, fica bem no centro da faixa de médio risco. Mau sinal.

“Por você eu mudaria até o meu nome”

Um dos motivos para o brasileiro ter, em média, um score de crédito tão baixo, segundo a Serasa, é o hábito que muitas pessoas têm, de “emprestar” o nome para outras. Isto é, fazer compras e contrair dívidas em seu nome, para que amigos e parentes usufruam.

Em muitos casos, a pessoa que vai usufruir do bem não pode adquiri-lo com seu próprio nome, porque ele já está com restrições na praça. Não é preciso ser a Serasa para imaginar que o risco de que a dívida não seja paga é alto. Mas, como se trata de parente ou amigo, muitas vezes a pessoa fica constrangida em negar o favor, e acaba sujando seu próprio nome.

Por trás dos números

A metodologia do score de crédito não é perfeita. Como dissemos no nosso texto de 2017, é possível que a nota não reflita exatamente o comportamento da pessoa – seja bom ou ruim. Mas, na maioria das vezes, reflete, sim.

E então? O que fazer quando meu escore de crédito está ruim? Bem, a primeira coisa é refletir sobre isso. Perguntar POR QUE a nota está ruim. Foi por causa de algum acidente de percurso, ou por algum hábito que eu tenho frequentemente? Por que tenho esse hábito? Aonde ele está me levando? O que preciso mudar? Como aumentar meu score de crédito?

É preciso usar o escore a seu favor. Sempre. Se ele estiver bom, que ótimo, cuide bem dele, use com moderação – para que ele não piore – e viva tranquilo. Se ele estiver ruim, use como reflexão. Faça todas as perguntas acima e tente arrumar a casa. Procure avaliar seus hábitos. Se algum deles piora seu escore de crédito, possivelmente é um hábito ruim.

Há coisas que não podem ser mudadas. Na página do Serasa Consumidor que informa a nota da pessoa, são informadas também a nota média das pessoas do mesmo CEP, e das pessoas da mesma idade. Isto é, quando alguém avalia sua nota, ela é comparada com a nota dos seus pares. Você não pode mudar isso. Não vai mudar de endereço apenas por causa do score de crédito.

A maioria dos fatores que afetam o score de crédito, porém, pode ser mudada. Se quiser saber como aumentar seu score de crédito, leia nosso post de 2017. Nele há dicas preciosas, da própria Serasa.

Bonito na fita

O score de crédito tem sido usado para finalidades que vão além do puro controle das finanças. Segundo pesquisa da empresa de consultoria americana Discover Financial Services, a responsabilidade financeira é um atributo pessoal muito valorizado por quem procura parceiros afetivos. A pesquisa foi feita em conjunto com a Match Media Group, empresa que controla plataformas de encontros, como o Tinder, uma das mais utilizadas no mundo inteiro.

Segundo a pesquisa, o equilíbrio financeiro é citado por 69% das pessoas entrevistadas como sendo um atributo extremamente importante em um potencial parceiro. Para se ter uma ideia, o senso de humor foi citado por 67% das pessoas, e a beleza física por 51%. Isto é, a boa gestão do próprio dinheiro é bem mais sensual do que atributos físicos.

Por isso, nos Estados Unidos, muitos usuários das plataformas e aplicativos de encontros publicam o seu score de crédito nos seus perfis pessoais. No Brasil isto ainda não é comum. Em parte por questões culturais, possivelmente, e em parte pelo uso ainda restrito do escore.

Imagine só. “Fulano de Tal, 45 anos, 1 metro e 74, mora em Recife, score de crédito 947”. Já pensou? Acha estranho? Bem, eu, particularmente, acho muito melhor do que publicar foto de carro – e, acredite, tem gente que publica foto do próprio carro em seu perfil nesses aplicativos de encontros.

Ao publicar o próprio score de crédito, a pessoa – ao contrário de quem publica foto do carro –não está dizendo que tem muito dinheiro. Está dizendo que sabe cuidar do dinheiro que tem.

score de crédito

Não é pelos R$ 0,20

Esse novo hábito nas redes sociais de encontros é muito interessante. E não vamos reduzi-lo apenas ao interesse pelo dinheiro. Em primeiro lugar porque, como dissemos, ter bom score de crédito não significa ter muito dinheiro. Há pessoas que ganham muito bem, mas gastam de forma desordenada, a ponto de terem escore ruim. Por outro lado, há pessoas que não ganham tão bem, mas são serenas e disciplinadas e, por isso, têm escore bom.

Então por que o escore de crédito é tão “sensual” assim? Bem, porque quem cuida bem do próprio dinheiro provavelmente tem outros atributos não diretamente ligados a questões materiais:

  • São pessoas que sabem se planejar, possuem metas bem definidas e sabem como realizá-las. Isto é muito importante quando se pensa em longo prazo, principalmente na vida a dois.
  • Não se estressam por causa de problemas financeiros. Isto é, têm pelo menos uma fonte de preocupações a menos do que as pessoas desorganizadas financeiramente.
  • Como sabem gerenciar um recurso limitado, como o dinheiro, é possível que saibam gerenciar também seu tempo e sua saúde.
  • Têm condição de proporcionar a si mesmos diversão, lazer e descanso, aspectos tão desejáveis em uma vida a dois.
  • Frequentemente são pessoas bem formadas, que se interessam por estudos e por se manterem bem informadas.

escore de crédito

É claro que gerenciar bem o próprio dinheiro não garante os fatores citados acima. Mas que é um forte indício, não há dúvida. E isso conta bastante para quem está procurando um parceiro, na hora de formar a primeira impressão.

Então, é ou não um bom motivo para cuidar bem do seu dinheiro e do score de crédito?

Score de crédito social

As empresas que calculam o escore de crédito estão sempre aprimorando suas metodologias. Elas vivem, basicamente, de dados que estão espalhados por aí – especialmente na internet – e que precisam transformar em informação útil.

Acontece que, principalmente em países como o Brasil, boa parte da informação útil não possa ser encontrada nos locais usuais.

Explico melhor: no Brasil existe muito trabalho informal. Então, há muita gente trabalhando, ganhando até um bom dinheiro, sem que isso esteja registrado em nenhuma base de dados oficial do governo. Isso, sem falar também na sonegação tributária, que é, também, sonegação de informação.

Algumas empresas têm utilizado formas criativas e avançadas para superar esse problema. Por exemplo, pesquisando informações em redes sociais. Aquilo que não está nos dados da Receita Federal, do Caged e em outras bases de dados oficiais, em muitos casos pode estar bastante claro no Facebook e no Instagram.

Assim é construído o chamado score social. Certamente é mais difícil usar essa informação de forma automatizada e massificada. Mas já é alguma coisa, e empresas têm se empenhado em melhorar a forma de busca, análise e classificação da informação.

Privacidade

Falando nisso, na conversa com o Pedro comentamos sobre como nossa vida é, cada dia mais, um livro aberto e exposto na internet. As redes sociais são espaços onde se troca informação, diversão, comunicação pessoal e… hábitos de consumo!

Já reparou que, quando você pesquisa na internet algo que quer comprar, pouco depois aplicativos como o Facebook, ou o próprio Google, apresentam ofertas daquele produto? É claro que isso não é coincidência. Quando utiliza mecanismos de busca, você autoriza – de forma explícita ou apenas tácita – o uso da informação para outros fins.

Outra forma de ofertar serviços que vem se tornando comum são mensagens diretas que chegam pelo celular, de acordo com o local em que você está. O Pedro deu o exemplo de, quando está perto de uma concessionária de carros, a pessoa receber uma oferta de financiamento de veículos, praticamente convidando-a a visitar aquela concessionária.

Nesse caso, a tecnologia une o GPS, informações sobre a loja, informações de navegação na internet e o score de crédito. Pelo GPS, a instituição financeira fica sabendo que você está perto da concessionária. Por meio de contato prévio, ela conhece também os produtos oferecidos pela concessionária. Além disso, ela sabe se você deseja trocar de carro – o Google fornece seus dados de navegação a quem pagar bem. Por fim, ela sabe a sua condição financeira – por meio do escore de crédito. Aí, embala tudo isso em um produto e te envia a mensagem.

Bom ou ruim?

Há quem não goste desse tipo de coisa. Gente que se sente incomodada ao perceber que o mundo é um grande Big Brother, onde estamos todos sendo vigiados, observados e analisados o tempo todo. E que pense que isto é uma invasão de privacidade.

Bem, de certa forma, pode ser considerada mesmo uma invasão. Mas será que a privacidade existe, mesmo? Você não acha fantásticas certas ferramentas da tecnologia, como o Google e os sistemas de GPS? E as utiliza de graça. Não seria justo fornecer em troca algumas informações sobre seus hábitos?

E não é apenas questão de justiça. Será que isso não pode ser vantajoso para você? Não pode ser bastante prático, numa época em que corremos tanto e temos cada vez menos tempo, receber ofertas prontas e sob medida, de produtos e serviços que nos interessam?

Concluindo

Foi, mais uma vez, uma conversa muito boa sobre o admirável mundo novo. Vale a pena ouvir. Não deixe de baixar o podcast e de nos avaliar. Sua opinião é muito importante para nós!

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