Vai um empurrãozinho aí?

Vai um empurrãozinho aí?

A imagem que ilustra este post fala por si só. Você, meu amigo leitor, não acha? O icônico personagem Homer Simpson na sua posição tradicional: dormindo, rosquinhas, barriga proeminente, babando… Homer está sempre precisando de ajuda! Especialmente para melhorar seus hábitos de saúde. Será que isto também acontece quanto aos hábitos financeiros e de consumo? Sim, do Homer e da maior parte das pessoas, como o blog tem defendido, provocando reflexão e educação financeira..

Ocorre que o blog também tem alertado para outras formas de ajuda, como a economia comportamental. Uma dessas formas de auxiliar tem tomado forma por meio de políticas públicas ou privadas, que se traduzem em “cutucões” ou “empurrãozinhos” (cuja expressão em inglês é “nudge”) para que os devedores/consumidores/investidores façam a coisa certa, sejam previdentes ou tomem o caminho mais prudente. Ou seja, ao invés de punir, as políticas públicas ou privadas lançam simplesmente o alerta ou dão o cutucão para a alternativa mais adequada. De qualquer forma, a liberdade de escolha ainda permanece e você sempre pode optar, leitor.

Vamos aos exemplos. Nas grandes empresas do Reino Unido, os novos empregados não optam se serão inscritos nos fundos de pensão. Eles são inscritos automaticamente. Se não quiserem, aí sim podem optar por sair. A maior parte segue o padrão de comportamento, que revela ser o mais previdente. A não ser que o empregado tenha uma alternativa melhor. Com isso, a adesão média aumentou de 61 para 83%. Ah, e o custo da medida é praticamente zero.

Em outro caso, também no Reino Unido, mas que começa a tomar forma aqui também, as pessoas são alertadas para o pagamento de impostos (a partir de um certo nível de adesão, o pagamento estaciona), mas não de forma punitiva ou de cobrança. É caro aplicar multas. Eles simplesmente são alertadas por cartas – ou mensagens no celular –, em linguagem popular, dos impostos em débito. E mais: os alertas mostram o nível de adesão e apontam os poucos que não cumprem as regras. Uma espécie de constrangimento moral. O nível de adesão aumentou, de forma muito simples.

Um terceiro caso. A marcação de consultas médicas é um processo delicado. Quando melhoramos, é comum faltarmos às consultas marcadas. E isto custa caro. Tempo desperdiçado e consulta que poderia ter sido aproveitada por outra pessoa. Uma empurrão simples foi o seguinte: o próprio paciente, e não mais o médico, preenche – seguindo algumas alternativas – a marcação das próximas consultas. Quando isto acontece, o comprometimento é maior. Nos EUA tal medida foi adotada e houve a redução de 31% em consultas perdidas. Será que isto não funcionaria bem para o exercício físico ou como um lembrete para o investimento futuro?

Se tais medidas podem funcionar para políticas públicas em inúmeras áreas, podem ser também eficaz para as finanças. O blog defende o processo de educação financeira. Mas para ajudá-lo, em algumas situações, os cutucões podem ser muito efetivos. Para ter uma ideia das possibilidades de aplicação em finanças, confira aqui a reportagem sobre o tema que saiu no Valor Econômico. E se quiser saber mais sobre políticas públicas que empregam tais empurrões, veja aqui a reportagem da Revista Época e clique no quadro no final do post.

Por fim, eu lhe pergunto, meu caro amigo leitor: em educação financeira, você se comporta como o Homer da figura? Vai um empurrãozinho aí?

Epoca

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

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