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E se fôssemos investir fora do país?

E se fôssemos investir fora do país?

Há menos de um mês, meu colega Frederico Torres respondeu uma mensagem que lhe perguntava: “ainda era seguro aplicar no Tesouro Direto?” Ele respondeu, em resumo, que, pouco importando a modalidade de investimento, CDB, LCI, LCA, LC, LF, Cota de FIF, PGBL ou VGBL – e obviamente, o próprio Tesouro Direto – são todos eles galhos de uma mesma árvore, ou seja, estão vinculados a um mesmo tronco (pelo menos em parte), que é o risco soberano (do governo). Se o tronco morrer, morrem também os galhos!

Nos investimentos no Brasil não haveria muito para onde correr, em um colapso generalizado. De qualquer forma, ressalte-se muito bem, o Frederico, ao ponderar esta possibilidade, salienta que a maior parte do patrimônio dele está aplicada aqui e que sofreria igualmente as consequências do Risco-Brasil.

Diante disto, podemos nos perguntar: e se fôssemos investir fora do país? A ideia do post não é fazer recomendações de investimento fora, mas, simplesmente, ressaltar esta possibilidade, apresentando eventuais benefícios e riscos.

O benefício principal é apostar em uma maior segurança fora do país. Diante de um cenário de alta volatilidade e incerteza no país, a garantia de maior estabilidade fora é um atrativo. Além disso, a quantidade de opções para investir fora é mais ampla do que dentro do país: títulos de governos estrangeiros, de empresas de todo o mundo e ativos financeiros ligados a setores específicos da economia.

Para fazer isto, a primeira ação é abrir uma conta em um banco ou corretora fora do país. Algumas instituições oferecem atendimento em português e assistência a brasileiros, esclarecendo dúvidas tributárias ou de regulação. Por exemplo, clientes do Banco do Brasil podem abrir uma conta no BB Americas, sem sair do país, com opções de investimentos a partir de US$ 1.000. Noutro exemplo, a XP Securities, corretora da XP nos EUA, aceita investimentos a partir de US$ 100.

Agora, os riscos. Não há investimento sem risco, mesmo fora do país (vide a crise financeira de 2008). E a regra do risco é universal: quanto maior for a perspectiva de rentabilidade, maior o risco. E ainda que mais estável, a rentabilidade passada não é a garantia de retorno futuro.

Outro obstáculo: os custos burocráticos da operação. É possível que investimentos no exterior tragam vantagens tributárias, mas é indispensável consultar um especialista para concluir se a operação vale a pena. Numa remessa de dólares para o exterior paga-se 0,38% de IOF. Paga-se na volta também.

Por exemplo, opções de “investimento” no exterior, via cartão de crédito, definitivamente não revelam ser uma boa alternativa. Além de fazer a conversão por uma taxa de câmbio mais alta, paga-se 6,38% de IOF. E ainda pode trazer problemas fiscais para o investidor, já que aportes via cartão de crédito não são considerados investimentos pela Receita Federal, mas gastos. Nessa hipótese, visivelmente, a relação risco-retorno não compensa.

E os especialistas também alertam que a diversificação para investimento no exterior funciona melhor para aqueles que possuem uma poupança mais robusta. Ou seja, o investimento no exterior funciona como uma parcela de sua poupança.

Mas, se ainda assim, você precisa se proteger da oscilação cambial (uma dívida a pagar em moeda estrangeira; se pretende mandar seus filhos para estudar no exterior ou planeja morar no exterior), a opção pode ser investir – no país – em fundos cambiais (que segue de perto a variação da moeda estrangeira), fundos BDR’s (recibos de empresas estrangeiras negociados na Bolsa brasileira) ou fundos de renda fixa (composta por títulos de renda fixa de todo o mundo – governos e empresas). A aplicação é em real, mas a rentabilidade varia de acordo com o índice escolhido, moeda estrangeira, títulos do governo estrangeiro ou ações das empresas estrangeiras.

A ideia do post é simplesmente alertar a você, meu caro leitor, que há mais possibilidades de investimento e proteção, inclusive no exterior. Mas como em economia “não há almoço grátis”, os riscos também existem. Até a próxima!

 

Abaixo três links com notícias de investimento no exterior. Faça a sua própria pesquisa:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/03/1749530-crise-aumenta-apetite-por-investimentos-no-exterior.shtml

http://www.infomoney.com.br/onde-investir/investimentos-no-exterior/noticia/4389145/pensando-investir-exterior-confira-aplicacoes-recomendadas

http://www.xpi.com.br/blog/artigos/investir-no-exterior-nunca-foi-tao-facil-.aspx

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

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