Complementar o benefício INSS é fundamental! Mas como?

Assinar Podcast Educando Seu Bolso no Apple Podcasts
Assinar Podcast Educando Seu Bolso no Spotify
Assinar Podcast Educando Seu Bolso no Google Podcasts
Assinar Podcast Educando Seu Bolso no Castbox

Complementar o benefício INSS para manter o padrão de vida durante a aposentadoria é uma preocupação de muitos brasileiros. Eu e o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência, aproveitamos a dúvida de uma ouvinte para analisarmos se vale mais a pena sacar o dinheiro da previdência privada e investir ou receber um rendimento vitalício.

Neste post você vai entender melhor o que é a renda vitalícia e quais as suas vantagens e desvantagens. Vamos analisar ainda questões comportamentais e tributárias que devem ser analisadas na hora de tomar essa decisão. Ao final mostraremos que não é tão complicado assim constituir uma boa reserva para complementar o benefício que a Previdência Social concede aos aposentados e responderemos à dúvida de uma ouvinte que quer saber: investir em fundo ou em um plano de previdência privada?

A dúvida da Mônica

A Mônica nos contou que ela possui um plano de previdência privada no Banco do Brasil, o BrasilPrev VGBL Renda Progressiva. Ela tem R$204.000,00 aplicados, para resgate em novembro de 2018, quando ela completa 60 anos. Se ela resgatar esse valor, descontado o Imposto de Renda, receberia um montante de  R$193.000,00.

Mas, ela também tem a opção de manter o dinheiro na previdência e receber uma renda vitalícia, de R$900,00 mensalmente. Essa renda complementaria seu benefício INSS, que é de um salário mínimo.

Ela quer saber qual é melhor opção: resgatar o dinheiro e aplicar ou pedir a renda vitalícia?

Gostaria então de dar os parabéns para a Mônica, que se preocupou em construir essa reserva financeira para complementar o benefício INSS. Com essa poupança adicional ela vai poder praticamente dobrar a renda na velhice.

O que é renda vitalícia?

Existem duas formas da Mônica receber essa reserva de R$204.000,00. Ela pode resgatar o montante total, “botar a mão nessa bolada” e gastar o dinheiro como ela bem entender. Pode ser que ela queira comprar uma casa, fazer uma viagem ou dividir para os filhos, por exemplo.

Ou ela pode optar pela renda vitalícia. Nesse caso é como se ela fizesse um contrato com a seguradora. Assim, ela permite que a BrasilPrev continue administrando o dinheiro, em troca de uma renda mensal de R$900,00, que ela receberá enquanto ela viver.

Este é um contrato de risco, porque não é possível  prever até quando ela vai viver. Então, se ela morrer com 100 anos, durante 40 anos ela irá receber esses R$ 900,00.

A renda vitalícia tem reajuste?

Tudo depende do contrato. Pode haver contratos que preveem uma correção monetária e reposição de inflação.  Só não se prevê ganho de juros, ou ganho financeiro, em cima desse R$ 900,00.

Resgatar a reserva do VGBL para investir vale a pena?

Eu fiz uma conta utilizando o nosso Simulador de Aposentadoria. Não é um cálculo exato porque não é possível prever com certeza quando a Mônica irá falecer, nem quais juros serão aplicados.

O Simulador prevê uma estimativa de vida de 80 anos. Apesar de ser um valor próximo das tábuas atuariais e da expectativa de vida média do brasileiro, para alguns casos isso é insuficiente. A estimativa de juros prevista na aplicação desse desses R$193.000,00, que é o que ela realmente receberia após o desconto do Imposto de Renda, é de 0,4% ao mês. Parecido com que rende hoje a Poupança nominalmente. Nosso simulador usa o rendimento real – acima da inflação – que pode ser encontrado em títulos do tesouro direto.

Ou seja, com base nesse patamar de juros, dos 60 aos 80 anos, ela teria por volta de R$1.200,00 ao mês. Em outras palavras, R$300,00 a mais do que a se ela optar pela renda vitalícia. A resposta simples pra Mônica está aí.

Porém, o banco provavelmente prevê uma expectativa de vida acima de 80 anos para ela. Além disso, é provável que esta diferença se dá também pois ao optar pela renda vitalícia, a Mônica provavelmente tem um seguro. Funciona assim, se ela falecer, é possível transmitir uma parte dessa renda (normalmente 50%) para um beneficiário. O marido ou filho, por exemplo. É claro que para cada tipo de beneficiário há uma regra, um prazo limite. Então, antes de tomar a decisão, ela precisa confirmar isto.

Ainda assim, como aqui no EsB, não ficamos em cima do muro. Fiz a conta pra ela do que vale mais: R$193mil ou o valor presente dos R$900 por mês, durante 30 anos (dos 60 até os 90) e, ainda assim, vale a pena financeiramente sacar o dinheiro e reaplicá-lo por conta própria.

Maior segurança ou maior rendimento?

Esta é uma escolha entre manter a segurança ou aumentar o benefício financeiro. Escolher receber uma renda mensal vitalícia é mais cômodo. Não é necessário ter que lidar com o dinheiro. O beneficiário, ou a Mônica, simplesmente mantém essa reserva nas mãos da BrasilPrev para que ela a administre e deposite o dinheiro na conta dela todo mês.

Mas nessa opção existe uma certa perda financeira. Se a Mônica agisse por conta própria, retirando o dinheiro e realizando outra aplicação, ela teria aproximadamente R$300,00 a mais. No entanto, vale fazer uma ressalva: o dinheiro aplicado tem um período de usufruto limitado, não é vitalício.

Qual a melhor opção renda vitalícia ou aplicação própria?

Se você não sabe aplicar, não quer ter esse trabalho, ou é propenso(a) a gastos, não vale a pena sacar. Ou seja, se você acha que quando receber esses R$193.000,00 provavelmente não vai aplicar o valor cheio, vai usar uma parte para fazer uma comprinha aqui, outra ali, ajudar a netinha desempregada e seis meses depois o valor que deveria ser investido inicialmente já caiu para R$150.000,00, escolha a renda vitalícia. O comportamental tem que ser considerado.

Outra situação muito comum é o assédio de parentes e amigos, que sabendo dessa complementação do benefício INSS começam a pedir inúmeros favores e empréstimos. Logo, se você não tem essa disciplina e a coragem de dizer não, também é melhor manter o montante sob a responsabilidade da BrasilPrev. Assim, o dinheiro não fica na sua mão. Não podendo resgatar a qualquer momento fica muito mais fácil manter a reserva na previdência privada.

Por fim, o último ponto a ser considerado é o Imposto de Renda. Supondo que a Mônica, por exemplo, esteja na alíquota máxima do imposto, 27,5%. Se ela resgata tudo de uma vez ela paga essa porcentagem sobre o montante. Por outro lado, se ela transformar isso em R$900,00 de renda vitalícia, somados ao salário mínimo, ela terá um rendimento mensal de R$1.900,00 aproximadamente. Assim ela estará na alíquota mínima do Imposto de Renda, onde não se paga nada.

Mesmo pagando o Imposto de Renda ainda há um certo ganho financeiro aplicando por conta própria para complementar o benefício INSS. No entanto, é preciso considerar todos esses fatores comportamentais e refletir sobre qual opção proporcionará uma aposentadoria mais tranquila.

Faça como a Mônica e comece a complementar seu benefício INSS!

A Kadidja comentou durante o programa na rádio: “Que coisa surpreendente como é que uma pessoa que vai ter uma aposentadoria de um salário mínimo, quer dizer não deve ter um salário muito alto, consegue juntar R$204.000,00?”

Isso é fruto dela ter começado cedo. É possível acumular uma reserva de previdência de R$204.000,00 mesmo com um salário baixo. Fiz outra simulação utilizando nosso Simulador de Aposentadoria para mostrar que não é tão difícil assim complementar o benefício INSS. Começando com 20 anos, para chegar aos 60, e aplicando R$200,00 por mês, o montante final seria de R$290.000,00. Mas,  é necessário ter disciplina para aplicar todo mês e colocar os juros para trabalharem a seu favor.

Infelizmente esse não é o caso da maioria dos brasileiros. Muitas pessoas só começam a pensar em uma complementação para o benefício INSS quando a aposentadoria já está se aproximando.

Nós já falamos aqui várias vezes e vale sempre lembrar: poupe! Quanto antes melhor! Pense no futuro e use o tempo a seu favor!

Fundo de Investimento ou Previdência Privada?

Ao final do programa a ouvinte Juliana perguntou: “Onde investir: previdência privada ou fundo de investimento? Levando em consideração que essa previdência privada também faz aplicação no fundo de investimento”.

A Previdência Privada (VGBL ou PGBL) geralmente vai ser um pouquinho superior, se você conseguir manter essa aplicação no longo prazo. Para aplicações de curto prazo, bons fundos de investimento tendem a ser melhores.

Se a ideia é fazer aplicação para criar uma reserva financeira de longo prazo e servir de complementação do benefício INSS, escolha um bom VGBL ou  PGBL. Além disso, é importante fazer uma análise da situação tributária das alíquotas do Imposto de Renda, como fizemos aqui anteriormente.

No mais, é possível fazer simulações  utilizando o nosso Simulador de Investimento em Renda Fixa. Você preenche alguns dados, coloca quanto gostaria de investir e o simulador gera uma  tabela com as melhores opções. Se o gerente do banco te der duas opções, esse fundo ou aquele VGBL, por exemplo, você também pode mandar para a gente aqui no blog. Nós analisamos e escolhemos para te ajudar a tomar a melhor decisão.

Não começou a complementar seu benefício INSS ainda? Corre!

Começar a construir uma reserva financeira cedo é fundamental para melhorar a qualidade de vida na aposentadoria. Tão importante quanto, é saber como administrar esse dinheiro no futuro. Seja por meio de uma nova aplicação ou pelo recebimento da renda vitalícia.

Analise o comportamento tanto seu, quanto dos seus familiares na hora de escolher como desfrutar do benefício que você construiu. Além disso lembre-se de levar em conta o Imposto de Renda e levantar quais as opções permitem pagar uma alíquota menor.

Gostaria de agradecer a participação dos ouvintes e leitores, que nos ajudam a colocar a conversa da maneira mais prática possível. Por fim,  peço que critiquem, ranqueiem, deixem seus comentários, sugiram temas, utilizem os simuladores e ouçam o podcast!;

2 comentários

  • Qual o título do tesouro que se consegue resgatar mensalmente?
    Se a pessoa sacar mensalmente os juros obtidos ela não estará perdendo capital, uma vez que existe a inflação?

    Responder
    • Frederico Torres

      Boa tarde Clairton e obrigado por suas perguntas.

      Primeiro, qualquer título do Tesouro é resgatável diariamente, mesmo os que tem prazos longínquos.

      Segundo, não sei se você está se referindo aos títulos em que há pagamento de juros semestrais, ou cupom no jargão financeiro. Se for este o caso, o que se paga é apenas juros mesmo. Porém, para fazer resgates mensais é preciso vender mesmo, todo mês, um título ou parcela dele. Desta maneira, você tem razão e estará recebendo tanto juros quanto principal. A lógica de uma aplicação financeira que substitui a renda vitalícia (dúvida do podcast) é justamente esta. Ou seja, um fluxo constante de recebimentos que durará 20 ou 25 anos. Nele você recebe principal, juros e correção monetária, até esgotar sua reserva financeira (esvaziar completamente o balde), percebe?

      Espero ter respondido sua pergunta, mas se ainda não ficou claro, é só falar!

      =)

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *