Jovens sonham com aposentadoria antes dos 60

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No podcast desta semana vamos falar de um dos temas mais discutidos hoje em dia no Brasil: aposentadoria. Na nossa participação no programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, falamos sobre como os jovens enxergam seu próprio futuro. Nosso amigo Pedro Vieira usou nosso Simulador de Aposentadoria ao vivo, no ar, e desenhou cenários para sua aposentadoria.

O ponto de partida foi uma pesquisa do Datafolha, recentemente publicada, que revela como o jovem enxerga esse importante momento da vida. Os resultados da pesquisa são, no mínimo, intrigantes. E acompanhar o Pedro usando o Simulador foi sensacional. Leia e ouça, você vai gostar.

Expectativa irreal

Segundo a pesquisa, os jovens de 16  a 24 anos têm a expectativa de se aposentarem com menos de 60 anos. Esta ideia é cada vez mais distante da realidade. Primeiro, porque a reforma da previdência que esteve em intensa discussão até pouco tempo atrás – e que agora está encostada, por motivos diversos – deverá estipular uma idade mínima para aposentadoria superior a 60 anos. O texto em discussão fala em idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para os homens.

Mas, além disso, essa ideia de chegar à aposentadoria com menos de 60 anos não é coerente com a própria conduta do brasileiro em relação às suas finanças. O brasileiro, de modo geral, não se prepara bem para o futuro. Em parte porque, para a maioria das pessoas, o orçamento é bastante apertado. Isto é, se o dinheiro mal é suficiente para cuidar do presente, será menos suficiente ainda para cuidar do futuro.

Mas, além disso, mesmo para aqueles que não têm orçamento tão apertado assim, não existe uma cultura de cuidar do futuro. Isto é, não existe uma compreensão de que é preciso abrir mão de parte do consumo no presente para garantir um pouco mais de tranquilidade no futuro.

Desinformação

Um dos fatores responsáveis por esta falta de cultura previdenciária é a desinformação. As pessoas não sabem – e não procuram saber – como funciona um sistema de aposentadoria. Muitas pessoas simplesmente aprendem, desde cedo, que todos trabalham até certo momento da vida, depois se aposentam e passam a receber um dinheiro “do governo”. E pensam que isso acontece por alguma força da natureza, e assim será para sempre. Ou, pelo menos, até que chegue a vez delas próprias se aposentarem.

Acontece que não é assim que funciona. Não existe mágica, nem força da natureza. O que existe é um conjunto de regras que rege um sistema de aposentadoria, e o gerenciamento do dinheiro arrecadado ao longo dos anos. Vamos entender melhor?

Sistema de repartição

A previdência oficial no Brasil funciona pelo chamado sistema de repartição. Por meio dele, o trabalhador do presente sustenta o trabalhador do passado – que, no presente, está aposentado. E o trabalhador do futuro sustentará o trabalhador do presente – que, no futuro, estará aposentado. Esse sustento ocorre por meio de contribuições, tanto do próprio trabalhador da ativa como também das empresas e do próprio estado. Estas contribuições são equivalentes a uma pequena parte do salário do trabalhador.

E, como não existe mágica, é preciso que haja um número grande de trabalhadores na ativa, em relação aos aposentados. Este sistema, porém, está cada vez mais próximo da exaustão, devido, principalmente, a dois fatores:

  • O número de trabalhadores que contribuem para a previdência – isto é, aqueles com carteira assinada – é relativamente menor que no passado, devido às novas relações de trabalho. Quem acompanha o blog sabe que o mercado de trabalho no Brasil está mudando. Muita gente que antes trabalhava com carteira assinada tem migrado para outras formas de trabalho. Muitas pessoas têm se tornado, por exemplo, Microempreendedores Individuais – MEI. Boa parte destes não contribuem para a previdência oficial.
  • A expectativa de vida do brasileiro tem aumentado. Isto, é claro, é motivo para comemorar. As pessoas têm vivido mais. Porém, isto tem um preço: elas ficam aposentadas por mais tempo, e exigem mais do sistema oficial de aposentadoria.

Déficit da Previdência

Deu para entender que a conta está caminhando para não fechar? Muitos dizem que a conta já não fecha. Outros dizem que ela ainda fecha. Os números são controversos. Você deve estar acompanhando pela imprensa o intenso debate que se trava sobre este assunto. Uma pergunta que as pessoas frequentemente se fazem é: afinal, a Previdência é ou não é deficitária?

Esta dúvida ocorre porque as fontes de receita da Previdência são várias. Além das contribuições de trabalhadores, empresas e governo, há impostos – como a Contribuição Sobre o Lucro Líquido, CSLL – que são originalmente destinados a alimentar a Previdência, mas que têm sido direcionados a outros fins. Por isso, a discussão é longa, e não é nossa intenção aqui aprofundar nela.

Quase ninguém nega, porém, que este sistema não é sustentável no futuro. Se a conta ainda fecha, em breve não fechará mais.

Regime de capitalização

Um caminho natural para a previdência oficial é adotar outra modalidade. Em vez do sistema de repartição, uma alternativa é adotar o sistema de capitalização.

Esse sistema funciona de forma semelhante a um plano de previdência privada. O trabalhador contribui para a sua própria aposentadoria, e não mais para a aposentadoria dos trabalhadores do passado. As contribuições que vêm de parte do seu salário – assim como as contribuições do empregador e do governo – vão para um fundo que se transformará na sua aposentadoria no futuro.

Isso muda tudo. Não apenas a forma de se calcular e compor a aposentadoria, mas a própria relação do trabalhador com seu próprio futuro. A tendência é de que desapareça essa noção de “estado provedor”, e surja uma noção muito mais realista. O trabalhador passa a perceber que ele é mais diretamente responsável pelo seu próprio futuro.

Este sistema não é, necessariamente, “neoliberal”, como muitos acusam. Alguns políticos de esquerda – isto é, que defendem que o estado tem o papel de atuar diretamente na distribuição de renda – defendem esse sistema, por ser matematicamente lógico. Mas esta discussão também não é a intenção deste post.

Voltando

O que importa agora, é convidar o leitor e ouvinte a ser mais diretamente responsável por cuidar do seu futuro. Ou seja, da sua aposentadoria. E isto não se limita a contribuir para a previdência oficial. Pelo contrário. O que vai acontecer com a aposentadoria do INSS é um grande mistério. Por isso, é importante que cada um pense em outras formas de compor um fundo para sua própria aposentadoria.

Para isso o Educando Seu Bolso criou o Simulador de Aposentadoria. Ele permite que o usuário desenhe cenários reais, concretos, para seu futuro, a partir da sua condição no presente. O Pedro Vieira testou o Simulador no ar, e os resultados foram muito interessantes.

Pedro tem hoje 37 anos, e fez várias simulações na nossa calculadora. Simulou uma aposentadoria mais modesta, depois outra mais generosa. Testou uma aposentadoria a partir dos seus 37 anos, depois outra em idade mais avançada. Considerou uma situação da qual ele começa do zero, depois outra como se tivesse algum dinheiro já guardado.

Vamos aos resultados?

aposentadoria

Como funciona o Simulador

Na ferramenta criada pelo Educando Seu Bolso, você precisa informar sua idade atual, a idade com que quer se aposentar, e se já tem algum dinheiro guardado destinado à aposentadoria.

Você pode escolher entre duas formas de se fazer o cálculo. A primeira é informar o valor com que deseja complementar sua aposentadoria. Neste caso, o Simulador te diz quanto é preciso guardar mensalmente para atingir essa meta. Ou você pode informar o valor que você pode guardar todos os meses até se aposentar. Neste caso, o Simulador te informa de quanto será seu complemento de aposentadoria, a partir desse valor.

O cálculo é feito levando em conta que a pessoa guardará o dinheiro em uma aplicação de baixo risco – semelhante às apresentadas em nosso outro simulador, o de Investimentos em Renda Fixa. Fará isso até atingir a idade de se aposentar, que ela própria informou. A partir daí começará a usar mensalmente o dinheiro. Adotamos como expectativa de vida a idade de 80 anos, que é superior à média do brasileiro atualmente. Isto é, durante um tempo ela acumula, e depois usufrui. Como deve ser, certo?

Aposentadoria de 1 salário mínimo

A primeira simulação que o Pedro fez foi para receber um complemento de aposentadoria no valor de 1 salário mínimo, isto é, R$ 954 mensais. Ele informou que, hoje, ainda não tem nenhum dinheiro guardado com a finalidade de complementar aposentadoria. Como dissemos, Pedro tem 37 anos e pretende se aposentar com 65 anos.

Segundo o Simulador, ele precisa guardar mensalmente R$ 173,14. Este valor será suficiente para acumular pouco mais de R$ 122 mil, o que será suficiente para prover os R$ 954 mensais a ele.

O resultado surpreendeu nosso amigo. Ele achou que ficou barato. Apenas R$ 173 mensais, para prover uma renda mensal quase 6 vezes maior. Qual é o segredo? Daqui a pouco comentaremos. Vamos a uma nova simulação.

Aposentadoria de R$ 5 mil

Como achou que estava fácil demais, nosso Pedro decidiu aumentar a própria aposentadoria. Assim, definiu que, aos 65 anos, quer se aposentar recebendo um complemento de R$ 5 mil. Também nesse cálculo, considerou que ainda não tem dinheiro guardado.

Segundo o Simulador, para receber essa bolada ele precisará poupar mensalmente R$ 907,45. Isso resultará em um montante de R$ 640 mil daqui a 28 anos, quando a idade de Pedro for 65.

Os R$ 5 mil mensais equivalem ao teto da aposentadoria pelo INSS. Repare que, mesmo uma pessoa jovem como o Pedro – por favor, leitor, concorde que alguém com 37 anos é jovem – precisa poupar mensalmente uma quantidade boa de dinheiro. R$ 907 estão além do que a maioria dos brasileiros é capaz de guardar.

E se tivesse dinheiro guardado?

Na terceira simulação, pedimos que Pedro informasse que já tem guardados R$ 100 mil. Para uma pessoa disciplinada não é nada absurdo imaginar que, após 15 anos de trabalho, haja uma poupança de R$ 100 mil.

O resultado foi surpreendente. Nesse caso ele precisaria aplicar R$ 365,82. Qual é o segredo? Ora, não existe. E o que isso significa? Já diremos. Vamos a outra simulação.

E se Pedro não tivesse 37 anos?

Pedimos ao Pedro que mantivesse as condições da simulação anterior, mas dissesse que tem 47 anos de idade, e não os 37. O resultado também surpreendeu. Uma pessoa com R$ 100 mil guardados, com 47 anos, precisaria guardar mensalmente mais R$ 1180 para se aposentar aos 65.

Depois pedimos a ele que informasse a idade de 27 anos. Nesse caso, mantidas todas as outras condições, ele precisaria aplicar mensalmente apenas R$ 17 mensais!

Como assim? Se aumentar a idade em 10 anos, triplica o valor. Se diminui-la em 10 anos, o valor fica irrisório! Pois é… Vamos às últimas simulações depois, finalmente, comentaremos.

Contribuição mensal de R$ 100

Pedro manteve as condições da terceira simulação. Isto é, 37 anos de idade, R$ 100 mil guardados e o desejo de se aposentar aos 65 anos. Informou que pretende guardar mais R$ 100 mensais. Nesse caso, ele teria um complemento de aposentadoria no valor de R$ 3535.

Por fim, Pedro manteve essas condições, mas considerou que não tem nenhum dinheiro guardado. O resultado foi que, apenas os R$ 100 mensais dariam um complemento de R$ 550 na aposentadoria.

Conclusões

O que podemos tirar como lição nisso tudo?

Creio que o que mais surpreendeu foi aquela história de aumentar a idade em 10 anos e depois diminui-la em 10 anos. Mantidas as outras condições, o Simulador nos diz que, para alcançar o mesmo objetivo é preciso poupar R$ 17 aos 27 anos, R$ 365 aos 37 anos, e R$ 1180 aos 47.

A conclusão é óbvia: começar a poupar antes é MUITO melhor. O tempo é um dos fatores mais poderosos na constituição de uma reserva para aposentadoria. Ele conta mais do que o valor poupado mensalmente e que a taxa de rendimento da aplicação. Portanto, se você é jovem e começar já, vai precisar de um esforço mensal menor.

Isso fica confirmado na última simulação. Se houvesse R$ 100 mil guardados, os R$ 100 mensais dariam uma aposentadoria de mais de R$ 3500. Como não há, os R$ 100 mensais se transformam em apenas R$ 550. Isto é: jovem, comece a poupar cedo, porque assim, aos 37 anos você já terá uma reserva importante, que vai render muito conforto na aposentadoria.

Mas se você já não é tão jovem, não desanime. E, principalmente, não se afogue em arrependimento por não ter começado a poupar cedo. Bola pra frente. Se você não tem mais tanto tempo a seu favor, compense isso aumentando sua poupança mensal.

Muito legal essa história, não foi? Eu falei que você iria gostar. Então comece a praticar desde já. E, se puder, compartilhe com os amigos e dê sua avaliação no nosso podcast. Desde já agradecemos.

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