BrasilPrev: Previdência renda fixa com rendimento negativo?

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A economia anda meio tumultuada ultimamente e o brasileiro está sofrendo com rendimentos negativos em seus investimentos. Nem mesmo aplicações de renda fixa e planos de previdência, como o BrasilPrev dos pais do Marcelo, escaparam. Brasilprev? Marcelo? Aguenta aí que já explicamos.

A Bolsa tem se desvalorizado semana após semana, e vários fundos têm acompanhado a trajetória de queda. Tudo bem. Que a Bolsa era arriscada você já sabia, mas a renda fixa também? A possibilidade de perder parte do principal em PGBLs e VGBLs, que não aplicam em ações, é novidade pra muitos. Será que o Tesouro Direto é uma opção mais segura e rentável que esses planos? Quais são os melhores investimentos financeiros nos tempos atuais? Ou será que a pergunta nem é essa, mas sim: qual é o melhor comportamento do investidor em períodos turbulentos como o atual?

Esse foi o tema da minha conversa com o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência. Aproveitamos uma pergunta enviada pelo nosso leitor e ouvinte Marcelo, que falou das suas dificuldades em gerenciar os recursos dos pais. O investimento deles na BrasilPrev está com rendimento negativo e a família está perdida. O que fazer? Isto é possível?

Neste post vamos comentar tudo isso: investimentos adequados para diferentes fases da vida, bom e mau uso do Tesouro Direto, o que esperar e como agir em 2018 e muito mais.

A pergunta do ouvinte

Vivo o desafio de cuidar das finanças de meus pais para que tenham um final de vida digno. Eles têm os seus recursos investidos no BrasilPrev e estamos muito insatisfeitos com o rendimento dele. A partir do podcast estou ponderando migrar este recurso para o Tesouro Direto, pois gera um rendimento melhor e é seguro. Eu estou correto no meu raciocínio?

Marcelo

Ele acrescentou que o saldo que os pais têm investido diminuiu de um mês para o outro e que outros fundos do BrasilPrev tiveram o mesmo desempenho ruim.

A partir daí, o Pedro Vieira fez boas perguntas que nos possibilitaram comentar bastante essa questão tão complexa.

É normal um fundo de previdência perder dinheiro?

Pode acontecer. O BrasilPrev – a previdência privada do Banco do Brasil – tem mais de 40 fundos diferentes. Desses, apenas 2 não tiveram desempenho negativo nos 30 dias anteriores à nossa análise.

Isto acontece porque os gestores investem em ativos com algum risco, em busca de rentabilidade melhor. Isto significa investir em ações, ou mesmo em renda fixa, que vêm tendo desempenho ruim.

Os gestores podem fazer isso sem minha autorização?

Na verdade, eles têm sua autorização. Ao contratar o plano você comunica expressamente que aceita suas condições. Diferentes planos têm diferentes perfis de risco. Alguns são mais conservadores, outros mais arrojados. De acordo com o perfil, os gestores podem assumir menos ou mais riscos, em busca dos melhores investimentos.

Para um idoso compensa aderir à BrasilPrev?

Boa pergunta. Previdência privada é plano para longo prazo, certo? Muita gente pensa que, por isso, não é um investimento adequado para pessoa idosa.

Ora, depende. Teoricamente, uma pessoa já é considerada idosa aos 65 anos. Hoje em dia, graças aos avanços da medicina e da informação, muitas pessoas têm passado dos 90 anos cheias de saúde e vitalidade. Sendo assim, PGBL e VGBL podem, sim, ser bons negócios até para idosos. Mas é preciso ficar atento às cláusulas dos planos e às suas próprias condições – e esse conselho vale para qualquer idade.

A primeira condição é a pessoa dispor de um dinheiro do qual só vai precisar no longo prazo. Assim ela poderá desfrutar de importantes vantagens tributárias.

Além disso, é importante ler atentamente as cláusulas do plano, especialmente em relação a taxas – de administração, de carregamento etc. – e ao perfil de risco do plano.

Os investimentos e o pão de queijo

Uma das grandes delícias da culinária mineira é o pão de queijo. Se Deus é brasileiro, o pão de queijo é um forte indício de que Ele seja mineiro. Para ficar pronta, essa maravilha leva cerca de 30 minutos. Portanto, se você vai fazer um lanche rápido, porque precisa sair daqui a pouco, a dica é simples: NÃO faça pão de queijo.

investimento e pão de queijoMas você adora pão de queijo, vai lá e põe um tabuleiro para assar. E fica ali, o tempo todo olhando pela janela do forno para ver se ele cresce. Dali a 20 minutos, já atrasado para seu compromisso, você tira do forno. O pão de queijo não cresceu, está branco e massudo. Um sacrilégio.

Bem, com investimentos financeiros acontece a mesma coisa. Uma das primeiras perguntas antes de se investir é: QUANTO TEMPO você tem disponível para deixar os recursos? Se tem bastante tempo, poderá pesquisar investimentos de longo prazo. E, aí sim, deverá avaliar as outras condições para aplicação.

Porém, em muitos casos, a pessoa investe em um ativo tipicamente de longo prazo, com a intenção de deixar o dinheiro quieto, mas fica acompanhando a cotação daquele ativo todos os dias. Aí, se a economia do país passa por uma crise no curto prazo, a cotação daquele ativo cai. A pessoa se assusta e vende o ativo a preço baixo, traindo a si mesma.

É como aquela pessoa que põe o pão de queijo para assar e não espera os 30 minutos. Ela até TEM os 30 minutos disponíveis, mas fica olhando pela janela do forno – como se isso adiantasse alguma coisa –, acha que os pães já deveriam estar maiores e mais corados, acha que se deixar mais tempo eles vão ficar duros por dentro, aí não aguenta e tira antes da hora.

Sem generalizar

Não estou necessariamente dizendo que este seja o caso do  Marcelo, porque não acompanhei de perto o desempenho do fundo em que ele aplicou. Existem ativos que são ruins mesmo. Nesse caso, não resta muita opção a não ser aceitar a derrota, encerrar o prejuízo e partir para outra.

Mas é provável que Marcelo esteja assustado por causa de uma crise que está atingindo à economia como um todo, e não apenas aos ativos dele. Ele fala em sair do BrasilPrev e migrar para o Tesouro Direto.

Sem defender nem atacar o fundo da BrasilPrev – porque, repito, não analisamos detalhadamente a carteira do PGBL/VGBL em que ele aplicou – vamos falar um pouco sobre o Tesouro Direto.

Tesouro Direto

Existem basicamente 3 tipos de títulos do Tesouro Direto:

  • Tesouro Selic: rende o equivalente à Taxa Selic.
  • Tesouro IPCA: rende uma determinada taxa de juros MAIS a inflação medida pelo IPCA
  • Tesouro Pré-fixado: rende uma determinada taxa combinada no momento da aplicação, independentemente de como se comporte a economia, a inflação, a Selic etc.

Desses 3 títulos, o único que nunca perde valor é o Tesouro Selic. Ele rende todos os dias o equivalente à taxa Selic.

No caso dos outros dois, na hora da aplicação o investidor combina as condições da remuneração no vencimento do título. Essas condições estão garantidas pelo Tesouro Nacional. Porém, se decidir se desfazer do título ANTES do vencimento, ele venderá pelo preço que o mercado estiver disposto a pagar.

Isso quer dizer que é possível PERDER dinheiro no Tesouro Direto? Sim, é possível. Se comprar um título de longo prazo e precisar vender antes da hora, é possível perder dinheiro. Se vender na hora certa, não: receberá aquilo que foi combinado no início.

“Ah, Fred, então o melhor título do Tesouro Direto é o Tesouro Selic, que é o único que não se desvaloriza?” Sim, ele é o único que não se desvaloriza, mas nem sempre ele é o melhor.

Em finanças existe o tripé risco-rentabilidade-liquidez. Nenhum investimento tem bom desempenho nesses três fatores ao mesmo tempo. Então, se a pessoa opta pelo baixo risco do Tesouro Selic, ela precisa abrir mão da rentabilidade: este é o título que rende menos.

Isto quer dizer que, se o Marcelo tivesse tirado o dinheiro dos pais dele do fundo BrasilPrev para aplicar no Tesouro Direto por conta própria, possivelmente teria um desempenho semelhante. Quer ver?

Caso prático

Comparamos o desempenho de um fundo da BrasilPrev – Tesouro 2023 – com o Tesouro Selic. O fundo rendeu -3,23% nos 30 dias anteriores à análise, isto é, se desvalorizou. Já o Tesouro Selic rendeu 0,46% no mesmo período. Não é grande coisa, mas é melhor do que perder dinheiro, claro.

Porém, ao analisar um período de 12 meses, o fundo rendeu 8,03%, enquanto o Tesouro Selic rendeu 7,5%.

Ou seja, mesmo que 2018 venha sendo um ano muito ruim para investimentos financeiros, no médio prazo o fundo ainda teve um desempenho melhor que o Tesouro Selic.

Melhores investimentos ou melhores estratégias?

Para identificar os melhores investimentos, cada pessoa precisa de autoconhecimento, planejamento e disciplina. Se tiver um bom montante para investir, é prudente separá-lo em duas partes. A primeira é uma reserva financeira para emergências. Esta deverá ser investida em algo de baixo risco e alta liquidez – e, consequentemente, com rentabilidade não tão alta. A outra é o dinheiro para o futuro. Este poderá ser investido em algo com menos liquidez e com um pouco mais de risco, em busca de melhor rentabilidade. Para isso é preciso ter cautela e saber bem onde se está pisando.

Simulador de investimento

O Educando Seu Bolso oferece gratuitamente um Simulador de Investimento em Renda Fixa. Por meio dele a pessoa consegue identificar os melhores investimentos, de acordo com sua condição – isto é, o valor e o prazo disponíveis. O simulador apresenta diferentes opções e indica aquela que tem a melhor rentabilidade. É muito prático e, claro, muito vantajoso.

O Simulador de Investimentos compara, por exemplo, a tradicional Caderneta de Poupança, o Tesouro Direto e alguns títulos privados, como CDB. Ele pode ajudar muito na construção de uma boa estratégia de investimentos. É isto que define quais são os melhores investimentos: são aqueles mais adequados a cada pessoa.

Falando nisso, e respondendo ao Marcelo, diferentes fases da vida requerem diferentes tipos de investimentos financeiros.

Investimento para crianças

Investimentos para criançasMuitos pais começam a poupar dinheiro para a faculdade dos filhos assim que eles nascem. É uma ótima ideia. Quais são os melhores investimentos, nesse caso?

Bem, é uma clara situação de longo prazo, então pode-se abrir mão da liquidez. Há títulos do Tesouro Direto com vencimento em 15 ou 20 anos, por exemplo. Eles são bem interessantes. O poder dos juros no longo prazo é realmente surpreendente.

É possível também se encontrar bons planos de previdência privada. Repetimos nossa dica: atenção às taxas de administração e de carregamento e ao perfil de risco do plano.

Pais com maior conhecimento sobre investimentos podem colocar parte do dinheiro em algo com um pouco mais de risco, como ações e fundos multimercado.

E nosso Simulador de Investimentos também pode indicar boas opções para prazos mais longos.

E para jovens? Tesouro Direto ou BrasilPrev?

Tesouro Direto ou BrasilPrev para jovensSuponhamos que uma moça acabe de entrar no mercado de trabalho e queira transformar seus sonhos em planos. Casa própria, carro, viagens… Bem, nesse caso os prazos não são tão longos quanto o da faculdade das crianças. Quais são os investimentos financeiros mais adequados?

Primeiro é importante separar algum dinheiro para o curto prazo, para algum imprevisto – bom ou ruim.

Para o restante, há diversas opções no Tesouro Direto para o médio prazo – 3 a 5 anos – e outras para prazos maiores.

Também nesse caso a previdência privada pode ser bastante adequada. Recomendamos especial atenção para a tributação. Dependendo da forma como a pessoa declara seu Imposto de Renda, será mais vantajoso o PGBL ou o VGBL. Está em dúvida? Pergunte para nós!

Se possível, vale a pena procurar saber como funcionam as opções mais arriscadas, como Bolsa de Valores. Jovens têm tempo – não apenas décadas de vida pela frente, mas também tempo no dia a dia. O tempo joga a seu favor nos investimentos.

Nosso Simulador de Investimentos também pode ajudar em seus diversos planos.

E não deixe de conhecer também nosso Simulador de Aposentadoria, para ampliar ainda mais os planos!

BrasilPrev serve para idosos?

Bom, este é o caso que deu origem a este post, o dos pais do Marcelo. A resposta para esta pergunta depende de alguns fatores:

melhores investimentos para idosos

  1. Se o BrasilPrev dos pais dele foi bem escolhido;
  2. se os custos envolvidos (taxas de carregamento e administração) são razoáveis;
  3. se os pais dele vão poder se aproveitar de benefícios tributários, como alíquotas mais baixas de IR ou dedutibilidade;
  4. se é um investimento coerente com o perfil de investidor dos pais; e
  5. se o prazo da aplicação está alinhado com o objetivo de uso estabelecido;

Se todas as perguntas acima foram respondidas positivamente, a princípio, investir na BrasilPrev pode ser uma boa sim, mesmo para idosos. Alô Marcelo, se este é o caso dos seus pais, o que temos a sugerir é que você relaxe, fique tranquilo e foque no médio/longo prazo. Afinal, é neste horizonte temporal que dedutibilidade e tabela regressiva de imposto de renda, ausência de come-cotas e amortização de custos como o de carregamento costumam fazer com que a performance de um plano de previdência privada se sobreponha à de aplicações financeiras feitas diretamente em CDBs, LCIs ou no Tesouro Direto.

Ah, e por falar em Tesouro Direto, fique tranquilo também, pois tivesse você, ao invés da BrasilPrev, escolhido títulos pré-fixados ou atrelados a inflação no Tesouro Direto, estaria enfrentando perdas similares nos últimos meses.

 O que podemos esperar dos próximos meses?

Bem, muitos analistas preveem que os juros e o dólar podem continuar a subir, que a Bolsa de Valores ainda pode cair mais. Segundo eles é hora de cautela.

Humildemente, é o que nós enxergamos também. Muita incerteza, que leva a muito nervosismo, que causa oscilações de valores dos ativos, como os preços dos títulos do Tesouro. Talvez seja hora de preservar o capital, correr pouco risco, e não de buscar grandes rentabilidades. Não há segurança em relação ao futuro político no país e todos sabemos como isto afeta a economia e os preços.

Escolha bem seus investimentos, de acordo com suas necessidades. Não apenas a modalidade – curto, médio e longo prazos, previdência privada, multimercado –, mas também em quais ativos vai investir, dentro de cada uma delas. Entenda bem o que pode esperar de cada modalidade. Se estiver bem informado sobre isso, não é preciso se assustar com pequenos solavancos no curto prazo.

Estamos aqui para ajudar. Use nossas ferramentas, leia nossos textos, ouça nossos podcasts. E, sempre que quiser, entre em contato. Será sempre um prazer!

25 comentários

  • Boa tarde. Minha filha nasceu e gostaria de fazer um investimento mensal no valor de 500 reais para custear ou ajudar a custear um bom curso na faculdade quando ela fazer 18 anos. O que me sugere? E ao mesmo tempo gostaria de fazer uma reserva de emergência, para mim, como faço? Algo que se for necessário, estaria disponível de forma rápida, mas se não fosse, ficaria rendendo algo.

    Responder
    • Frederico Torres

      Parabéns Daniel, que alegria!

      Veja, não há uma só resposta certa para sua pergunta. Há várias possibilidades e quem tem que estar confortável com elas é você, afinal é o seu dinheiro. Mas, vou elencar abaixo algumas opções com o intuito de te ajudar a pensar sobre o assunto, ok?

      Contratar assessor financeiro para traçar um planejamento das suas finanças. Prestamos esta consultoria por aqui, ou podemos indicar assessores. Obviamente que isto custa e há como você mesmo resolver este problema sem ter que pagar um assessor, o que me leva às outras opções;

      A sua reserva é mais simples, pois por ser de emergência ela não pode ter risco de perda significativa, além disso ela deve ter liquidez. Portanto, acho que possibilidades elencadas no nosso simulador que são pós fixadas e de curto prazo podem te atender. Além delas, recomendo que verifique bons fundos de renda fixa – cito o FIRF da Monetus e o Primus do Banco Inter por exemplo, ambos com rentabilidades melhores do que a média dos FIRFs dos bancões. Se não quiser lidar com bancos digitais, plataformas, corretoras ou gestoras de investimentos, você mesmo pode comprar um título do tesouro direto, o tesouro selic, na sua própria conta no bancão;

      Sobre o caso da sua filha, que problema legal de resolver. Ah, e parabéns novamente pelo cuidado! =) Bom, mas vamos lá. O importante aqui é você entender que pode tomar mais risco. Aliás, deve ser financeiramente interessante, tendo em vista que aplicações com mais risco tendem a render mais no longo prazo. Ou seja e citando alguns nomes/marcas: na Monetus dá pra dividir uma parte em fundo de renda fixa e outra no fundo de ações deles. No Banco Inter, você também pode dividir entre o FIRF e FIA. Fundos multimercados ou VGBLs que aplicam nestes fundos, que já fazem esta mistura, também são boa opção. Recomendo que olhe os da família Verde, que estão disponíveis inclusive em plataformas abertas (XP, Easynvest, Banco Inter) e com aplicações mínimas baixas. Finalmente, de novo, se você não quiser sair do seu bancão, você mesmo poderia comprar todo mês Tesouro IPCA+ 2035, que hoje garantem rendimento real de 4,44% ao ano acima da inflação.

      Grande abraço e espero ter ajudado. Se não tiver também é só falar…

      Abraço.

      Responder
    • Frederico Torres

      Excelentes perguntas Adriana.

      A taxa de carregamento é um desconto feito pela administradora do seu plano de previdência, no seu aporte ou contribuição mensal. Exemplo: você aporta R$100 e é creditado no seu PGBL R$97. R$3 ou 3% se perdem a título da tal taxa de carregamento. É remuneração pro “Banco”, direto, na veia. A boa notícia é que até o grandes bancos tiveram que acompanhar a concorrência e estão extinguindo esta taxa. Portanto, aqui o razoável é ZERO, ok?

      Sobre a taxa de administração, falamos sim muito sobre elas, não paguem taxas caras, fujam delas e etc… Isso porque a maioria das pessoas tem fundos muito simples, que não justificam cobranças que chegam até mesmo a 3% ao ano. Pense, o referencial é a Selic que atualmente está em 6,5%. Justifica você entregar aproximadamente a metade do seu rendimento financeiro para alguém ir lá no tesouro, comprar um título público que vai durar 10 anos? Isso é coisa que você mesma pode fazer sozinha no Tesouro_Direto a um custo de 0,3% ao ano. Percebe?

      Obviamente que há exceções. Eu mesmo tenho PGBLs que cobram 2% de taxa de administração. Porquê? Porque eles tem gestão ativa, analisam empresas, escolhem ações, compram e vendem dólares em momentos de extrema oscilação, investem no exterior, enfim… fazem coisas que me daria muito trabalho fazer sozinho.

      Finalmente, vale lembrar que a rentabilidade de gráficos e prospectos de divulgação de P/VGBLs deve ser calculada e divulgada já líquida de taxas e custos associados. Por isso te pergunto. O que interessa se os administradores são careiros se no fim das contas eles entregam um resultado superior? Entende?

      Em resumo. Não acho que valha a pena pagar mais do que 1% ao ano para planos tradicionais, renda fixa, muito simples. Por outro lado, pode valer a pena pagar até 2% ao ano em P/VGBLs que fazem operações mais complexas, de gestores extremamente renomados e que venham entregando resultado superior recorrentemente.

      Espero ter respondido sua pergunta, mas se ainda ficou alguma dúvida é só falar!

      =)

      Responder
      • Obrigada por sua resposta, tenho outra dúvida.
        Minha gerente me ligou dizendo que o fundo LCI não está com bons rendimentos e propôs aplicação do valor na Brasilprev dizendo que a rentabilidade está melhor, estranhei, mas com essa correira de fim de ano, não parei pra pensar e autorizei, agora estou preocupada. O que você acha? A taxa era de 70% do CDI e estava aplicado desde junho de 2016.

        Responder
        • Frederico Torres

          Ei Adriana.
          Não se preocupe muito não. Pelo que você disse sua LCI não era das melhores. Se você não gostar do fundo da Brasilprev que sua gerente te arranjou, consulte nosso simulador de investimentos e verá melhores opções de investimentos em renda fixa!

          Responder
          • Será que compensa tirar agora?
            Na verdade gostaria de aplicar em fundo variável, começar devagar, só que bate aquele medo de principiante, a insegurança de se meter em algo que você não domina.

            Responder
            • Frederico Torres

              Tem que ver se o fundo em que a sua gerente te colocou não tem taxa de carregamento na saída. É como um pedagio para quem entra e sai rápido, entende? Se houver, na maioria dos casos, depois de 2 anos, por exemplo, você passa a ser isento. Verifique por favor antes de pedir o resgate.
              Se não houver penalidade para o resgate e quiser mesmo se expor à investimentos de renda variável, sugiro que avalie gestoras como a Monetus (link no botão de quero investir do nosso simulador de investimentos).

              Responder
        • Sei lá quando o gerente vem oferecer serviços, principalmente investimentos eu fico com o pé atrás, gerente de banco é funcionário, ele tem metas de vender os produtos do banco para os clientes, meu gerente do Banco do Brasil me convenceu que o LCA do BB era uma boa aplicação.

          Investi, mas depois que comecei a estudar mais sobre o assunto entrei numa corretora de valores e vi que eles ofereciam um LCA do banco BTG Pactual com rendimento de 115% do CDI.

          Fui questionar o meu gerente qual era o rendimento do LCA no BB, ele respondeu 83,3% do CDI, fiz uma simulação de rentabilidade e não pensei duas vezes em mudar.

          Ele veio com a história de que o dinheiro na corretora não tem garantia do FGC, mas depois vi que é balela para não perder clientes, A garantia do LCA do BB é a mesma garantia do LCA de qualquer banco.

          Responder
          • Frederico Torres

            Bom dia Edilson.

            Infelizmente, você tem razão sobre a postura do gerente. Já tratamos o assunto por aqui diversas vezes. Veja por exemplo uma série de posts chamada “Seu gerente não é seu amigo!”.

            Estou achando estranha esta LCA do BTG que paga 115% do CDI. Certifique-se que a taxa divulgada pela corretora já não está ajustada pelo IR, o que faria com a diferença para a do BB fosse menor, ok? Como exemplo, 115% do CDI em taxa equivalente ao CDB, significa que você recebe noventa e poucos (depende do prazo) do CDI líquidos, ao invés dos 83,3%.

            Finalmente, você tem razão ao dizer que a garantia do FGC para o recurso investido em LCA é a mesma na corretora ou no BB (até o limite de 250mil por cpf no vencimento). Entretanto, gostaria de fazer uma pequena ressalva. Ela não está de todo errada, pois se o dinheiro estiver parado em conta a garantia é de fato diferente. O FGC garante no caso dos bancos, mas não nas corretoras. Fica o alerta, para que você cuide de aplicar e resgatar no mesmo dia em que enviar os recursos para a corretora ou houver o vencimento. Em outras palavras, não recomendo deixar o dinheiro dormir em corretora sem estar aplicado, ok?

            Abraço.

            Responder
    • Frederico Torres

      Fico feliz Fernando que tenhamos contribuído para que a separação da sua reserva financeira em duas gavetas diferentes: curto e longo prazos.
      Com cada uma delas devemos fazer investimentos distintos. Assim evitamos efeitos colaterais como os comentados neste post/podcast!
      Obrigado por contribuir e conte conosco.
      =)

      Responder
  • “Porém, ao analisar um período de 12 meses, o fundo rendeu 8,03%, enquanto o Tesouro Selic rendeu 7,5%”. O fundo tem uma taxa de administração de 2%, então o rendimento de 12 meses seria 8,03% – 2%=6,03 seria isso?

    Responder
  • BrasilPrev deu negativo porque em 2008 mudaram sistema de rendimentos que era IGPM+ 0,6% e atrelaram os rendimentos a bolsa.Perdi um bom valor na época.

    Responder
    • Frederico Torres

      Boa tarde Airton.
      Não sei se entendi bem seu comentário, mas pode ser que você tinha um plano com garantia de rentabilidade (IGPM +6%) durante o período de acumulação. Se for este o caso, a troca deste indexador não pode ser feita unilateralmente, teria que contar com sua anuência.
      Verifique pfv se é este o caso.
      =)

      Responder
  • A matéria caiu como uma luva para mim, pois estou no mesmo problema do Marcelo (Brasilprev). Agora ficou mais claro tomar minha decisão. Parabéns pelo artigo. Alexander

    Responder

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