Portabilidade e concorrência jogando a seu favor

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Durante as férias do Pedro Vieira, mais uma vez quem comandou o programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, foi a Duda Ramos. Nesta semana, a conversa partiu de várias notícias veiculadas na imprensa recentemente. Elas falam de assuntos diferentes, mas acabam se encontrando em um ponto importante: a importância da concorrência entre instituições financeiras. Somente a concorrência sadia, associada a regras claras de portabilidade, para melhorar a vida do consumidor.

Vamos às notícias:

Lucro dos grandes bancos cresce 8,5%

Com o início da recuperação da economia, começa também a retomada do crédito. Junto disso, a inadimplência dá sinais de queda. Ótimo sinal para os bancos, certo? Bem, pelo menos para os grandes, sim. Os resultados de Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, somados, chegam a quase R$ 17 bilhões no primeiro trimestre de 2018. O número é 8,5% maior do que o registrado no primeiro trimestre de 2017.

Cabe lembrar que, de janeiro de 2017 a março de 2018, a taxa básica de juros – Selic despencou de 13,75%  para 6,5% ao ano. Ué, mas isso seria motivo para os lucros diminuírem um pouco, não? Pois é, seria sim. O que aconteceu, então?

Aconteceu que os juros básicos da economia diminuíram muito, mas o spread bancário, não. Quem nos acompanha sabe que spread é, em poucas palavras, a diferença entre os juros que o banco cobra pelo crédito e os juros que ele paga pelas aplicações. Então, se, em média, ele paga 0,5% ao mês pelas aplicações e cobra 5% ao mês pelo crédito, o spread é de 4,5%.

O que ocorre é que esse número vem se mantendo alto, mesmo com os sinais de melhora na economia. Por que isso acontece? Já adivinhou, né? Pois é. Daqui a pouco volto ao assunto.

Quatro maiores bancos são responsáveis por quase 80% do crédito

Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central mostra que, ao final de 2017, os quatro maiores bancos do país – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Bradesco – detinham 78,51% do volume de operações de crédito do mercado. Em 2007 esse número correspondia a 54,68%.

Bem, essa notícia explica a anterior, certo? Os grandes bancos não diminuem o spread porque vivem uma situação muito confortável no mercado: baixa concorrência.

“Será que é por isso?”, alguém perguntará. Se você ainda tem dúvida, dê uma olhada na próxima notícia.

A batalha das maquininhas

Os grandes bancos brasileiros dominam as transações feitas com cartões de crédito e de débito. Mas novas regras incentivam o avanço de competidores menores.

Você já reparou que a quantidade e variedade de máquinas de cartão tem aumentado muito nos últimos anos? Até alguns anos atrás você só via máquinas com as marcas das próprias administradoras – geralmente, Visa e Mastercard. Os comerciantes e profissionais liberais que aceitam pagamentos por meio de cartão desde essa época se lembram de como eram esses tempos. Era difícil conseguir e manter uma maquininha de cartão. Os bancos não liberavam máquinas facilmente, o atendimento era ruim e as taxas eram piores ainda.

Mas aí… Veio então o fim da exclusividade e da vinculação entre as credenciadoras e as bandeiras de cartão. Começaram a surgir novas marcas de maquininhas, com novas tecnologias. O uso foi democratizado e, hoje em dia, até comerciantes muito pequenos podem ter máquinas de cartão. Foi por isso, aliás, que nós criamos o Simulador de Máquinas de Cartão: para ajudar nosso leitor empreendedor a escolher a maquininha de cartão mais adequada ao seu negócio.

E o efeito disso?

Algumas semanas atrás publiquei aqui no blog uma série de três textos, contando sobre uma pesquisa que fiz com comerciantes e profissionais que recebem pagamento por meio de cartão. Um deles, um comerciante libanês, me contou sobre sua experiência com a maquininha Safra Pay. Ele estava encantado porque, durante alguns meses, não precisaria pagar comissão sobre as vendas. “Isso vai fazer barulho”, pensei.

Não deu outra. Dia desses vi na televisão o Fábio Porchat fazendo propaganda da Cielo, dizendo que, durante alguns meses, também não haveria cobrança de comissão, apenas R$ 0,70 fixos por dia. Minutos depois vi o Michel Teló anunciando que a Moderninha também oferece alguns meses com taxa zero.

A palavra chave disso é concorrência. E tem mais uma:  portabilidade. Afinal, não basta ter para onde ir. É preciso ter como ir.

Queda de juros favorece a portabilidade

Vou fazer um spoiler: em breve falaremos, aqui no nosso podcast, sobre a queda de juros nos financiamentos imobiliários. Não perca.

Recentemente a Caixa Econômica Federal reduziu em cerca de 1,25 ponto porcentual os juros anuais do financiamento imobiliário. Isto deve fazer com que os outros bancos se mexam e reduzam seus juros também. Nesse movimento, é possível que surjam boas oportunidades para mutuários mudarem de banco.

Afinal de contas, não é muito comum que um banco reduza as taxas de um contrato em vigor. Mas as regras da portabilidade de crédito permitem que um cliente transfira seu financiamento para outra instituição financeira com bastante facilidade. Então, é tempo de ficar de olho, fazer as contas e, se for o caso, lançar mão da portabilidade.

Vamos à última notícia, depois comentamos tudo.

Banco Central criará novo sistema de pagamentos

Esta notícia ainda está no plano das ideias. O Banco Central pretende fomentar a criação de um sistema de pagamentos instantâneo, sem a intermediação de bancos e sem restrição de dias e horários. O órgão solicitou a bancos e administradoras de cartões de crédito sugestões para desenvolver o sistema.

Atualmente, apenas as transferências de dinheiro entre clientes do mesmo banco são instantâneas. Transferências entre clientes de instituições diferentes – TEDs e DOCs – demoram algum tempo e precisam respeitar os dias e horários comerciais.

Apesar de a ideia ainda estar em gestação, seus efeitos podem não demorar muito. Afinal, repare bem, o Banco Central convocou os próprios bancos e empresas do segmento de cartões para participar da criação do sistema. Então eles já sabem que vem aí mais concorrência. Quem sabe eles já não começam a se mexer desde já?

portabilidade

Concorrência e portabilidade

A relação entre falta de concorrência e baixa qualidade em serviços parece bastante clara. Sempre que alguém está sozinho em um mercado, sente-se confortável para não lutar pelo cliente.

Neste caso, estar só é o mesmo que estar mal acompanhado. Não é difícil citar exemplos de mercados que têm três ou quatro fornecedores. Se eles, em vez de competir saudavelmente, se acomodam no mau atendimento, o consumidor fica abandonado à própria sorte.

O que cada um pode fazer?

O convite que fazemos é para que o leitor e o ouvinte não se acomodem. Sabemos que, muitas vezes, dá trabalho mudar de fornecedor. Seja o banco, a empresa de telefonia, o plano de saúde, em muitas situações mudar dá trabalho. Mas pode valer muito a pena.

Quando um restaurante, um posto de gasolina ou um mecânico te atendem mal, você não procura outros? Pois então: faça o mesmo com os bancos.

Alguém dirá: “Ah, Ewerton, falar é fácil. Mudar de banco é mais complicado que mudar de restaurante”. Sei disso, claro. Meu recado é de que não é tão complicado como pode parecer. Repito: as regras da portabilidade facilitam muito. Seu banco não pode te segurar, não pode atrapalhar sua saída.

“Mas para onde eu vou? Banco é igual a empresa de telefonia: existem uns três ou quatro, e todos atendem mal”

Opa, não é bem assim. Quer ver?

Cooperativas de crédito

Cooperativas de crédito são instituições financeiras constituídas para prestarem serviços financeiros a seus cooperados. Isto é, elas não têm como objetivo principal o lucro, e sim a prestação de serviço aos seus cooperados. Isso faz toda a diferença.

Em primeiro lugar, porque o spread nessas instituições geralmente é mais baixo, já que elas não se preocupam tanto com o lucro, e sim com o atendimento.

Mas não é só isso. As cooperativas, por serem instituições menores e mais simples, procuram estar mais próximas dos seus cooperados, ouvi-los, entendê-los e, assim, criar condições de atendê-los bem.

Eu, pessoalmente, sou grande fã e entusiasta do cooperativismo. Não quer dizer que eu seja grande fã de todas as cooperativas do Brasil. Afinal, são quase 1000 ao todo. Entre tantas, há algumas que são bastante bagunçadas, e acabam não conseguindo atender bem aos seus cooperados

Quer saber como encontrar uma cooperativa de crédito na sua cidade? Acesse a página “Encontre uma instituição”, no  site do Banco Central e siga as instruções.

Conta digital

Contas digitais são aquelas contas bancárias simplificadas, que você usa sem precisar recorrer a uma agência ou um gerente.

Para muita gente, elas substituem totalmente uma conta bancária tradicional. São conta corrente, permitem saques em caixas eletrônicos, transferências, investimentos, crédito, têm cartão, e ainda oferecem serviços que contas tradicionais não oferecem – como boletos para que outras pessoas transfiram dinheiro para você sem pagar nada.

Mas tem gente que resiste a abrir mão da sua conta tradicional, pelos motivos mais variados. Ok, não vou lutar contra isso. Afinal, eu mesmo tenho uma conta no Banco do Brasil, outra em uma cooperativa de crédito e mais uma conta digital.

Uso a conta da cooperativa para investimentos e a digital para transferências – tanto enviar como receber. Assim, consigo manter meu pacote de tarifas do BB na opção mais barata possível.

“Ah, Ewerton, Deus me livre! Cuidar de mais de uma conta?”

Sim. Não dá tanto trabalho assim. Pelo contrário, a conta digital tem serviços mais modernos que os de muitos bancos tradicionais por aí. Sabe o que eu fiz um dia desses? Depositei um cheque sem sair de casa. Fiz uma foto do cheque com o aplicativo do banco digital, preenchi os dados e pronto: depósito feito. Seu banco tradicional te oferece isso? O meu, não. Mas a conta digital oferece. Bacana, né? Eu achei.

Quer saber como encontrar a conta digital mais adequada para seu perfil? Basta acessar nosso Simulador de Contas Digitais!

Portabilidade de telefonia

A Duda Ramos aproveitou o ensejo e falou também sobre a portabilidade em serviços de telefonia. Recomendo também.

No caso da telefonia, o mercado é mais restrito. Afinal, são apenas aquelas quatro ou cinco empresas de sempre, e a tendência é de que isso não mude muito… Mesmo assim, nosso conselho é que você não se acomode.

Quanto tempo faz que você contratou serviços de telecomunicações para você e para sua residência? Como foi que você tomou a decisão? Fez uma pesquisa de preços?

“Ah, na época eu fiz uma longa pesquisa, tenho certeza de que peguei a que oferecia melhores preços e qualidade. Isso já faz uns dois anos”

Ótimo. Parabéns pela pesquisa! Mas, sem querer ser chato: já fazem dois anos… Que tal fazer uma nova pesquisa agora, só para ver se a concorrência não está oferecendo nada melhor e mais barato? Afinal, essas empresas frequentemente têm umas ofertas bem interessantes, principalmente para clientes de outras operadoras fazerem a portabilidade.

É até um pouco revoltante, não? Você, que já é cliente há tantos anos, acaba pagando mais caro do que o outro que acabou de chegar. Mas é assim que funciona, infelizmente. Então, dance conforme a música: dê uma olhada no que as outras oferecem para ter você como cliente.

Coragem

“Nossa, Ewerton, mas me dá desânimo só em pensar em mudar de operadora”

Eu entendo. Todas as operadoras de telefonia nos dão motivos para ficarmos desconfiados. Se você perguntar aos seus amigos se alguém já teve problemas com a operadora A, B ou C, certamente vai ouvir depoimentos dizendo que sim. Sobre qualquer operadora.

É por isso que, quando nossa operadora passa um tempo sem nos dar problemas, a tendência é querermos ficar quietos. Nesse caso, mesmo se o time estiver só empatando, achamos melhor não mexer nele.

Acontece que, de vez em quando, aparecem umas ofertas muito boas. Nesse caso, amigo, eis minha sugestão: avalie bem. Veja o quanto vai economizar, avalie se o pacote é melhor, procure saber com amigos sobre a qualidade dos serviços da operadora. Pesando tudo isso, se as vantagens compensarem, vá em frente!

Concluindo

Em um mundo com mudanças tão grandes e constantes, é preciso não ter medo de novidades. Não estou dizendo que devemos nos atirar a tudo que é novo sem avaliar bem. Não é isso. Minha sugestão é para que nós não tenhamos medo de experimentar. Banco sem agência, conta sem gerente, mudar de operadora, controle remoto novo. Aprender tudo de novo? Não: aprender o novo. Que venham as novidades!

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