Cuidado: emprestar seu nome pode ser uma fria!

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Você já emprestou seu cartão de crédito para uma amiga comprar algo imperdível e te pagar depois? Já fez um crediário pro seu cunhado porque ele está com o nome sujo e não pode ele mesmo tomar o empréstimo no banco? Se você já emprestou seu nome limpinho pra algum amigo ou parente, que depois deu o cano no banco, sujou seu nome e ainda te deixou em maus lençóis pra pagar a conta, vai aí um consolo: você não está sozinho nessa (a gente já falou um pouco sobre isso aqui).

Dos quase 55 milhões de inadimplentes no Brasil, quase 30% (ou 15 milhões!) estão nessa condição porque emprestaram cartão de crédito, abriram crediário ou fizeram empréstimo pra outra pessoa.

Pra entender melhor a realidade dessas pessoas que de boa alma emprestam seu nome e ficaram inadimplentes, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) fez uma pesquisa com 715 deles, em fevereiro desse ano, pra entender melhor o que motivou-as a emprestar seu nome, os problemas que enfrentaram e o que fizeram pra resolver a situação.

Primeiramente, vamos ao perfil de quem empresta o nome:

  • 2 em cada 3 são mulheres
  • 9 em cada 10 não têm curso superior
  • 85% pertencem às classes C, D e E
  • 6 em cada 10 entrevistados não sabem o valor do empréstimo feito pela outra pessoa em seu nome


A pesquisa também permitiu entender melhor o tamanho da encrenca em que você pode se meter ao emprestar seu nome pra uma pessoa:

  • R$ 3.700 reais é o valor médio da compra feita por terceiros
  • Mais da metade dos atuais inadimplentes estão nessa situação há mais de 3 anos
  • 9 em cada 10 pessoas que ficaram com o nome sujo receberam alguma cobrança em casa pelas dívidas que “não eram” deles
  • 7 em cada 10 dos entrevistados não conseguiram um novo cartão de crédito, cartão de loja ou crediário por estarem com o nome sujo
  • 64% dos entrevistados disseram que agora só podem comprar à vista
  • A metade dos entrevistados tiveram problemas para abrir conta em banco, fazer empréstimo no banco e ter cheque especial.

Consequências graves, não? Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro, um problema frequente é que esse consumidor que emprestou o nome costuma adiar ou se recusar a pagar a dívida por achar que não é devida por ele. Essa atitude não resolve o problema, pois para o banco não interessa quem usou o dinheiro, e sim, quem é o devedor (nesse caso, quem emprestou o nome).

Pouco mais da metade dos entrevistados assumem o pagamento da dívida. É pouco, considerando que essa atitude, por mais custosa que seja, é uma das formas de sair dessa enrascada de ter emprestado o nome: 9 entre 10 ex-inadimplentes – que conseguiram pagar a dívida contraída pelo amigo ou parente – saíram dessa situação pagando parte ou toda a dívida. O valor pago é de R$ 2.168, na média.

Os entrevistados que conseguiram pagar as contas e as dívidas em atraso de terceiros tiveram que se sacrificar de uma ou outra forma:

  • 2 em cada 3 entrevistados cortaram os próprios gastos;
  • 37% deixaram de pagar as próprias contas;
  • quase 3 em cada 10 utilizaram parte de suas reservas financeiras.

Como se diz por aí, o brasileiro é um povo solidário, o que é uma atitude nobre. Entretanto, antes de emprestar seu nome para amigos, parentes ou conhecidos, pense direitinho. As consequências em caso de inadimplência do terceiro podem ser graves e atrapalhar a vida financeira por muito tempo, estragando seus planos de longo prazo, como por exemplo comprar uma casa ou um carro financiado.

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