Batalha pela igualdade pode (e deve!) começar dentro de casa

Batalha pela igualdade pode (e deve!) começar dentro de casa

Saiu ontem a Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD) relativa a 2013 e uma de suas principais conclusões que tem sido alardeada pela mídia é que “a desigualdade parou de cair”. Em outras palavras, não está caindo mais, como vinha ocorrendo desde o Plano Real, a diferença entre as rendas dos mais ricos e dos mais pobres.

Segundo o Valor Econômico: “Volta da inflação, baixo crescimento, baixa produtividade, pouca incorporação de novas famílias aos programas sociais (porque eles já atendem praticamente todas as pessoas elegíveis a ele) e baixa qualificação da mão de obra têm sido apontados como causas do fim do ciclo recente de queda da desigualdade.”

Independente do discurso eleitoral, mais uma vez, parece que o Brasil precisa de novas estratégias para reduzir seu maior mal, que é a profunda desigualdade entre as famílias que vivem nele. À parte de todas as discussões econômicas e políticas sobre a necessidade de reformas estruturais, o que também não cabe aqui no nosso blog, tenho uma sugestão bem simples a fazer para a redução da desigualdade. E o melhor, ela cabe a cada um de nós. Não precisamos de ninguém para implementá-la. Basta que os mais pobres façam como os mais ricos e reduzam o peso das dívidas no seu orçamento.

Para ilustrar minha sugestão, tomo emprestado uma informação publicada no último Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (18.09.2014), que diz que o comprometimento da renda das famílias com renda até três salários mínimos é mais do que 50% maior do que o das famílias com renda acima de 10 salários mínimos. Ou seja, os mais pobres gastam uma maior parcela do seu salário com o pagamento de principal e juros nos empréstimos do que os mais ricos.

É como diria meu avô: “depois de queda, o coice!”. Além de ganhar menos, as famílias mais pobres ainda deixam escoar pelo ralo boa parte de sua renda, entregando-a aos bancos. Ou seja, se fôssemos calcular a desigualdade pela renda líquida disponível após o pagamento de juros e encargos financeiros ela seria maior ainda. Ou seja, os números da pesquisa, de que os 40% mais pobres detinham apenas 13,2% da renda, enquanto os 10% mais ricos ficavam com 41,6% dela, pareceriam um sonho!

Então, vamos diminuir esta diferença? Só depende de você. Bora lá “tomar uma atitude”, como diria uma jornalista amiga minha!

Autor

Frederico Torres
Profissional do mercado financeiro há 20 anos e interessado em como fazer o $$$ parte de nossa vida de forma mais saudável.

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