A economia na conta do celular: cada vez mais dados e menos voz

A economia na conta do celular: cada vez mais dados e menos voz

Direto ao ponto: você leitor sabe que pode fazer uma importante economia na sua conta de celular. Estamos falando de um universo de 280 milhões de celulares (assinantes e conexões). Só para comparação, o número de telefones fixos é seis vezes menor: 45 milhões. Vamos entender o porquê e fazer as contas?

Cresce, de forma assustadora, o uso de dados na rede de telefonia celular. Enquanto isso, o uso de voz cai. As operadoras se equilibram para se ajustar a esse novo cenário. Só para dar uma ideia: no ano passado nos Estados Unidos, o tráfego de internet móvel cresceu 26%. E o total de minutos de voz falados caiu 6%. É uma tendência que chegou para ficar.

No Brasil, a situação também se repete. Uma pesquisa da Pyramid Research aponta que o crescimento no uso de dados pela rede de celular será, na média, de 10% entre 2015 e 2020. Com este esperado crescimento, a receita das operadoras de celular se inverterá: 60% virá do uso da internet móvel e de seus aplicativos; 40% será o resultado do uso de voz[1].

Com esta brutal mudança na forma de usar o celular, nós – como consumidores, que é o que importa para o blog – podemos tirar vantagem, de forma a reduzir a conta do celular e fazer economia. Pensei aqui em duas formas de comparar eventuais economias: (i) a economia no uso de dados no seu relacionamento com a operadora; e (ii) a economia no uso de aplicativos de voz pelo celular. E as economias podem ser combinadas.

No primeiro caso, pesquisei os chamados acordos de zero-rating das principais operadoras de celular. O que é isso? Zero-rating é a prática por meio da qual uma operadora de telefonia móvel garante o acesso a certos aplicativos ou serviços sem que a transferência de dados envolvida neste acesso seja considerada para efeito de cobrança ou cálculo do consumo da franquia a que o usuário tem direito.

Ou seja, se você utiliza muito os aplicativos do quadro abaixo e certamente deve utilizar, representando parcela significativa do seu consumo de dados, os acordos podem sim se traduzir em economia. É óbvio que, além do apelo publicitário, os acordos não vêm sem custo – você já ter ouvido falar que na economia “não há almoço grátis”.

É provável que os custos da não cobrança pelos dados dos principais aplicativos sejam redistribuídos no próprio valor da franquia. Ou que determinado grupo de usuários, que utiliza pouco os aplicativos, acabe pagando para os que usam mais.

De qualquer forma, a estratégia da operadora pode ser benéfica para a sua forma de usar o celular. Confira como você utiliza os seus dados (quase todos os celulares permitem você conhecer o quanto de dados você consome em cada serviço). E depois confira no quadro abaixo os acordos de zero-rating. Seguramente, algum acordo pode lhe ser benéfico.

Tabela_Leandro_17082015_1
Fonte: elaborado por André Belfort

No segundo caso, pesquisei os aplicativos de voz mais utilizados e comparei os custos – de chamada por minuto – em face de valores cobrados pelas operadoras de celular. Uma dica importante: quando você e seu amigo estão se comunicando por voz (VoIP), diretamente pelos aplicativos (WhatsApp, Messenger e Imo, por exemplo), não há custo algum. A não ser o custo dos dados. Principalmente se você estiver utilizando a sua rede de celular.

A pesquisa compara custos quando você quer ligar, usando o canal de voz, do aplicativo para um telefone fixo ou celular. Aqui você tem o custo da rede (isto se você não estiver em uma rede WiFi gratuita), além do valor cobrado pelos aplicativos. Mas os preços são muito competitivos e a ligação frequentemente é de boa qualidade. Veja o quadro comparativo:

Tabela_Leandro_17082015_2

Resumo: em inúmeras situações já não vale manter um plano de celular mais caro. Uma boa opção é um bom plano de dados, sem a necessidade de um pacote de voz pesado. E só mais um exemplo: no caso de ligações internacionais em que os custos para ligar do aplicativo para fixo ou celular não se alteram, não tem conversa, os preços são extremamente competitivos e essa deve ser a sua escolha. Vale a pena fazer as contas!


[1]Veja: http://tvuol.uol.com.br/video/apps-para-chamadas-de-voz-ganham-forca-economize-na-conta-do-celular-0402CC98396ED4A95326

[2] A Vivo tem adotado uma postura refratária aos acordos, chegando a afirmar que o “WhatsApp é ‘pirataria pura’ . Como o blog já afirmou, a inovação frequentemente funciona na margem da regulação, mas o movimento não tem volta.

[3] O Skype ainda informa que será aplicada uma taxa de conexão de R$ 0,11 (por ligação) no caso de ligações para fixos e de R$ 0,20 (por ligação) para celulares. Os demais aplicativos não trazem estes custos. Além disso, é possível em todos os casos comprar pacotes que tornam as ligações ainda mais baratas.

[4] Estimei os custos por minuto partindo de planos pós-pagos das operadoras. Dentro da área da operadora as ligações são ilimitadas no valor do plano. Mas terminada a franquia de voz, no caso da Claro, por exemplo, de 100 minutos para as outras operadoras (opção que escolhi), o minuto adicional custa R$1,09.

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

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