Quem quer ser um franqueado?

Quem quer ser um franqueado?

Eu despedi o meu patrão

Desde o meu primeiro emprego

(Zeca Baleiro, “Eu despedi o meu patrão”)

 .

Um dos principais sintomas do complicado cenário econômico atual é o aumento do desemprego. O número de demissões tem crescido, as recolocações em empregos formais têm ficado mais difíceis e, quando acontecem, geralmente são em condições menos favoráveis do que já foram alguns anos atrás.

Com isso, é natural que muitos brasileiros venham pensando em formas alternativas de trabalho e renda, e uma das mais recorrentes é montar seu próprio negócio. Já falamos sobre isso no blog, como aqui e aqui.

Entre as formas de se empreender um negócio próprio, uma que tem crescido bastante, mesmo no cenário de crise, são as franquias. Elas têm características que podem facilitar bastante a vida do empreendedor, mas que, dependendo do seu perfil, podem ser frustrantes.

Pode ser vantajoso iniciar um negócio já testado, com marca e identidade já lançadas no mercado, e com o apoio da empresa franqueadora. Mas, justamente por isso, geralmente as franquias são negócios mais engessados, isto é, o franqueado tem pouca margem para inovações. Ele precisa obedecer a regras e parâmetros já estabelecidos pelo franqueador. Não pode introduzir produtos e processos ao seu bel-prazer. Isto pode ser uma vantagem para empreendedores com perfil mais afeito a rotinas, mas pode frustrar aqueles que buscam no empreendimento justamente um espaço para desenvolver sua criatividade e por em prática ideias inovadoras.

Atualmente há franquias nos mais variados ramos de atividade e de diversos níveis de preços. Para quem deseja ser um franqueado, aqui vão algumas sugestões de fatores a que se deve ter a máxima atenção:

  • Autoconhecimento: a pessoa precisa, em primeiro lugar, avaliar se tem perfil empreendedor. Mas isso não basta, é preciso também ver se tem o perfil de franqueado. Como foi dito acima, ser dono de uma franquia exige obediência a normas, padrões e processos já estabelecidos.
  • Pesquisa: o futuro empreendedor precisa estar atento ao mercado, no momento de escolher a franquia em que vai investir. É preciso avaliar se o tipo de produto ou serviço e a forma como ele é oferecido têm boa aceitação pelo público. Também merecem atenção a região onde se pretende atuar, a concorrência, a disponibilidade de mão de obra, entre outros fatores.

Para tomar essa decisão, a pessoa não pode se deixar levar pelas próprias preferências. Por exemplo, mesmo que ela adore comida japonesa, não quer dizer que as pessoas da região onde ela pretende montar sua franquia também gostem.

É importante também saber que gostar de algo não significa dizer que ela vá saber trabalhar com aquilo. Por exemplo, a pessoa pode adorar animais de estimação, mas isso não significa que ela vá saber lidar com os donos dos animais.

Finalmente, é preciso avaliar o franqueador. De preferência, conversando com outros franqueados, para saber se a empresa cumpre com tudo aquilo que promete e se os resultados têm sido os esperados.

  • Planejamento: é fundamental ter um plano de negócios bem definido e detalhado. Saber quanto dinheiro será necessário para o investimento inicial e o capital de giro nos primeiros meses, quantas horas de trabalho diárias serão demandadas no início da atividade e depois que o negócio estiver maduro, qual é o tempo estimado para o investimento ter retorno, quais são os riscos do negócio, tudo isso é importante.
  • Capacitação: o empreendedor deve sempre buscar aprimorar suas habilidades. Alguns franqueadores oferecem cursos para seus franqueados, mas, independentemente disso, é importante que a própria pessoa procure sempre aprender mais.

O Sebrae e a Associação Brasileira de Franchising são duas instituições que têm se dedicado a apoiar quem já é e quem deseja tornar-se franqueado ou franqueador, inclusive com a criação de convênios. São dois caminhos importantes para quem quiser se aventurar nesse setor.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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