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Educação financeira aos trancos e barrancos.

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Recentemente fui entrevistado pelos alunos de jornalismo da Faculdade das Américas sobre o o que eles consideram ser um forte crescimento da Educação Financeira no Brasil. Achei interessante tanto a conclusão a que chegaram quanto algumas perguntas que me fizeram. E vocês sabem, perguntas boas não são comuns, devem ser saboreadas.

Para compor um panorâma que me permitisse respondê-las, acabei tendo que puxar algumas coisas pela memória que vou compartilhar aqui com vocês.

Se você é curioso, gosta de entender as coisas e quer saber porquê o Brasileiro está no pé em que está, acho que vai curtir esse texto.

Para falar sobre como chegamos até aqui, veremos: fatores comportamentais que fizeram com que os brasileiros buscassem, ou tivessem que se educar financeiramente; mudanças no mercado financeiro que incluíram a força o assunto na pauta das pessoas, mudanças tecnológicas que facilitaram o acesso a informação (boa ou ruim); e armadilhas em que as pessoas costumam cair.

Aproveito o embalo e ainda me arrisco sobre o futuro da educação financeira no Brasil. Difícil fazer previsões viu? Mesmo depois de 30 anos. Por favor, fique à vontade para criticar, apontar os furos na minha bola de cristal.

Por fim, como todos adoram dicas, não perca 4 dicas valiosas de como se educar financeiramente através da internet! Afinal, você não vai querer cair em roubada, seguir aquele influenciador duvidoso, não é mesmo? Então, vamos lá!

 

Por que houve essa crescente na procura por educação financeira no Brasil?

Minha tese é que boa parte do crescimento do consumo de informações financeiras foi empurrada goela abaixo dos brasileiros. Ok, tudo bem. Afinal, muitas mudanças na vida vem de fora pra dentro.

Nesses últimos 10 anos houve uma série de modificações estruturais no Sistema Financeiro Nacional. Dentre elas, algumas podem ser destacadas como protagonistas na procura por educação financeira no Brasil, são elas:

Digitalização do mercado financeiro em várias frentes

A digitalização do mercado financeiro vem se intensificando com a evolução dos meios de pagamentos. Aqui podemos citar a abertura/interoperabilidade das maquininhas e não podemos nos esquecer do sucesso do Pix.

O Banco Central permitiu, também, que a digitalização trouxesse as contas digitais com abertura remota, vejam o fenômeno recente do app da Caixa, o CaixaTem. Dezenas de milhões de pessoas que lidavam apenas com dinheiro em espécie estão sendo bancarizadas.

Você acha que parou? Pense de novo. Vem mais novidade por aí. Por exemplo, o Banco Central discute no momento a implementação de uma moeda digital soberana. Manja o Bitcoin, só que oficial? Pois é.

Portabilidade do crédito, Cadastro Positivo e Open Banking

Essa trinca de atacantes aí ainda não está entrosada. Esperem pra ver quando estiverem jogando juntas há mais tempo.

Rapidamente, a portabilidade de crédito permite que você transfira suas dívidas de um banco para o outro, em busca de taxas mais favoráveis. Ou seja, se você contratou um empréstimo no banco X por taxas de 5% ao mês, mas o banco Y aceita que você pague 4% ao mês pela mesma dívida, você pode trocar!

O Cadastro Positivo tem como objetivo fazer com que as instituições financeiras possam diferenciar com mais clareza o bom e o mau pagador ao analisar seu comportamento de pagamento. Sendo assim, o cadastro positivo permite que sejam feitas ofertas de crédito cada vez mais precisas de acordo com o perfil de cada um.

Por fim, temos o Open Banking. Essa novidade, que muita gente não entende muito bem ainda, vai aumentar e muito a competitividade do mercado financeiro. Ou seja, quem vai ser favorecido serão as pessoas, que terão acesso a taxas cada vez mais baixas e produtos e serviços cada vez mais atraentes.

A mudança no mercado de trabalho

Faz tempo que o trabalho com carteira assinada perde participação para informais, autônomos e MEIs.

Esse crescimento do trabalho independente leva a um crescimento da procura por produtos financeiros que antes eram providos pelo empregador, como seguros e previdência. A própria conta corrente, que antes era mantida no banco do empregador, hoje é escolhida pelo próprio autônomo.

O empreendedor precisa pensar nas formas de pagamento que vai oferecer aos seus clientes, se vai ser link de pagamento, maquininhas de cartão, Pix, boletos, os custos de cada um e por aí vai. Nesse sentido o crescimento no número de fintechs gera muitas opções a muitas dúvidas ao mesmo tempo.

Inclusive é nessa linha que o Educando seu Bolso foi criado em 2013 e atua até hoje, fazendo reviews de produtos e serviços financeiros e disponibilizando ferramentas gratuitas que permitem ao cidadão comparar, esolher e contratar por si só.

Enfim, é muita coisa acontecendo, muita coisa na mídia o tempo todo, e muita coisa sendo facilitada, seu vizinho usa, seu parente tem, seu cunhado tira onda que você está ficando pra trás e por aí vai. Como ficar de fora disso? Especialmente quando se tem a produção e disseminação de conteúdo tão facilitada através dos Youtubes da vida.

Sendo assim, acho que esses são os combustíveis para o aumento na demanda por educação financeira no Brasil.

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Quando a educação financeira no Brasil deixou de ser um tema não só “popular”, mas necessário?

Educação financeira não é modinha e portanto não vai passar. Demorou pra engrenar e ainda tem muito por crescer. Portanto, acho melhor você se preparar para lidar com essa onda da melhor maneira possível. Em outras palavras, ao invés de tomar caldos, aprenda a surfar, ou “pegar jacaré” como nós mineiros gostamos.

Meu sonho é que seja tão popular como os games online ou o futebol. Digo isso, porque ela não é só necessária, é indispensável. Enquanto o Sr. José e a Dona Maria acharem chato e complicado mexer com dinheiro, eles vão continuar sendo “explorados” por vendedores de produtos financeiros desnecessários e caros.

Digo isso baseado na experiência de ter sido colunista semanal de um programa de rádio AM durante anos. Que escola!

Pegava um tema duro e tentava simplificar ao máximo, chegava lá e ao receber as perguntas ao vivo dos ouvintes, a maioria deles muito humildes, é que entendia que o buraco era bem mais embaixo, que precisava ser muito mais rasteiro, sucinto e prático nas explicações e aconselhamentos.

Sobre quando se tornou necessário, minha memória me impede de voltar tão longe no tempo. O máximo que eu consigo voltar, que vivenciei, é lá na década de 80. Já havia ali um problema que gerava perdas financeiras a milhões de pessoas, que era o consórcio.

Vale dizer que naquela época praticamente não existia crédito a pessoa física no Brasil e o consórcio, ou autofinanciamento, era praticamente a única maneira de financiar um automóvel principalmente. A maioria das perdas financeiras com o consórcio se dava por desconhecimento do produto, ou seja, falta de educação financeira.

É claro que nas últimas décadas houve aumento da penetração dos produtos financeiros na população Brasileira e, na medida em que essas novidades foram aparecendo, novos problemas foram também surgindo. Cito algumas logo a seguir.

Uma breve recapitulação da educação financeira no Brasil

Na década de 90

Com a estabilização monetária, o brasileiro parou de se preocupar apenas com a inflação e pode respirar, descobriu que havia algo mais lá fora. Passamos a perceber que havia um sistema financeiro mais amplo do que apenas o overnight, que era a principal aplicação financeira à época;

Nos anos 2000

Enfim o crédito engatou no Brasil. Primeiro com o consignado, aquele com desconto na folha, depois com imobiliário e veículos, financiando casa própria, carros e motos. Muito disso era feito por pastinhas, os correspondentes bancários, e as pessoas tinham que lidar por exemplo com taxas, prazos, tabelas de amortização, tarifas de avaliação do bens, Custo Efetivo Total. Imaginem só ter que lidar com esse tanto de novidades sem nunca ter sido preparado para isso?

A crise internacional de 2008/09

A crise repercutiu um pouco aqui e já impactou os que começavam a se aventurar na Bolsa. Muitos perderam dinheiro nas aplicações, mas nada que se compare ao evento Covid.

A recessão de 2015/16

Essa já repercutiu bem mais sobre uma população brasileira que já estava bem endividada. Inadimplência, endividamento, renegociação, negativação, escore de crédito e cadastro positivo passaram a ser temas mais comuns no dia a dia e na mídia. Se você, como muitos, se desempregou e passou aperto nessa época, sabe bem o que estou falando.

A redução na taxa Selic

A redução dos últimos anos empurrou muitos rumo a aplicações que antes desconheciam (ações, fundos, ETFs, BDRs, etc). Imaginem, aquele povo que só conhecia a poupança agora tendo que lidar com isso tudo? Aqui, os Agentes Autônomos de Investimentos cumpriram o papel dos correspondentes bancários. Eles é que levaram ao povo a pregação das plataformas de investimentos, que são inúmeras atualmente no Brasil. Vejam aqui outra avalanche de novos assuntos.

A crise do Covid

A crise do Covid deixou muito claro pra todos a importância de se ter um bom planejamento, orçamento e reserva de emergência. Nós, educadores financeiros, deixamos de ter que convencer as pessoas disso. Atualmente ainda há muitos que não conseguem praticar, mas a maioria já não desconhece a importância dessa trinca aí.

Vejam vocês que cada onda dessas traz consigo a necessidade do entendimento de determinados assuntos e conceitos financeiros. É isso que estamos vivendo, é nesse mar que o cidadão comum está tendo que lutar pra aprender a surfar.

 

Qual é a principal armadilha que as pessoas caem e acabam se endividando?

Acho que o principal problema é o parcelamento excessivo aliado à falta de planejamento/orçamento. Divide-se tudo, desde uma compra de supermercado de R$70, até uma viagem de R$20mil e muitas vezes não se planeja para os pagamentos. Quer parcelar? É o mesmo preço! É sem juros! Como se quem paga à vista, integralmente, fosse tolo.

Agora é preciso dizer que o tamanho do problema que se tornou o endividamento no Brasil é fruto de um emaranhado de coisas. Difícil não tocar em clichês como a falta que faz falar de educação financeira na escolas, que só agora está entrando na base curricular, quanto na mesa do jantar.

Aproveito pra dizer que aqui no Educando seu Bolso, produzimos e disponibilizamos cursos gratuitamente para milhares de pessoas em parceria com o Governo do Estado de MG e também oferecemos cursos focados (orçamento, imobiliário e veículos) na nossa loja.

Já o tabu de não falar sobre dinheiro, ainda precisamos evoluir muito para que esse assunto se torne uma coisa natural, assim como falar sobre suas últimas férias. Imaginem se as pessoas conversassem livremente sobre quanto ganham e gastam, inclusive com juros, anuidades e tarifas? Tenho certeza que passariam a economizar, assim como fazem com a internet, tv a cabo ou quando vão comprar uma tv.

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Quais as melhores formas de se informar sobre educação financeira na internet?

O que não faltam atualmente são fontes para informações financeiras nesse mar que é a internet de hoje, mas creio ser possível passar algumas dicas. Vamos lá!

 

1) Escolha o meio mais adequado para você

Desde os tempos de escola, descobrimos que uns aprendem mais facilmente através da linguagem escrita, outros da linguagem falada, e que há também os mais visuais, ou seja, aqueles que gostam de gráficos, fluxogramas e vídeos. Vale dizer que os vídeos tem ganho importância.

Nós mesmos do Educando seu Bolso passamos a publicar também no nosso canal do Youtube os vídeos das gravações dos nossos podcasts por demanda dos ouvintes. Pode até parecer uma bobagem, que alguns tenham manifestado o interesse em ver a carinha e as expressões dos entrevistados, mas não é.

Os temas financeiros muitas vezes não são simples, portanto é importante cercar o “aluno” do melhor contexto possível, de empatia, para que ele não se desinteresse e continue engajado.

 

2) Dê preferência ao canal de informação que você costuma usar, ao estilo de comunicação que mais te agrada e a abordagem que você prefere

Seja Youtube, Instagram, Spotify, o app do seu banco digital, etc. Se é por lá que você vai estar sempre, a chance de você se expor e consumir informação financeira aumenta.

Ainda na mesma linha, vale o estilo de comunicação. Tem influenciador de todo tipo, fontes que usam o linguajar Millenial e tem os Boomers, os mais sérios e os mais escrachados, a turma do 1 minuto e os programas de mais de uma hora… Depende do que você gosta!

Dá também pra escolher a abordagem. Tem os canais focados só em um tema, investimento por exemplo, e tem os que versam sobre vários assuntos, como é o caso do Educando seu Bolso, nós vamos de A a Z. Finalmente, há canais mais focados em discussões principiológicas, outros que beiram o entretenimento, e aqueles mais focados em soluções práticas para problemas comuns, nosso caso aqui.

 

3) Avalie a experiência no mercado financeiro do influenciador ou do canal

Pense bem, você não acha diferente receber dicas de investimento de alguém que começou outro dia no mercado, versus de alguém que já passou por uma crise ou várias? Atualmente podemos estar passando por uma alteração estrutural de ciclo econômico, de altista pra baixista, de baixas taxas de juros para níveis mais altos tanto de juros quanto de inflação.

Você gostaria de procurar o seu Agente Autônomo de Investimento e perceber que ele tem vinte e poucos anos e nunca passou por uma crise de verdade? Que nunca perdeu o próprio dinheiro nelas? Que o que ele sabe sobre ciclos econômicos ou inflação é só o que ele leu nos livros? Eu não! Eu estudei bastante economia e finanças e te confesso que já me esqueci de algumas coisas que li em livros, mas não das que vivi.

 

4) Há fontes e fontes e saber em quem se pode confiar é a grande questão

Digo isso, pois infelizmente muitos canais e influenciadores tem agenda definida e escopo restrito em função de interesses e parcerias comerciais. Então, se você vai seguir e se aconselhar com alguém, recomendo que saiba primeiro quais são as afiliações daquela pessoa ou canal. Produzir conteúdo de boa qualidade não é barato e alguém tem que pagar essa conta.

 

Por fim, qual é o futuro da educação financeira no Brasil?

Como antecipei lá no começo, agora é hora de ligar minha bola de cristal e me arriscar a alguns palpites. Vamos lá!

 

Objetividade, concisão, usabilidade e facilidade

Atendendo as exigências das gerações mais novas, a educação financeira deve ser cada vez mais objetiva, concisa e de fácil acesso. Ou seja, aqui as Inteligências Artificiais devem crescer, oferecendo, inclusive, soluções que os clientes sequer sabem que precisam.

Ainda nessa linha, acredito que os influenciadores continuarão ganhando importância, a pergunta é, onde eles exercerão sua influência? Talvez dentro de plataformas, cada vez mais próximos do local de contratação de um produto ou serviço, ou até se tornando a própria plataforma, o que será possível com o Open Banking. Já imaginou o “Nathalia Arcuri Bank”? 

 

Complexidade do mercado financeiro

Em relação a complexidade do sistema, embora muita coisa esteja surgindo com o objetivo de simplificá-lo,  infelizmente, temo ainda por um aumento de sua complexidade pela aproximação de temas financeiros e não financeiros. 

Ou seja, também é preciso pensar sobre os efeitos colaterais de oferecer um empréstimo lado a lado a um pacote de viagem em um shopping virtual.

Ainda, acho que haverá ainda mais concentração. Ou seja, grandes plataformas que fazem tudo e grandes influenciadores. Então, ficará cada dia mais difícil acompanhar todas as novidades e, por outro lado, se você não tem tamanho suficiente perto das gigantes, provavelmente será difícil competir com elas.

 

Gameficação

Acredito que a tal da “gameficação” promete tanto para o bem quanto para o mal. Aprende-se mais usando o artifício, especialmente nessa geração de gamers. Por outro lado, pode-se usar da técnica para incentivar maus comportamentos.

Cito como exemplos os traders que se tornam cada vez mais compulsivos incentivados por um app com ferramentas, gráficos, animações, que promovem o entusiasmo e afagam o ego.

Outro risco é aumentar ainda mais o curto-prazismo. Considero isso um problema sério em várias áreas das finanças pessoais e creio que o excesso de estímulo tende a piorar essa tendência do ser humano a ser impaciente e ansioso.

 

Educação aliada à solução

Por fim, isso é o que eu acredito, pois nada genérico funciona direito. Você tem que aprender algo que será útil no seu dia a dia, caso contrário, será facilmente esquecido.

A presença da educação financeira deve aumentar nas escolas, embora eu duvide um pouco da efetividade, e também nas empresas, nos programas de cuidados com RH, onde eu tenho mais fé.

Por fim, gostaria que fontes independentes e confiáveis fossem mais valorizadas, entretanto, não creio que as pessoas estarão dispostas a pagar o preço de assessoramento de qualidade (não viesado) ainda durante muito tempo.

Ou seja, o famoso de graça que sai caro deve continuar reinando.

E você, o que acha? O que a sua bola de cristal está lhe dizendo? Diz aí!

 

 

 

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