Ser “bonzinho” demais pode prejudicar o controle de gastos

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Controle de gastos

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Você se considera uma pessoa “gente boa”? Saiba que isso pode trazer problemas para seu controle de gastos! Uma pesquisa realizada por dois economistas (Sandra Matz e Joe Gladstone), nos EUA e na Inglaterra, constatou que pessoas mais agradáveis tendem a ter um futuro financeiro conturbado. A provocação feita pela pesquisa bate novamente na tecla do comportamento. As finanças pessoais são afetadas por quase tudo que você faz na sua vida e seu comportamento é a espinha dorsal disso.

Seria essa uma releitura da história do cara bonzinho que não consegue emplacar suas paqueras, porque as mulheres supostamente preferem os cafajestes? Será que você é “bonzinho” a ponto de tomar prejuízo? Isso têm influenciado sua vida financeira? O melhor então é ser grosso(a)? Durante minha conversa com o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência, nós discutimos todos esses pontos. 

Pessoas que são agradáveis são mais queridas, fazem amigos com mais facilidade e consequentemente têm uma vida social mais intensa. No entanto, essa necessidade de ser legal ou bem aceito por todos seu entorno pode fazer com que você tome decisões que prejudicam a sua saúde financeira. O estudo chama a atenção para esse delicado limite entre ser gente boa e ser descuidado com o controle de gastos.

Você verá que a fórmula para uma vida financeira equilibrada está muito mais ligada ao autoconhecimento do que a uma frieza ou rispidez no trato com as pessoas.

A pesquisa

O estudo foi realizado on-line com mais de 3 milhões de pessoas. Além disso, 5 mil participantes foram acompanhados durante 25 anos, dos 16/17 anos até a meia idade. Esses dados foram cruzados ainda com informações financeiras fornecidas por mais de 500 clientes bancários.

Para definir se uma pessoa seria classificada como agradável ou não, os participantes responderam algumas perguntas. Como por exemplo: “eu me vejo como alguém que perdoa facilmente?”, “eu sou alguém rude?” ou “eu me vejo como alguém que é gentil com os outros?”

Como resultado, as pessoas que se definiram muitas vezes com “agradáveis” foram aquelas que geralmente apresentaram uma poupança menor, menos controle de gastos, ou uma pontuação pior no ranking médio de crédito. Esse último corresponde ao score de crédito que classifica as pessoas de acordo com a força financeira e com a chance que elas têm de não conseguir pagar as suas contas.

Como o comportamento dos “gente boa” afeta o controle de gastos?

O resultado da pesquisa tem muito a ver com a questão de não saber falar “não”. Normalmente, pessoas agradáveis tendem mais a servir de fiador. O que é um risco, já que as torna mais propensas a arcar com dívidas alheias. Além disso, esse grupo tende a emprestar mais dinheiro para amigos e parentes. O que também pode ser prejudicial às finanças, principalmente se associado à dificuldade de cobrar o pagamento de entes queridos. Outro ponto é a falta de persuasão na hora de negociar um preço ou um aumento de salário.

Essa atitude não confrontativa, quando combinada com reflexões do tipo: “o que vão pensar de mim?” podem prejudicar ainda mais o controle de gastos. Por exemplo, se todo mundo vai para balada, mesmo estando com as finanças apertadas, algumas pessoas vão (quase que num ato de auto boicote). Elas, muitas vezes, têm receio de falar que não vão, porque: “o que vão pensar de mim?”.

Infelizmente a opinião de terceiros muitas vezes é supervalorizada e nos faz tomar atitudes que passam na frente da nossa própria saúde financeira. Esse tipo de comportamento precisa ser trabalhado, para que, tanto a vida financeira, quanto a vida social, sejam conduzidas com equilíbrio.

Em outro post já demos 20 dicas para sua saúde financeira, clique e confira!

O relato da Cássia

Durante minha conversa com o Pedro, a ouvinte Cássia nos contou que já passou por varias situações parecidas com as que acabamos de listar e comentou: “só depois que eu procurei um psicólogo é que eu melhorei. Eu aprendi a falar não.”

Primeiramente, parabéns Cássia! Para muitas pessoas aprender a falar “não” não é uma tarefa fácil. Mas é preciso desenvolver essa habilidade para manter a vida equilibrada.

A atitude de reconhecer a necessidade e buscar ajuda é louvável e é fundamental para evoluir. Esse auxílio pode vir de um psicólogo, um parente, algum confidente ou um grande amigo. O importante é ter abertura para se autoconhecer e ter disposição para mudar.

Ser rude é o caminho para ter as finanças pessoais controladas?

Definitivamente não! Ser agradável não é um problema. Na medida certa é, inclusive, uma virtude. Além do mais, ser rude não garante o fim dos problemas financeiros. No entanto, a pesquisa serve de alerta. Todo mundo quer ser amado, mas é preciso ter cuidado para não colocar a vida financeira em risco.

A ouvinte Silvana Abreu, que acompanhou o programa, resumiu bem essa questão: “pode ser bonzinho, mas não pode ser bobo”. Ou seja, não é preciso (nem recomendável) ser desagradável com as pessoas. Mas o limite da gentileza é o ponto onde você começa a se prejudicar e a perder o controle de gastos.

Portanto, é preciso definir bem essa linha, que pode ser bastante sutil. Para isso, é preciso se autoconhecer, entender o seu comportamento e as suas finanças.

Em um outro podcast comentamos como empresas ajudam os funcionários com o controle de gastos, afim de obter melhores resultados, confira!

Nem levar vantagem em tudo, nem ficar na desvantagem: equilibrando a balança

Não ser “bobo” também não significa querer levar vantagem em tudo. Por exemplo, se você fez uma compra e vai pagar à vista, é bastante comum pedir um desconto. Se a loja realmente conceder esse desconto, não tem porque continuar pedindo mais e mais benefícios, como um desconto maior ou brindes. Não é razoável querer pagar um preço menor do que o valor justo da mercadoria. É preciso pensar também pelo lado do lojista. Ele tem diversos custos para arcar, como o pagamento dos funcionários, estrutura da loja e o próprio lucro.

Por outro lado, não querer levar vantagem sobre tudo também não significa deixar que os outros se aproveitem de você, ou da sua boa vontade. A pesquisa aponta exemplos de pessoas “agradáveis”, que num período de 25 anos não conseguiram fazer um controle de gastos adequado e equilibrar as finanças pessoais. A  meia-idade é um estágio no qual a vida financeira já deveria estar estável, com algum patrimônio constituído. No entanto, o estudo mostrou que muitos desses indivíduos se encontravam em cadastros de inadimplentes, sem poupança e continuamente deixando de cumprir as suas obrigações.

Portanto,  é necessário saber equilibrar a vida financeira e a social. Isso, sem sacrificar a saúde financeira ou colocar em risco o seu orçamento. O controle de gastos é fundamental para manter as fianças pessoais organizadas tanto hoje, quanto no futuro.

Precisando de ajuda para manter a saúde financeira? O Educando Seu Bolso oferece consultoria em finanças pessoais, clique no link para acessar a página e saber mais!

Quando não se deve ser “bonzinho”?

Durante o programa tivemos também a participação da Divina. Ela contou que o banco ofereceu pra ela um Plano de Previdência, Caixa Previdência, alegando que os juros desse plano eram menores que o do Tesouro Direto, que era o que ela queria fazer inicialmente. No entanto,  junto com o plano teria que ser feito um seguro de vida. E perguntou: isso procede? É uma venda casada? Isso é obrigatório?

Essa dúvida vem reforçar a ideia de que infelizmente muitas vezes o que é oferecido para o cliente bancário na agência não é o que é melhor para ele. Mas sim, o que é melhor para o gerente. Muitas vezes, para fazer uma venda, o funcionário do Banco acaba se utilizando de uma argumentação ruim ou até mesmo imprópria.

Portanto, se a cliente quer fazer uma operação no Tesouro Direto, é isso que o banco tem que providenciar. Se o funcionário quis empurrar uma aplicação como a Previdência, que é totalmente diferente do Tesouro, é porque ele provavelmente ganha mais com isso. Seja por meio de uma taxa de administração ou de carregamento, por exemplo, que rendem um bônus para o gerente.

Recentemente todos os grandes bancos, acompanhando os bancos pequenos, zeraram as taxas de administração do Tesouro Direto. Então o único custo que fica no Tesouro Direto é uma taxa de custódia. Ela é cobrada fora do banco e tem um valor de 0,3% ao ano. Eu não conheço nenhum Plano Previdência que tenha uma taxa de administração mais barata que essa. Além disso, existem outros custos que podem estar associados a esses produtos, como taxa de carregamento na entrada ou saída, por exemplo.

E o seguro de vida?

É venda casada! Nós já tratamos desse assunto aqui no blog, em um podcast chamado Seguro Auto Resgatável. Esse foi também um caso de uma leitora, que teve problemas com a contratação combinada do seguro de vida e Previdência Privada.

O depoimento da Divina é um ótimo exemplo de situação em que não cabe ser “bonzinho”. Esse é o momento de bater o pé e defender o seu interesse. Portanto, Divina, insista no seu Tesouro Direto, não compre seguro de vida casado e não caia nessa de que a Previdência vai ser melhor.

Será que eu sou legal demais, a ponto de tomar prejuízo?

Aqui vão algumas situações com as quais todo mundo já deve ter se deparado um dia:

  • Você está em uma mesa de bar com os amigos. De repente, quase todo mundo vai embora e sobra para você, junto com mais um ou outro camarada, dividir a conta e pagar a parte de quem já foi embora;
  • Você já ficou sem jeito de negar dinheiro emprestado para algum amigo ou parente. Então, emprestou mesmo sabendo que ele(a) nunca ia te pagar;
  • Você já se sentiu extremamente constrangido por ter que cobrar alguém que te deve. Vez ou outra até prefere deixar pra lá, a ter que fazer o papel de “cobrador”;
  • Você já passou aperto financeiro porque não conseguiu dizer “não” para uma festa ou viagem. Afinal todos os seus amigos/parentes iam. O que eles pensariam se só você não fosse?

Se você passa por elas com frequência, então provavelmente sim, o seu comportamento agradável demais pode estar prejudicando sua saúde financeira.

Para ter as finanças pessoais bem organizadas e planejadas é preciso aprender a dizer “não” quando necessário. Esse não é sempre um processo fácil. É preciso primeiro reconhecer a necessidade de mudança no comportamento. Depois, é aconselhável também buscar ajuda, seja de um amigo, parente, ou até mesmo um profissional.

Existem ainda alguns aplicativos de controle de gastos, como o GuiaBolso, Organizze e Mobills, que podem te ajudar a colocar a sua vida financeira em ordem. Existem também planilhas que ajudam no controle financeiro.

Portanto, não tenha medo de exigir seus direitos. Você não precisa abrir mão da sua vida social agitada, nem da sua personalidade agradável. Apenas não deixe que outras pessoas abusem da sua boa vontade.

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