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Criptomoedas: Bitcoins, stablecoins e CBDCs, conheça-as!

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No texto de hoje vamos falar sobre as moedas digitais, ou criptomoedas. Você certamente já ouviu falar de uma delas, o Bitcoin, mas sabe como esse modelo surgiu? E consegue imaginar pra onde ele vai no futuro?

Portanto, continue nesse texto se você deseja saber mais sobre a história das moedas da primeira geração, das stablecoins, das CBDCs (moedas digitais emitidas pelos bancos centrais), sobre projetos de moedas digitais públicas em substituição de moedas nacionais, e sobre as tendências desse ecossistema.

Caso prefira, temos o nosso podcast com o mesmo assunto do texto, que pode ser ouvido em qualquer player acima. Ele se trata de uma entrevista com o economista, professor e grande conhecedor sobre o assunto, Fábio Lacerda.

Vale ressaltar que tanto o texto quanto o podcast são mais extensos que de costume, por se tratarem de um conteúdo muito rico.

 

Desconfianças quanto às criptomoedas

Em primeiro lugar, é importante falar sobre as desconfianças que muitas pessoas já tiveram em relação às criptomoedas. Ela é comum, e até mesmo o nosso entrevistado, Fábio, que hoje tem sua própria carteira de Bitcoins e ensina sobre o assunto, já teve seu próprio preconceito.

Ele se dá, principalmente, porque as criptomoedas, mais especificamente as moedas da geração do Bitcoin, não têm suporte de nenhum estado nacional, a chamada fidúcia. Além disso, elas não cumprem as três grandes funções de uma moeda:

Não são unidade de conta

Elas não são uma unidade de conta porque os produtos que vemos nas lojas não são referenciados, por exemplo, em Bitcoins. Mesmo que alguns estabelecimentos aceitem esse pagamento, o processo de formação de preços não é em Bitcoins.

Aqui no Brasil o preço é definido em Reais, e mesmo quem aceita criptomoedas como pagamento, utiliza a taxa de conversão da data para definir o preço nesse sistema. A formação de preços não acontece em Bitcoins porque não existe um ciclo fechado nessa moeda: você não paga com ela impostos, aluguel, funcionários, entre outros.

Não são meio de troca

A impossibilidade de as criptomoedas serem uma unidade de conta está relacionada com o fato de ela não ser um meio de troca. Ou seja, essas moedas não são utilizadas para viabilizar transações econômicas no geral.

Não são reserva de valor

O Bitcoin não é tão visto como reserva de valor, e sim como um ativo especulativo, de investimento, em função de sua volatilidade. A volatilidade está ligada ao comportamento do preço, que flutua e varia rapidamente. Sendo assim, um ativo muito volátil geralmente não pode ser visto como uma reserva de valor.

No entanto, apesar dessas “lacunas” observadas nas criptomoedas, elas têm seu papel e sua função. Isso pode ser visto pela trajetória, principalmente do Bitcoin, de sucesso até o momento do ponto de vista de valorização.

Ao longo do texto, portanto, vamos abordar parte da história e dos benefícios dessas moedas, para que os preconceitos existentes em torno delas comecem a ser desconstruídos.

Crimes e criptomoedas

Existe um grande preconceito contra as criptomoedas em relação a operações ilícitas. Elas são, sim, utilizadas para lavagem de dinheiro, fraudes, extorsões, golpes e outros crimes. No entanto, o Real também é utilizado em crimes.

Além disso, segundo Fábio, estimativas feitas por empresas que acompanham o blockchain e os registros do Bitcoin, mostram que algo entre 1 e 3% das transações com criptomoedas podem ser ilícitas. A parcela de atividades ilícitas no volume de transações total em Bitcoins é pequena, e não daria vazão à quantidade de crimes envolvendo dinheiro vistos no Brasil.

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Evolução do mercado e categorização de criptomoedas

Ao longo de todo o texto, utilizaremos uma categorização pensada por uma diretora do banco central norte americano em relação às diferentes gerações das criptomoedas.

A primeira geração das moedas digitais se iniciou com o Bitcoin, e todas as outras que se utilizam de sistemas parecidos entram na mesma categoria.

No entanto, daremos um grande enfoque ao Bitcoin, pois, mesmo com o crescimento desse mercado (já existem quase 8600 criptomoedas sendo negociadas pelo mundo), ele ainda representa mais de 60% da sua capitalização total.

Já as moedas da segunda geração são as stablecoins, ou seja, as moedas estáveis. Nessa categoria entra a antiga Libra do Facebook, que hoje se chama Diem.

A terceira categoria é a de moedas digitais de bancos centrais, as famosas CBDCs (Central Banks Digital Currencies). Elas são discutidas como uma possibilidade de substituição do papel moeda em circulação.

 

E como as criptomoedas surgiram?

O nascimento mais especificamente do Bitcoin se deu a partir de um documento, de um white papper, de autoria de uma pessoa (ou grupo de pessoas) que assumiu o pseudônimo de Satoshi Nakamoto.

Isso ocorreu poucas semanas depois da quebra do Lehman Brothers, que foi um dos eventos mais marcantes da grande crise de 2008. Essa crise foi responsável por uma grande mudança de pensamento na sociedade, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

Muitas pessoas passaram a enxergar os banqueiros com uma visão extremamente negativa. Elas acreditavam que quando as coisas iam bem, eles se apropriavam de todo o lucro. Quando elas iam mal, porém, o prejuízo era dividido entre a sociedade.

Sendo assim, entre os contribuintes americanos e europeus surgiu uma ideia “libertária”. Eles não queriam apenas criar uma fintech ou outra empresa que concorresse com um banco, mas sim um novo sistema financeiro totalmente independente. Inclusive, o bordão dos patronos do Bitcoin era “seja o seu próprio banco”.

Sendo assim, existe um protocolo, existe uma infraestrutura tecnológica, que é o sistema que permite o funcionamento e transações das criptomoedas, o blockchain, e existe uma rede distribuída. Nesse cenário, o agente intermediário centralizador é uma figura dispensável.

Ainda, a ideia de Bitcoin trabalha com regras e um protocolo definido. É por isso que nenhum banco central consegue regulá-lo, pois ele já nasce “regulado” pelo seu próprio protocolo.

As criptomoedas, portanto, tem uma função idealista?

Não apenas! Além do ideal libertário por trás dessas moedas, elas têm repercussões práticas. Acima de tudo, esse tipo de moeda barateia transações.

Um grande exemplo disso pode ser visto no mundo atual com o forte fluxo migratório existente em alguns países. Muitas pessoas mudam de país em busca de uma vida melhor, de conseguir ganhar dinheiro e enviar esses valores para os familiares que ficaram no país de origem.

Isso gera muitas transferências internacionais, as chamadas remittances. Em transferências de baixo montante, até 70% do valor dessas transações deve ser pago em tarifas e taxas, o que representa uma parcela extremamente alta. Ainda, em alguns casos as transferências podem demorar dias para serem concluídas.

Com as moedas digitais é possível fazer remessas internacionais para qualquer lugar do mundo pagando um valor substancialmente mais baixo, o que traz um importante impacto em termos de inclusão financeira. O Bitcoin é, por definição, global e sem fronteiras.

Além disso, ele funciona a qualquer hora do dia, qualquer dia da semana. Hoje, com o surgimento do Pix, já estamos mais acostumados com transações desse tipo. No entanto, esse sistema já existe entre as moedas digitais desde o seu surgimento.

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O que são os Criptobanks

Com a evolução e mudança no mercado de moedas digitais, elas já entram cada vez mais no dia a dia das pessoas. Sendo assim, temos soluções compartilhadas com os grandes arranjos de pagamento, para de fato colocar o detentor de Bitcoins no mercado monetário.

Existe, hoje, a ideia de Criptobanks, que são os bancos para uso de criptomoedas. Um exemplo de instituição que oferece esse serviço é o antigo AlterBank, hoje chamado de Alter.

Esses bancos oferecem um cartão bandeirado, no caso do Alter é a bandeira Visa, que, dessa forma, funciona em máquinas de cartões de todo o Brasil. Esse cartão, porém, tem uma conexão com a wallet que guarda seus Bitcoins.

Ou seja, quando você passa seu cartão, automaticamente acontece uma conversão de Bitcoins na moeda fiduciária, no nosso caso o Real.

Ainda, é possível utilizar esse cartão numa rede que já conta com mais de 16 mil caixas eletrônicos pelo mundo, em 71 países, caso você queira sacar dinheiro. Existe um site chamado Coin ATM Radar, no qual você vê onde estão localizados esses caixas.

Se você vai em um caixa em Londres, saca Libras, em Nova Iorque saca dólares, em São Paulo saca Reais, e assim por diante, tudo com o mesmo cartão e a mesma carteira de Bitcoins.

Esta é uma proposta de tornar mais amigável o relacionamento do cidadão com o Bitcoin, pois há uma estrutura de câmbio facilitada.

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Segurança

Precisamos tratar sobre a segurança de criptomoedas em diferentes aspectos.

Em primeiro lugar, temos a segurança cibernética. Nesse quesito, o Bitcoin se mostrou extremamente seguro em sua trajetória de mais de 10 anos.

O conceito de criptomoeda está ligado ao uso de criptografia, mais especificamente chaves criptográficas. E o que define a propriedade do Bitcoin é justamente o conhecimento da chave criptográfica, que se trata de um par de informações.

Existe a chave pública, que é como o seu endereço de email. Qualquer pessoa pode conhecer seu endereço de email, e utilizá-lo para encaminhar uma mensagem a você. No entanto, só é possível enviar emails e ter acesso a sua caixa de mensagens quem souber a sua senha. A senha, no caso das criptomoedas, é a chamada chave privada.

Ou seja, as pessoas utilizam sua chave pública para enviar Bitcoins a você, mas apenas sabendo qual é a chave privada é possível fazer uso daquele dinheiro.

Armazenamento de chaves

Essas chaves podem ser armazenadas de diferentes formas: podem ser anotadas em pedaços de papel, em dispositivos específicos, como pendrives, que são wallets físicas, hardwares que guardam as chaves privadas ou em computadores de terceiros (seja na exchange que te vendeu o Bitcoin, seja em alguma empresa que presta o serviço de carteira).

Vale ressaltar que é possível perder suas chaves. Você pode perdê-las fisicamente, como no caso de perder o pendrive que as armazena, ou pode ser, ainda, que as empresas que armazenam suas chaves digitalmente sejam atacadas por hackers.

Então, é importante destacar um aspecto importante das criptomoedas: você é totalmente independente, e tem sua identidade e privacidade preservadas, o que por um lado é bom. No entanto, quando as coisas dão errado, não há uma entidade para a qual você possa recorrer.

Regulações e legislações

Sendo assim, hoje já existem algumas legislações sendo emitidas ao redor do mundo, por países que desejam regular as Bitcoins. Existem, ainda, recomendações internacionais para tal, principalmente por parte do GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional).

Esse organismo padroniza regras de prevenção à lavagem de dinheiro e combate o financiamento ao terrorismo, trabalhando de maneira internacional.

Ele, hoje (juntamente com o Financial Stability Board), afirma que é interessante que os países comecem a regular e supervisionar agentes importantes no ecossistema de criptomoedas, principalmente as exchanges e wallets, que são essas empresas que prestam serviços de negociação e custódia de chaves privadas.

Ainda, o GAFI alega que não são suficientes as regulações locais. É necessário haver regulações locais harmonizadas, ou seja, que estão de acordo com um padrão internacional de regulação, havendo cooperação entre as autoridades de fiscalização.

Sendo assim, podemos enxergar que as criptomoedas não são um investimento livre de risco. Aqui, não falamos sobre o risco associado à volatilidade, mas sim ao risco associado à fraude, ao roubo, etc.

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Operacional

Tratando, agora, sobre o operacional das criptomoedas, podemos afirmar que ele é simples. Os prestadores de serviços da área buscam justamente tornar toda a operacionalização mais amigável ao cidadão.

Nosso entrevistado, Fábio, relata como foi o seu processo. Em primeiro lugar, ele buscou uma exchange no Brasil que parecesse confiável. Ainda, afirma que as principais exchanges de criptomoedas no Brasil são empresas sérias, com controles adequados e preocupação com o cumprimento das regras de segurança, gerenciamento de risco, entre outras coisas.

Você precisa, então, fazer um cadastro em uma dessas empresas. O cadastro funciona como um cadastro em uma corretora para transacionar ações, por exemplo. Sendo assim, em um primeiro momento, você abre mão do seu anonimato, para que você possa ser aceito pela empresa.

E o anonimato do Bitcoin?

Oferecer seus dados às exchanges é um passo de extrema importância. Sabemos que as transações no meio digital são, por definição, rastreáveis. Se você passa por um processo judicial, por exemplo, que necessite que suas transferências e saldo bancário sejam analisados, é possível ter acesso a todos eles.

O Bitcoin, por ser digital, portanto, continua sendo rastreável. No entanto, ele tem uma característica que o diferencia das transações em bancos: ele preserva sua privacidade.

Você não aparece na rede com seu nome e seus dados, e sim como uma chave criptográfica. Essa característica pode chamar atenção de criminosos, que buscam não deixar rastros em suas transações.

Por isso, o passo de análise do seu perfil feito pelas exchanges é tão importante. Você abre mão do seu anonimato nesse momento, para provar que o dinheiro que está sendo posto no negócio não é ilícito. Portanto, em exchanges confiáveis, não é possível trocar, por exemplo, dinheiro de corrupção em Bitcoins, em função do processo de análise prévio.

E depois?

Depois do processo e análise cadastral, você já tem acesso ao ecossistema das criptomoedas. É possível fazer a compra e venda de moedas de maneira digital, e os pagamentos e transferências são facilitados pela empresa.

 

Evolução das criptomoedas e a Reforma Protestante

Depois de analisar um pouco da trajetória das criptomoedas da primeira geração, especialmente o Bitcoin, podemos prosseguir para a análise da evolução de outras gerações.

Para falar sobre essas moedas, é interessante fazer uma analogia com a Reforma Protestante e a Contrarreforma. As stablecoins (moedas da segunda geração) são representadas pela Reforma, e as CBDCs (moedas de bancos centrais, da terceira geração) pela Contrarreforma.

A Reforma Protestante se iniciou com um pequeno número de pessoas, e hoje o número de protestantes pelo mundo é grande. As criptomoedas de segunda geração começaram pequenas, e hoje já estão se firmando como uma alternativa para muitas pessoas.

Associada a elas, é possível enxergar um conceito de “finanças descentralizadas”, em que você tem não apenas um sistema monetário alternativo, mas sim um sistema financeiro alternativo, com produtos de crédito, financiamento, entre outros. As coisas foram evoluindo, e, com isso, veio uma reação. Nesse caso, a Contrarreforma.

Essa reação se deu por parte dos reguladores e daqueles que se sentiram ameaçados pelo movimento. Fábio acompanhou, por exemplo, alguns debates relacionados à mais recente orientação da Receita Federal no último Perguntas e Respostas da Declaração de Imposto de Renda de 2021.

Nesses debates, muitas pessoas acreditavam que os reguladores precisam entender mais sobre esse ecossistema, para que haja uma regulação melhor. Se a Receita Federal e o estado começam a se importar com o movimento, e, ainda, a querer tributá-lo, é porque ele está crescendo cada vez mais.

Além disso, a Contrarreforma também pode ser vista por parte de instituições que se sentiram ameaçadas com o crescimento das criptomoedas. Por exemplo, Visa e Mastercard. Se todos começam a transacionar usando a nova moeda, seu modelo de negócios se torna ultrapassado.

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Evolução das criptomoedas

Fábio cita outra analogia interessante sobre a evolução das criptomoedas, a partir de um vídeo de um empresário e grande Youtuber na área de Bitcoins, Andreas Antonopoulos.

O exemplo dado é que os primeiros automóveis pensados não tinham direção como os de hoje. Ou seja, no lugar do volante, havia duas tiras de couro que poderiam ser puxadas caso você quisesse direcionar o carro para a direita ou esquerda.

A ideia da tira de couro veio de como era feito o direcionamento nas carruagens. Ou seja, quando você migra para o novo, vem trazendo conceitos do antigo, até que se crie um novo conceito.

Sendo assim, aos poucos as moedas digitais vêm trazendo inovações e vantagens que no início não eram vistas. Ainda, sua aceitação também vem aumentando.

Estatísticas recentes citadas por Fábio mostram que na Europa Continental de um modo geral aumentou muito a participação de mulheres no mercado de criptomoedas. Isso impressiona, já que as mulheres, usualmente, são investidoras mais cautelosas que os homens, e não costumavam ter grande participação no mercado de Bitcoins há alguns anos.

Ou seja, hoje há um grande movimento de evolução estrutural por trás das criptomoedas. Elas não são apenas especulação.

 

A valorização do Bitcoin é estrutural ou especulação?

No Canadá por exemplo, Electronically Traded Funds foram liberadas para comprar cripto. Sendo assim, você consegue investir seu dinheiro em um fundo que compra essas moedas, de forma que não é necessário que você passe pelas estruturas de exchanges citadas anteriormente para ter acesso ao mercado. Isso pode ser um incentivo a mais para as pessoas.

Por outro lado, existe também uma sobrevalorização de uma série de ativos, não só das moedas digitais. Por exemplo de ações, títulos de empresas, direitos de carbono, entre muitos outros. Esses exemplos surgem como ativos financeiros que são frutos da conjuntura econômica que também afeta o valor das bitcoins.

As pessoas precisam saber que, se as condições de liquidez atuais não existirem num momento futuro, é provável que a valorização de quase todos os ativos financeiros se retraia muito, especialmente no que é mais inovador, como o Bitcoin.

 

Tokenização, Distributed Ledger e Smart Contracts.

A maior demanda pelas criptomoedas não está apenas relacionada à questão de investimento em ativo financeiro, pode ser explicada também pela crescente tokenização da economia. 

Fábio cita o exemplo da MB Digital Assets que é uma empresa do grupo Mercado Bitcoin. Ela tem uma proposta interessante de socializar investimento em diferentes ativos através da tokenização. Eles começaram com precatórios governamentais, que são investimentos, porque são promessas de pagamento futuro. Antes você tinha apenas bancos operando com muita expertise no mercado de precatórios, mas era uma coisa muito restrita.

E qual é a grande sacada da tokenização? Você fragmenta, transforma isso quase como numa cota de investimento. Assim, ela pode ser democratizada e isso favorece os dois lados, os detentores e os interessados em investir. Isso é uma aplicação da tokenização, pode-se tokenizar ações, imóveis, mercadorias, e etc.

O dinheiro tokenizado, transformado em criptomoeda, pode ser usado em transações econômicas de forma diferente.

Quando o dinheiro é transformado num token criptografado, transações podem ser feitas num ambiente aberto – de blockchain, e num esquema descentralizado – de distributed ledger. Possibilita-se inclusive outras vantagens, como por exemplo o uso do conceito do smart contract.

Ele é uma programação, que diz “se isso acontecer, faça aquilo”. O smart contract é fantástico para a questão do delivery vs payment. Quem nunca ficou aflito em transferir o CRV de um carro e conferir se, ao mesmo tempo, a transferência pelo pagamento tinha mesmo se concretizado? 

 

Mundo das criptomoedas X mundo real

O movimento de evolução tecnológica não muda apenas o nosso dia a dia, mas também a nossa maneira de encarar a realidade. A maior incorporação de tecnologia nos faz mais exigentes com a eficiência: queremos as coisas sempre mais rápidas e mais baratas.

Essa lógica de eficiência também funciona para o mundo financeiro, e com as criptomoedas as coisas acontecem a qualquer hora e qualquer dia. Apesar disso, ainda existem alguns processos nos quais você precisa sair de um mundo (das criptomoedas) e entrar em outro (dos Reais).

Fábio faz, então, uma analogia com Haimdall, o guardião do portal de Asgard. Para os que não conhecem, Asgard é uma outra dimensão no universo de Thor, e esse portal levava os habitantes para outros mundos, inclusive para o planeta Terra.

Haimdall, o “porteiro”, pode ser relacionado com o VASP (Virtual Asset Service Provider), que é o “porteiro” entre o mundo cripto e o tradicional. Essa relação precisa acontecer, já que o mundo cripto não se basta, é preciso que ele se relacione com o mundo das moedas tradicionais.

Sendo assim, é importante analisar que a eficiência do mundo cripto muitas vezes entra em conflito com a não eficiência do mundo tradicional. Em muitos momentos, não será possível fazer certa transação em Reais dependendo do dia ou da hora.

Apesar disso, transações financeiras no mundo real, hoje, são bem mais ágeis que há algum tempo atrás. Saiba mais sobre o motivador para isso: o Pix Banco Central!

 

CBDC sintéticas x Privatização da Casa da Moeda

Esse atrito entre “os dois mundos” fez com que as pessoas começassem a pensar uma outra forma de considerar a criptomoeda, que é a criptomoeda lastreada em moeda fiduciária. Ou seja, você tem uma criptomoeda e pra cada token que emite existe um dólar depositado em algum lugar.

Comprar o bitcoin é comprar o bitcoin, não tem lastro, não tem reserva, no limite poderíamos até dizer que não tem nada. Mas comprar uma outra criptomoeda lastreada em dólar significa que você tokenizou o dólar numa iniciativa privada. Ele não esperou que o Banco Central dos Estados Unidos ou o Tesouro Americano emitisse dólar em meio digital, ele privadamente tokenizou o dólar. 

Fábio cita economistas do FMI – Tobias Adrian e Tommaso Mancini-Griffoli. Eles escrevem sobre esse tema e cunharam um termo que não é muito utilizado mas ele gostou, que é o conceito de CBDC Sintético. Sintético é aquilo que é produzido e replica as características do original.

O conceito dessa moeda do Banco Central sintética é que o agente não é de fato o Banco Central. É uma empresa privada, mas emite um token, e pra cada token que emite um dólar é depositado num banco ou aplicado num título do Tesouro Americano.

Quando se faz isso pra viabilizar as transações 24/7 no ecossistema cripto, aquelas transações que demandariam um pagamento em moeda fiduciária, você começa a ampliar um conceito que já se discutia antes, que era o conceito da Stablecoins.

 

Segunda geração de criptomoedas: stablecoins

Essa segunda geração de moedas não conta com um dos problemas da primeira, que é a alta volatilidade. O próprio nome diz: stablecoins, ou moedas estáveis. Ou seja, seu preço é estabilizado de algumas maneiras.

A primeira forma de fazer isso é via algoritmo. Nela, uma política monetária é programada dentro do ecossistema da criptomoeda. Para facilitar o entendimento, é como se houvesse um Copom (Comitê de Política Monetária) artificial, programado.

A segunda forma de estabilizar o preço da moeda é atrelar seu valor ao de outros ativos, como foi a ideia do Consórcio Libra, atual moeda Diem, liderado pelo Facebook.

Essas moedas rodam em ambientes blockchain, mas elas não são sua própria unidade de conta. Ou seja, não há flutuações de mercado a depender da oferta e da procura por ela. Seu valor é atrelado à uma moeda fiduciária conhecida, ou ao valor de uma cesta de ativos.

Essa geração de criptomoedas, como dissemos anteriormente, na analogia com a Reforma Protestante, foi a responsável por chamar a atenção dos reguladores para esse universo, levando-os à “Contrarreforma”.

O Bitcoin, para esses reguladores, ainda não afetava a estabilidade financeira. No momento em que surge a proposta da stablecoin, porém, as coisas mudam. Essa moeda resolve o problema da volatilidade, e, portanto, pode ser confiável para ser usada como meio de pagamento, pois estaria sendo transacionada uma moeda “forte”. Seria algo semelhante a receber dólares.

Especialmente pelo fato de essa moeda vir associada a uma rede de usuários potente, como é a do Facebook, os reguladores ficam ainda mais inseguros. A moeda teria mais facilidade em se espalhar por uma rede de mais de 2 bilhões de pessoas.

Isso, portanto, tem um grande potencial de afetar a estabilidade financeira, a eficácia de políticas monetárias e a soberania monetária de alguns países.

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E as CBDCs?

Diante da insegurança dos reguladores quanto às stablecoins, surgem as CBDCs (Central Bank Digital Currencies). Elas aliam conversibilidade garantida com as moedas nacionais convencionais, por serem emitidas pelos bancos centrais, às características positivas de uma moeda digital.

Moedas de emissão privada já foram tentadas ao longo da história, e foram ineficientes na condição de política monetária. Será que estamos diante da guerra entre ineficiência de uma proposta de emissão privada, e incompetência do estado nacional emissor de moeda?

No Brasil, por exemplo, em questão de poucos anos o padrão monetário mudou várias vezes: passamos pelo Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzado Real e Real.

Ainda, em alguns países as pessoas fogem da moeda nacional, e migram para a criptomoeda por proteção. Imaginem se estivermos falando da criptomoeda do Facebook? Isso assombrou os estados nacionais e a consequência foi “esse pessoal vamos precisar regular!”.

O Diem, a nova Libra, já foi bastante remodelada, passou a ser uma criptomoeda local, lastreada numa só moeda nacional. Então vai ser o Diem Dólar, o Diem Euro, o Diem Libra. Ou seja, vai ter para cada token de Diem dos EUA um dólar depositado em algum lugar, para cada token de Diem emitido na Inglaterra uma libra em algum lugar e assim por diante.

O que era originalmente o conceito da Libra vai ser essa cesta de criptomoedas lastreadas em moedas fiduciárias locais. 

Por fim, voltando novamente à analogia feita anteriormente, até mesmo a Igreja Católica se beneficiou da Reforma Protestante. Isso porque ela pôde olhar para dentro de si, e consertar seus erros.

Da mesma forma, as CBDCs foram fruto de ineficiências enxergadas, e buscaram resolvê-las. As moedas dos bancos centrais, portanto, conciliam a melhor parte dos dois mundos: do mundo novo e digital, e do mundo antigo, que traz segurança às pessoas.

 

Conclusão

Esperamos que esse texto possa ter trazido mais conhecimento a você quanto às moedas digitais ou criptomoedas. É sempre essencial que, antes de tomar qualquer decisão da sua vida financeira, você se informe bem, e esse texto é um ótimo começo!

Além disso, caso queira se informar em outras áreas das finanças, lembre-se do Educando Seu Bolso! Nós temos diversos artigos e ferramentas que te ajudam a tomar boas decisões. Ainda, temos o nosso curso de educação financeira, Jornada Para o Equilíbrio Financeiro, que pode te ajudar muito!

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