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Financiamento Estudantil: A faculdade apertou o seu orçamento?

Mateus tinha o sonho de mudar de vida e tudo começava com uma graduação. Ele foi aprovado no vestibular para Medicina em uma faculdade particular e comemorou junto com a família. Mas a alegria durou até a hora de olhar a mensalidade: mais de R$8 mil por mês. A conquista estava ali, mas parecia distante. Foi quando ele conheceu o financiamento estudantil e viu seu futuro como médico cada vez mais próximo. 

Seja na disputa feroz pelas vagas em universidades públicas, seja na procura pelas faculdades privadas, ter um diploma de graduação no Brasil não é fácil. E, é aí que o financiamento estudantil tem grande importância. O preço dos cursos inviabiliza, e muito, o acesso ao ensino superior, principalmente para pessoas de baixa renda.

O que é financiamento estudantil e como funciona?

O financiamento estudantil nada mais é do que um empréstimo feito especificamente para pagar a faculdade. Em vez de arcar com todas as mensalidades durante o curso, o estudante assume um compromisso com uma instituição financeira (ou com o governo) para pagar esse valor de forma parcelada, muitas vezes só depois da formatura.

Na prática, funciona como um “empurrão” financeiro: a instituição paga a universidade no lugar do aluno, e ele se compromete a devolver esse dinheiro futuramente. Ah e claro, com juros e outros encargos como seguro, taxas de administração e possíveis multas. Porém, as taxas de juros costumam ser mais baixas do que outras modalidades de empréstimo.

FIES: o financiamento estudantil do governo

O programa mais conhecido de financiamento estudantil é o FIES, criado pelo Ministério da Educação em 1999 e realizado pelo banco Caixa. Hoje, 25 anos depois da criação do programa, FIES não tem juros, sendo a melhor opção de financiamento oferecida atualmente.

Para entrar no FIES, o estudante precisa ter feito o ENEM e tirado pelo menos 450 pontos de média, sem zerar a redação e ter renda renda familiar mensal bruta, por pessoa, de até três salários mínimos. Depois disso, o sistema avalia e define quanto da mensalidade será financiada. O valor mínimo de financiamento é de 50% da mensalidade e o máximo é de R$42.983,70 por semestre (para medicina os valores podem chegar a até 78 mil reais semestrais.

Na prática, funciona assim: quando o aluno se forma, ainda tem uma carência de 18 meses para “respirar” antes de começar a quitar a dívida. Esse período existe para que você se estabeleça financeiramente com um emprego. Passado esse período, o valor restante é parcelado em até 12 anos, ou 144 meses. 

Inadimplência no FIES e tentativas de revisão de dívidas 

No papel é tudo lindo, o governo paga a mensalidade e o aluno devolve depois, com juros bem baixos. Mas na realidade é bem diferente, já que a inadimplência é frequente e em 2025, cerca de 60% dos contratos estão com os pagamentos atrasados. 

Isso pode acontecer por diversos motivos: a dificuldade de restringir o crédito apenas a alunos “bons pagadores”, o que reduziria o risco, mas limitaria o acesso; a baixa empregabilidade oferecida por alguns cursos, que impede os formados de obter renda suficiente para pagar a dívida; e a postura do governo, que frequentemente concede renegociações com grandes descontos, fazendo com que muitos priorizem outras despesas e deixem o Fies em segundo plano.

A mais recente foi no final de julho de 2025, quando o governo anunciou condições para revisão de dívidas dos contratos que foram assinados a partir de 2018 e estejam inadimplentes há mais de 90 dias. O prazo de 144 meses pode ser estendido para até 180 parcelas mensais de no mínimo R$200 e melhor: os juros e multas por atraso não precisam ser pagos.

Ou seja, é como se você estivesse em dia com suas obrigações e os novos juros (que apareceram quando você parou de pagar) não existissem mais. Mas atenção, o governo até perdoa, mas não esquece. Se os estudantes não fizerem o pagamento em dia, continuarão com nome sujo, junto com seus fiadores.  

Outras opções de financiamento estudantil

Bancos e financeiras: alternativas privadas

Quem não consegue se aprovar no FIES por causa da nota no ENEM ou pelos critérios de renda costuma recorrer a bancos e financeiras para bancar a faculdade. Nesse caso, a instituição paga a mensalidade diretamente à universidade, e o estudante devolve o valor em parcelas. Mas aqui existe um detalhe importante: os juros costumam ser bem mais altos do que no financiamento público.

Cada banco tem suas próprias regras. Os dois principais bancos que oferecem esse financiamento são o Bradesco e o Santander.

No Crédito Universitário Bradesco, o aluno contrata o crédito por um período letivo e pode pagar no dobro do tempo de duração deste período. As taxas de juros variam de acordo com a instituição de ensino, sendo possível encontrar taxas de 1,69% ao mês, por exemplo.

O Santander oferece financiamento estudantil para cursos na área da saúde, como Medicina e Farmácia. O aluno precisa pagar pelo menos quatro mensalidades do curso antes de solicitar o financiamento ao banco. Se o banco aprovar o crédito, ele deposita o dinheiro diretamente na universidade, e o estudante paga o banco em parcelas mensais, debitadas automaticamente da conta Santander. Os juros começam em 1,82% ao mês.

Quer saber se ter um cartão de crédito universitário é mais vantajoso? Leia também esse conteúdo.

Pravaler

O Pravaler é uma plataforma de crédito, voltada especificamente para o financiamento estudantil, que financia mensalidades de faculdades particulares em parceria com o Banco Itaú, o Banco BV e outras instituições financeiras. Parecido com o formato de financiamento do Bradesco, você firma contratos semestrais, com prazo de no mínimo um ano para pagar. Eles prometem taxas de juros que variam entre 0,89% e 2,29% ao mês.

ProUni e bolsas de graduação

Outra opção que vai muito além de um financiamento estudantil, são as famosas e disputadas bolsas de estudos. Numa tentativa de se tornarem mais acessíveis, às instituições privadas viabilizam bolsas de estudos ou descontos na mensalidade. 

O Ministério da Educação criou o Prouni (Programa Universidade para Todos) em 2004, voltado para estudantes de baixa renda. Em vez de empréstimo, ele oferece bolsas de estudo em universidades privadas, que variam entre 50% e 100% do valor da mensalidade. Para conseguir o benefício, o candidato precisa cumprir alguns requisitos de renda e ter feito o ENEM, alcançando uma nota mínima de 450 pontos.

Outros sites como o QueroBolsa e o Educa+Brasil também reúnem opções de bolsas de estudos em universidades privadas, mas sem relação com o Governo Federal. Neles, você consegue encontrar bolsas de estudos para escolas, cursos de graduação, pós-graduação, técnico, idiomas e garantir um investimento na sua educação.

Como escolher a melhor opção de financiamento?

Diante de tantas alternativas  (FIES, bancos, financeiras e programas das próprias faculdades) é normal se sentir perdido. A boa notícia é que existem alguns pontos-chave que ajudam a tomar a decisão de forma mais consciente. Afinal, estamos falando de uma dívida que pode te acompanhar por anos.

Por isso, fique atento aos seguintes pontos:

  • Juros e encargos: às vezes, uma parcela mensal mais baixa parece tentadora, mas o custo total do contrato é muito maior. Por isso, sempre peça a simulação completa: valor financiado, prazo, taxa de juros, correção monetária e encargos adicionais (como seguros e tarifas). 
  • Flexibilidade do contrato: existem financiamentos que permitem amortizar ou quitar antes do prazo, sem multa. Isso pode ser uma vantagem enorme se você conseguir aumentar a renda no futuro.
  • Risco da inflação: programas que corrigem o saldo pelo IPCA podem parecer mais leves no início, mas se a inflação disparar, o saldo devedor cresce junto.

Conclusão: financiamento estudantil é solução ou cilada?

No balanço final, o financiamento estudantil é como aquele amigo que te empresta dinheiro: resolve o problema na hora, mas no dia seguinte vem cobrar até o último centavo, com juros, claro.

Ele pode ser sim a chave para a realização de um sonho, principalmente para quem não tem condições de pagar a faculdade à vista. Sem ele, muita gente simplesmente desistiria do diploma. Mas também pode virar uma pedra no sapato se você assinar o contrato sem entender direito o tamanho da dívida que está assumindo.

A grande verdade é que não existe resposta única. Para muitos, o financiamento é o passaporte para uma carreira dos sonhos e para outros, é um peso nas costas por anos, principalmente se você investe num curso que não tem nada a ver com você e não vai te dar retorno financeiro no futuro. A diferença está em como você faz as contas antes de entrar nessa. Então, antes de se jogar de cabeça, respire fundo e pegue a calculadora. Mas não se esqueça, investimento em educação não tem preço.

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