Virtual ou real? Real ou virtual?

O mundo em que vivemos é real ou virtual?

Eu nasci em 1972. Quando nasci, acho que o mundo era real. Quando nasci, esta pergunta talvez não fizesse sentido. Não sei se havia possibilidade do mundo ser virtual. Real ou virtual: acho que isto era inconcebível.

Será que era real mesmo? Será que não fazia sentido? Será que era inconcebível discutir se era real ou virtual?

Tendências de tecnologia

Hoje o tema é futurologia, como pode ter percebido. Futurologia com tecnologia. Conexão à Internet. 5G: 2.000 vezes mais rápido que o 3G e 400 vezes mais rápido que o 4G. Se você já achou o 4,5G rápido, que é apenas 10 vezes mais rápido que o 4G, vai se assustar com uma velocidade 40 vezes maior do 5G. E o 5G nos bate à porta: é para os próximos, bem próximos, anos. As especificações da tecnologia já foram concluídas no primeiro semestre deste ano.

Com base nestas especificações, a indústria já começa a produzir os equipamentos. Produzidos, serão vendidos às operadoras de telecomunicações. Vendidos às operadoras, serão instalados por estas (direta ou indiretamente). Por fim, instalados pelas operadoras, aquelas passarão a testar e comercializar os serviços que nós consumimos. Quanto tempo durará todo este processo? Acredito que antes das próximas olimpíadas já tenhamos serviços em uso pelo menos no Japão. Porque no Japão? No Japão porque lá estará a sede dos próximos jogos olímpicos. Mas não acredite que demorará muito mais até chegar ao Brasil. Veremos porque mais adiante.

Será?

Se isto tudo se confirmar, todas as coisas poderão ser realmente conectadas: casa, carro, indivíduos, etc. A tendência é que a nossa realidade torne-se virtual. Incrivelmente virtual. Inimaginavelmente virtual. Talvez a ponto de não conseguirmos mais, muitas vezes, distinguir o que é real ou virtual. Imagine que loucura! Sinceramente, tenho consciência de que em 2 anos a transformação será tão grande que nem consigo imaginar hoje o que teremos em tão pouco tempo. O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus foi para o HSBC. E o HSBC foi vendido ao Bradesco. Deve continuar numa boa, rendendo às vezes abaixo da inflação, às vezes acima ou, em alguns períodos, trocando cebolas…

O Brasil na vanguarda

Agora, o mais legal desta história toda: sabe onde esta tecnologia está sendo desenvolvida? Pasme: entre outra meia dúzia de países, que dominam tecnologia de ponta está o Brasil. Sim, o Brasil! Quem sofre da chamada “síndrome de vira latas” pode não acreditar, não saber se isto é real ou virtual. Para todos os outros eu conto o segredo: é no Brasil sim!

Sim, nós temos excelentes centros de pesquisa de tecnologia no Brasil, públicos e privados. A maioria deles públicos federais, como a UFMG e a COPPE da UFRJ. Entretanto, não podemos nos esquecer de centros de pesquisa públicos estaduais, como a USP e a UNICAMP. Ou até mesmo privados, como o Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, interior de Minas Gerais.

Sobre um destes centros de excelência

Para quem não conhece, o Instituto Nacional de Telecomunicações estruturou, de certa forma, um pólo de tecnologia ao seu entorno. Santa Rita do Sapucaí, sua sede, é uma pequena cidade do sul de Minas Gerais. Suas principais indústrias são de tecnologia, muito em função do Inatel. E é lá, nesta pequenina cidade, no chamado “Vale do Silício Brasileiro”, que o 5G vem sendo desenvolvido. Parabéns ao Inatel e às demais empresas que estão acreditando em nós. Em nós: nossas empresas e nossos profissionais.

O nosso país na vanguarda deste tipo de tecnologia não é pouca coisa, acredite! Estamos ao lado de Alemanha, EUA, Japão, dentre outros expoentes da tecnologia mundial. Se depender deste tipo de iniciativa, o 7×1 ficará no passado. Não o 7×1 no futebol. Nisto pode ser que um dia levemos de 10×0. Mas o 7×1 que tomamos hoje em educação, saúde, segurança pública, infraestrutura, e por aí vai… Se participarmos de mais iniciativas que nos coloquem no 1×1 com as potências tecnológicas teremos muito a ganhar. Como povo, como nação, como economia. Ah, e podemos fazer 7×1 na Argentina. Que tal? Real ou virtual?

Consequências desta transformação

Eu te convido, agora, a uma “viagem no tempo”. Um exercício de futurologia aplicada, um daqueles chutes visionários que provavelmente estarão errados.

Se não sabe do que estou falando, estou tentando dizer que se você está no engarrafamento e quer estar na praia, estará lá em um clique. Passado o engarrafamento, você estará no seu destino. Teletransporte? Talvez. Não falo de teletransporte físico. Você não precisa estar fisicamente na praia, pois a experiência virtual será tão boa – ou melhor, pasme – que a experiência real. A “sua praia” terá sol radiante o dia inteiro. Quem sabe, a noite inteira também. Não terá vendedor de picolés ou bugigangas te incomodando a cada 5 minutos. Se você os quiser, bastará um clique e os terá. Opção sua. Sua praia. Suas vontades. Sua realidade.

E as Fintechs?

Já sabemos o que são fintechs, correto? São aquelas empresas altamente tecnológicas que buscam oferecer soluções, em última análise, financeiras. Algumas são formidáveis. Algumas – brasileiras – já valem mais de US$1.000.000.000,00. Sim: mais de um bilhão de dólares.

Pois bem: fintechs, hoje revolucionárias, serão trituradas por se tornarem obsoletas. Quem não se adaptou sequer ao mundo das fintechs, então… Tenho pena destes! O modelo de negócio vai mudar. A sociedade se transformará! O ser humano se revolucionará! Os astronautas que hoje residem na Estação Espacial Internacional não reconhecerão o planeta quando retornarem. Quem, por um infortúnio do destino, retornar de um coma após alguns poucos anos, ou talvez até meses, também não.

Taxas de crescimentos, hoje assustadoramente altas, serão consideradas pífias. 15 minutos de fama serão motivos de glória: seremos famosos – quem chegar a ser famoso – por segundos. Talvez menos: por um clique. Sim, seremos famosos pelo tempo de um clique no mouse. O clique seguinte e o próximo famoso. Se é que teremos mouse para clicar. Curtir ou não curtir deixará de ser relevante. O que é importante para você hoje? Talvez sequer faça sentido amanhã. Você não terá tempo, sequer, de ler este post até o fim. Ou, talvez, sejamos sinceros: não vai é querer mesmo. Tanta coisa mais interessante acontecendo… Em outras palavras, até os autores terão que parar para refletir e se adaptar. Tempo será algo precioso demais para se perder com leituras que agreguem pouco.

#EuAcredito

#EuAcredito é uma hashtag mágica. Já fez milagres há pouco tempo, mas acho que a razão não vem ao caso aqui, agora. Talvez ainda faça, sei lá…

Parece surreal? Impossível? No início do século passado Internet era algo que nem impossível ainda era: era impensável. O que mudou em 100 anos? Não precisa ir tão longe, então: o que mudou em 50 anos? Há 50 anos se sonharia em ter microcomputador em casa? Notebook, então? E celular? E celular com Internet? Internet? O que era Internet há 50 anos? Falar disso àquela época seria falar em real ou virtual ou seria papo digno de um manicômio? Manicômio real ou virtual? Talvez seja pra lá que todos nós iremos se não nos adaptarmos. Sim, você também! Cuidado…

Felizes os que acreditaram e saíram na frente. Felizes os que se adaptaram com menos sofrimento. Parabenizo-os. Parabéns aos felizes, reais, virtuais, humanos ou animais. Quem não se adapta é extinto. Seleção natural na veia! Se não é fisicamente extinto, é pelo menos socialmente isolado. E viver é mais do que sobreviver.

Minha realidade

Vejo isto dentro de casa. Meu pai não tem (porque simplesmente não usa, por mais que já tenhamos insistido) telefone celular. Quanta coisa ele “abre mão” por não querer se adaptar. Ele tem quase 84 anos e, se Deus quiser e permitir, terá muitos outros anos pela frente. À medida em que o tempo passa, adaptar-se sem um aparelho de telefone celular que tenha acesso à Internet tem ficado mais difícil ou, no mínimo, mais desconfortável. Imagine, então, ele, que se recusa a ter um mero telefone celular… Triste realidade… Minha mãe, com 75 anos, ainda se esforça um pouco mais: tem um smartphone há pouco tempo. Mas odeia um computador como 90% das crianças odeiam verduras. Acessar a Internet para ela é quase uma condenação. Perde oportunidades com isto. Não sei nem se tem consciência de tudo o que perde…

Não precisamos ir longe

Sim, o paradigma já está presente em nosso dia-a-dia. Vejamos:

  • Até uns 200 anos atrás, para se comunicar em tempo real, você deveria estar presencialmente com a pessoa. Hoje, quando você se comunica por telefone, você está com a pessoa de forma real ou virtual?
  • Quando você entra em algum mecanismo de buscas na Internet, como o Google, você faz uma pesquisa real ou virtual?
  • E quando você usa um Google Street View da vida, e enxerga prévia e remotamente uma casa, isto é real ou virtual?
  • E televisão? Um jogo, uma novela, um seriado… Isto é real ou virtual?
  • Idem para o rádio.
  • E quando fantasiamos o sonho de ganhar na Mega Sena, isto é real ou virtual?
  • Isto aqui, este texto que você está lendo, é real ou virtual?
  • E você? Real ou virtual?

Afinal? Real ou virtual?

Algumas destas coisas são tão reais para nós hoje que fica difícil qualificá-las como virtuais. Entretanto, há 300 anos, além de impensáveis seriam taxadas como totalmente virtuais. Se não concorda, tente recordar (ou pesquisar) sobre o caso da locomotiva na primeira sessão de cinema da história. Cenário: fim do século XIX. O público – muito elegante, diga-se de passagem – desesperou-se ao ver a projeção da locomotiva que “pseudo viria” em sua direção. Foi um Deus-nos-acuda.  Correria. Atropelo. Cadeiras voando. Gente machucada. Aquilo era uma novidade! Nunca haviam pensado na possibilidade de uma imagem projetada não ser a própria locomotiva vindo. E hoje, então, te pergunto: uma projeção de cinema é algo real ou virtual?

Pode parecer loucura tudo isto. Mas às vezes é difícil distinguir o que é real e o que é virtual hoje. Imagine quando tivermos muito mais integração graças a estas tecnologias…

Como viver, além de sobreviver neste novo mundo – ou cenário – maluco?

Adapte-se. Revolucione-se. Busque a transformação. Busque o diferente: o improvável, o impossível, o impensável. Porque o impensável de agora será a realidade de daqui a pouco tempo. Talvez minutos. Só quem conseguir adaptar-se conseguirá viver o novo mundo que se desenha. Sobreviver talvez sobrevivam. Mas viver, de fato, é muito mais do que sobreviver.

Fugindo um pouco desta temática, para ter uma ideia de como alguns líderes enxergam o mundo, um certo banco aponta como meta tornar Belo Horizonte a primeira cidade da América Latina que não usará dinheiro em suas transações financeiras. Já pensou? É neste novo mundo que teremos que viver. Coitados dos que não estiverem preparados. Guardar dinheiro debaixo do colchão foi a realidade, talvez, de muitos de nossos avós. Inflação baixa, medos, incertezas, inseguranças levaram muitos a ter uma certa reserva debaixo do travesseiro para dormir mais tranquilo. Guardar dinheiro debaixo do colchão será algo impossível para nós assim que isto se concretizar. Afinal, que dinheiro?

Voltando ao caso do meu pai, percebo o quanto ele perde ao não querer se adaptar às “modernidades”. E as tais “modernidades” chegarão em velocidades cada vez maiores. Como será a vida dele daqui a dez anos, se Deus quiser? Eu digo que meus pais não me entendem, mas eu não entendo meus pais. Não os culpo por tudo, pois isto é um absurdo. Mas tenho medo do que acontecerá comigo quando eu crescer quando me projeto neles. É Russo!

E então? O mundo que vivemos é real ou virtual?

Eu nasci em 1972. Quando nasci o mundo ainda era real. Minha sobrinha nasceu em 2014. Para ela, diferenciar real de virtual às vezes já não faz mais sentido. 42 anos depois, o mundo se transformou completamente. Como será o mundo daqui a 42 anos? Considere o pouco que transformou entre 1930 e 1972 comparativamente às mudanças de 1972 a 2014. Pense nisto! Porque de agora em diante pretendo viver sempre no mundo da lua viajando no Plunct Plact Zum! Afinal, eu nasci há 10.000 anos atrás, junto com Raul Seixas.

Até a próxima. Ou a anterior. A festa é sua!

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