Energia solar: fugindo dos aumentos da conta de energia

Não se vive mais sem energia

Infelizmente, energia elétrica é hoje um insumo essencial para se garantir qualidade de vida, principalmente em centros urbanos. Na zona rural, há habitações ainda sem luz elétrica, mas este pequeno percentual reduz-se a cada dia. Diga-se de passagem, algumas só tem uma alternativa: a energia solar.

Lâmpada, televisão, computador, telefone móvel, telefone sem fio, geladeira, chuveiro elétrico, ferro de passar roupas, forno de micro-ondas… A lista dos equipamentos que dependem diretamente da eletricidade é bem extensa. E a tendência é que este cenário seja intensificado. Por exemplo, pensa-se seriamente em uso massivo de carros elétricos para os grandes centros urbanos. E isto, como dito, é apenas um exemplo…

Convido-o a refletir como seria sua vida sem a energia elétrica. Imagine-se sem telefone: mesmo que seu telefone seja com fio, a central pública precisa de eletricidade. Imagine-se sem telefone, sem Internet, tomando banho frio, seus alimentos estragando mais rapidamente, suas roupas amassadas… Tanta coisa boa a energia elétrica nos proporciona. Às vezes a gente nem se dá conta.

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Energia cada vez mais cara

Por outro lado, o consumo de eletricidade tem pesado bastante nos nossos bolsos. A ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica, responsável por regular este mercado, autorizou no início de março/2018 aumentos das tarifas bastante significativos. Em Minas Gerais, por exemplo, o reajuste médio deverá ser da ordem de 25%. Este percentual é menor para os consumidores de baixa tensão: 22,73%. Porém, para chegar-se ao “equilíbrio”, os consumidores de alta tensão arcarão com aumento de 34,41%. Este aumento deverá afetar diretamente mais de 8,2 milhões de unidades consumidoras, entre residenciais e comerciais. Tratam-se de consumidores de 774 dos 853 municípios mineiros.

Já havíamos falado de aumentos de custo de energia no texto “40% é pouco: energia elétrica pode ficar ainda mais cara!“, ou seja, não é novidade no cenário recente.

Em outras palavras…

Se você é um cliente residencial de Belo Horizonte, sua conta aumentará R$22,73 a cada R$100,00 pagos hoje. Ou seja, se sua conta média hoje é de R$100,00 passará a ser de R$122,73. Se é de R$200,00 será de R$245,46. Se é de R$500,00 provisione R$613,65 a partir de agora. E assim sucessivamente. Pegue suas faturas, faça uma média, e multiplique por 1,2273. Este é o valor aproximado que passará a pagar pelo mesmo consumo de energia.

Pior ainda para os consumidores de alta tensão: percentual de 34,41% de incremento! Quem gastava R$100.000,00 passará a pagar R$134.410,00. Quem gastava R$200.000,00 arcará com R$268.820,00. Quem pagava R$500.000,00 pagará R$672.050,00. O fator de multiplicação para eles é de 1,3441. É mole?

Vale ressaltar que esta autorização não entra em vigor automaticamente. Em Minas Gerais, a proposta passará por audiência pública nas próximas semanas.

Se você pensa que por não estar em Minas Gerais você não tem este problema, está muito enganado. A ANEEL vem concedendo reajustes em todos os contratos que estão sendo renovados. São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia, Pará, Amazonas, Goiás… Onde você está? Não sei. Mas a situação não está boa pra você também…

Posicionamento da ANEEL

A própria ANEEL, através de seu diretor-geral, manifestou preocupação quanto ao nível atingido pelas tarifas. Ele aponta que os aumentos consecutivos exigem que as autoridades se esforcem para conter a escalada de preços. Romeu Rufino (diretor-geral da ANEEL) discute os patamares para assegurar o valor dos investimentos. A ANEEL decidiu manter a taxa de remuneração em 8,09% para as distribuidoras manterem o equilíbrio financeiro. As empresas, por outro lado, reivindicam o aumento desta taxa de forma a incentivar os investimentos. Defendem que, se não for possível elevá-la, que ao menos seja mantida.

Interessante perceber que o próprio órgão regulador está preocupado com o patamar das tarifas. Quem poderá nos defender? Eu não pretendo esperar pelo Chapolin Colorado nem pelo Batman…

Geração de energia por conta própria: uma solução para você!

Sim: há uma luz no fim do túnel! Você não precisa depender – total ou parcialmente – da distribuidora de energia da sua região. Você pode gerar – pelo menos parte de – sua própria energia. E, melhor: gerar em determinado local consumir em outro, desde que dentro de região de abrangência da mesma concessionária de energia elétrica. Por exemplo, você pode gerar a energia no seu sítio em Sabará e consumir em seu apartamento em Belo Horizonte. A legislação assegura esta comodidade a você. Para tanto, ambos os endereços deverão estar interligados pela rede da distribuidora pública. Além disso, devem estar sob o mesmo CPF ou CNPJ.

Já falamos de alternativas para a geração da sua própria energia no artigo Investimentos em Energia Fotovoltaica e Aquecimento Solar.

Como gerar a minha energia?

Sim, você poderia ter um gerador a gasolina ou a óleo diesel em seu terreno. Mas há soluções mais baratas, seja considerando o investimento inicial, seja considerando o retorno ao longo do tempo. As soluções que apresentaremos são mais baratas e sustentáveis (limpas e renováveis). De partida, duas sugestões: energia eólica e energia solar. A energia eólica (dos ventos) pressupõe um consumo muito maior, pois o investimento exigido é também muito alto. Também exige localização geográfica privilegiada, geralmente alto de morros ou montanhas. Já a energia solar (do sol) pode exigir investimento substancialmente menor.

Para quem tem um curso d´água em seu terreno (geralmente sítios ou fazendas), há a possibilidade de construir uma micro usina hidroelétrica. Mas estes são casos esporádicos e muito específicos, além de eventualmente exigir custo de transmissão adicional em razão da distância entre o ponto de geração da energia e o ponto de consumo.

Energia solar: limpa, renovável e confiável

Energia solar, como o próprio nome diz, é a energia proveniente diretamente do sol. É única transformação primária de energia renovável disponível para nós. Renovável até certo ponto, é verdade: um dia o sol vai acabar. Mas isto é uma realidade tão, mas tão distante que até lá não estaremos mais vivos. Acho… Ou espero… Nem nós, nem nossos filhos, netos, bisnetos…

Quando falamos em aproveitar a energia solar, podemos falar em aquecimento solar e energia solar fotovoltaica. Vamos falar sobre cada uma delas.

A título de descontração, outra forma de aproveitamento direto da energia solar é feita pelas plantas. Elas realizam a fotossíntese, utilizando a luz solar para quebrar a molécula de gás carbônico, liberando oxigênio para nós. Obrigado, plantinhas!

Aquecimento solar

Aquecimento solar é o aquecimento de água, apenas. Atende a chuveiros, pias, e outros pontos da residência em que você desejar água quente. De custo de implantação bem menor que a energia fotovoltaica ele é também mais simples. O aquecimento solar pode proporcionar conforto em alguns pontos, como as pias, por exemplo. Mas representa forte viés de redução de custos quando substitui o chuveiro elétrico. Verdade é que não substitui em 100% o chuveiro elétrico, mas reduz substancialmente quando bem utilizado.

Energia solar fotovoltaica

Esta é mais ampla: atende a todas as demandas de energia da unidade de consumo.

Trata-se da implantação de células fotovoltaicas em local de boa insolação e, através dela, alimentar o sistema elétrico. Vale observar que a energia primária é gerada com corrente contínua. Já os aparelhos – a maioria – só funciona com corrente alternada. Para transformar a corrente contínua em corrente alternada é necessária a instalação de um inversor. Se você deseja armazenar sua energia para fazer um sistema totalmente independente, você precisará de um banco de baterias. O sistema isolado tem um nome estranho: off-grid. Não vou entrar no mérito disto. Importante saber, entretanto, que esta é uma solução que viabiliza a eletricidade em sítios e fazendas não atendidas pelas distribuidoras.

Integrando à rede pública

Caso prefira integrar à distribuidora de energia pública, precisa de um equipamento de medição específico e mais sofisticado. O custo deste equipamento, vale frisar, não é seu. Além disto, temos que pensar nos dutos para passagem dos cabos elétricos, os próprios cabos, etc. Não é simples, não é barato. Mas energia elétrica está com preços que viabilizam economicamente para quem tem condições de investir em um sistema fotovoltaico.

Um sistema conectado à distribuidora é também chamado de sistema híbrido. Ele tem algumas vantagens, como a contingência. Faltando sol, ou faltando energia na rede pública, você tem provisão de eletricidade. Você só ficaria totalmente desassistido se ambos os sistemas falhassem simultaneamente, o que é bastante raro… Para ficar sem energia, a rede pública tem que falhar, as baterias descarregarem e a incidência de raios solares não pode estar suficiente. Se você tem um sistema bem dimensionado isto é altamente improvável.

A energia solar fotovoltaica poderia ser utilizada até para aquecimento de água, mas não recomendamos. Não recomendamos meramente por uma questão de racionalização de custos. Afinal, como dito acima, o custo de implantação do sistema de aquecimento solar é bem menor. A racionalidade é obtida através da implantação dos 2 sistemas interligados.

Vale a pena ser totalmente independente da distribuidora?

Esta é uma pergunta difícil de ser respondida. Algumas variáveis a serem consideradas são o custo do banco de baterias, o custo de implantação do banco de baterias, qualidade da insolação, o custo do kWh de energia na localidade, a estabilidade requerida do sistema, a necessidade de um fornecimento de contingência… Existem outras variáveis, claro. Mas as mais importantes são estas, em minha opinião. Vale lembrar que o custo do novo “relógio de luz” (padrão) é de responsabilidade da distribuidora, como dito acima. Observo também que, interligando, mesmo que você tenha produzido em excesso, arcará com custo de taxa mínima.

Quer a minha opinião? A menos que o custo da interligação seja proibitivo, interligue! A relação custo x benefício da interligação, principalmente com a contingência e a recuperação do excedente, costuma compensar. Pense na menor probabilidade de estragar seus alimentos em caso de falta de energia (risco já existentes), por exemplo. Ou perder o último capítulo da novela. Ou a final do campeonato… Ou, mais crítico, manter o funcionamento do seu negócio enquanto os concorrentes estiverem parados por falta de eletricidade…

Como saber se o investimento vale a pena?

O investimento não costuma ser baixo, mas geralmente compensa. O ROI (retorno do capital investido) varia de caso para caso, e já verificamos estimativas de payback em 4 anos. Payback é o prazo em que o sistema se paga. Quanto mais alto o consumo, geralmente menor o payback. E quanto menor o payback, melhor, naturalmente. Se a energia continuar galopando, este prazo vai se reduzir ainda mais. E a vida útil média de um sistema fotovoltaico costuma ser da ordem de 25 anos. Ou seja, se você tem capacidade de investir, geralmente vale muito a pena.

Importante destacar também que, caso você gere um excedente de energia em um sistema interligado à distribuidora, você pode reavê-lo em até 5 anos (60 meses). Suponhamos que você produziu mais eletricidade do que consumiu em abril de 2018. Você poderá recuperar esta energia da distribuidora até março de 2023. Nada mal, concorda? Você pode, por exemplo, produzir mais em uma estação do ano e consumir em outra. Produzir em dias de sol e consumir em dias chuvosos. Produzir de dia e consumir à noite. Talvez você nem precise de banco de baterias. Considerando que o custo do banco de baterias ainda é um dos principais custos, retirá-lo do projeto pode ser bem interessante.

E o prazo para instalação?

Aprovado o projeto, o sistema costuma ser implantado muito rapidamente, dependendo mais do local onde será instalado do que da montagem propriamente. Alguns projetos, após a aprovação, chegam a ser executados em até 2 dias. Sim: 2 dias! Após a execução, vem a interligação com a distribuidora. Este prazo costuma ser o mais dilatado, levando todo processo contado a partir da aprovação, a 30 dias em média. Como é média, há casos mais demorados que um mês. Em outras palavras, a menos que seu projeto tenha alguma peculiaridade impactante, o prazo depende principalmente da distribuidora. Mas há uma luz no fim do túnel: a ANEEL limita este prazo!

Mas quanto tenho que investir?

Bom, isto varia de caso a caso, em função do seu consumo, da unidade da federação, da cidade, se é urbano ou rural, se é residencial ou comercial, da complexidade da instalação, dentre outros fatores. Para facilitar a sua vida, preencha o formulário no início deste artigo para que possamos apresentar números mais precisos. Lembrando que trata-se apenas de uma estimativa, que precisa ser mais bem aferida na vistoria do imóvel. O preenchimento não te gera nenhum compromisso. Nem o recebimento da proposta.

Quer saber mais?

Seguem URL para 3 outros textos já publicados no blog Educando seu Bolso sobre o tema:

Economia de água e energia elétrica

Energia elétrica: Quanto você gasta com cada aparelho?

Faça-se a luz, mas de olho na bandeira

Espero, mais uma vez, ter ajudado.

Até a próxima.

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