Programas de milhagem: Multiplus, Livelo, Smiles…

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Existe uma “moeda” bastante valorizada na praça, para a qual muitas vezes não damos a devida atenção: os pontos dos programas de milhagem de cartões de crédito, como Multiplus, Livelo, Smiles, Tudo Azul e outros. Será que vale a pena usá-los? É importante levar isto em consideração ao planejar sua próxima viagem de férias?

Esse foi o tema da nossa conversa no programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência.

Fred, esses bônus de programas de milhagem, podem entrar no orçamento de alguma forma?

Esses pontos são importantes, sim. E, infelizmente, há muitos brasileiros desperdiçando uma pequena fortuna: temos um estoque de dezenas de milhões de milhas sendo perdidas, porque têm a validade expirada por falta de uso.

Para o nosso leitor e ouvinte entender como funciona, antes de entrarmos nos prós e contras: são aquelas milhas que você adquire a usar o seu cartão de crédito. Você gastou R$ 2000 na sua fatura de cartão de crédito e eles são convertidos em milhas nos programas de milhagem. Em outras palavras, você acumula milhas sempre que usa o cartão. Alguns convertem a um dólar por milha, ou mais. Vamos supor que a pessoa adquiriu 1000 milhas: ela vai diretamente para o extrato do programa, que estão, muitas vezes, dentro dos extratos dos bancos. É só dar uma olhada no site, por exemplo, e você vai ver lá: Livelo, Multiplus, Smiles, ou outros.

Eu tinha um plano do HSBC. Era correntista do banco, então acessava o meu extrato lá e lia lá, por exemplo: “Pontos adquiridos: 1000”. Se, porventura, houvesse alguma leva de pontos que eu perdi por deixar expirar, apareceria lá um débito com os pontos que eu perdi, porque eles haviam caducado.

Eles expiram mês a mês?

Depende do programa. Você vê aquilo no seu extrato bancário. Só que, obviamente, não é dinheiro, não são Reais, são pontos de programas de milhagem. Esse prazo de expirar geralmente é de um ou dois anos, dependendo do programa. Então pode ter esse extrato dentro do próprio site do banco. Como eu falei que era correntista do HSBC, minha conta passou para o Bradesco, que adquiriu o HSBC. E, no caso o Bradesco, eles têm um site separado. O programa de fidelidade do Bradesco, em parceria com o Banco do Brasil, é o Livelo. Eles têm um programa separado de fidelização. Então eu preciso acessar um outro site para verificar realmente e controlar crédito e débito desses pontos. Bem como o resgate, que é o grande objetivo desses programas de fidelização.

Aí eu me pergunto: “Para que eu fiquei acumulando esses pontos? De que me adianta isso?” É uma moeda valorizada, mesmo, porque isso permite fazer o uso de serviços, comprar produtos, passagens aéreas, que é a utilização mais popular dessa moeda. Então, para resgatar, você usa também esse ambiente. No caso do HSBC, o resgate estava dentro do próprio site do banco. No caso do Bradesco, tem que usar Livelo.

Isso vale dinheiro. Acho que o recado principal para o nosso ouvinte hoje é: vamos apertar e torcer para pingar, para sair alguma coisa de onde for possível.

Há empresas que compram pontos da Multiplus, da Livelo etc.?

Sim, há muitas empresas que compram. Um grande negócio, hoje em dia, no Brasil, é você adquirir e revender os pontos desses programas de fidelidade. Há várias delas, uma que a gente já usou e funcionou muito bem é a Maxmilhas.

Vale a pena?

Geralmente vale a pena. Houve uma controvérsia, inclusive jurídica – e eu não sou especialista jurídico – em relação à possibilidade ou legalidade de se fazer essas transações, de revender esses pontos. As empresas Multiplus, Smiles, Tudo Azul, Livelo, alegavam que não era legal fazer esta transação. E parece que tem havido uma decisão ou outra, um pronunciamento dos órgãos de defesa do consumidor, de que é um direito, de quem tem as milhas, cedê-las ou revendê-las a  terceiros, assim como você emite uma passagem com seus pontos, para terceiros, eu posso entrar no meu extrato da Livelo agora, ou do Multiplus, por exemplo, emitir uma passagem para minha mãe, no nome dela. Então, para minha mãe eu não vou cobrar nada, mas se eu porventura emitisse uma passagem para você, por exemplo, eu negociaria um preço justo.

Você disse que muitos brasileiros deixam os pontos expirarem

Eu fico imaginando que muita gente nem sabe que está participando do programa. Todo mundo que tem cartão de crédito, de uma loja, de um posto de gasolina – e quase todas as bandeiras oferecem programas de milhagem – eles oferecem, porque querem fidelizar o cliente. Algumas pessoas ouvem falar em Multiplus, em Livelo, nem sabem direito o que são. Mas podem até já estarem inscritas nesses programas, sem saber.

Mas todo mundo que tem cartão de crédito tem pontos que poderiam ser trocados por serviços ou produtos?.

A maioria tem. Se não tiver, possivelmente isto vai estar explícito. Por exemplo, um cartão popular entre a turma mais jovem, o Nubank, que tem muita gente querendo, não tem anuidade, mas também não oferecia programa de milhagem. O que estão fazendo agora, a partir de críticas de potenciais usuários, é dar a opção de a pessoa adquirir também um programa de fidelidade. Mas aí custava, se não me engano, R$ 190 por ano para participar do programa, para fazer com que os gastos daquele cartão sejam transformados em milhas. Então, se não houver um programa de fidelidade automaticamente vinculado ao cartão, provavelmente isto estará explícito, porque é uma coisa que o brasileiro valoriza muito.

Apesar de, como eu falei, muitos dos que valorizam, que usam isso como critério de decisão, “Não, eu não vou porque não tem milhagem”. Essa mesma pessoa acaba deixando expirar os pontos da Livelo, por exemplo, por descontrole, por falta de planejamento.

Como é a transformação disso em passagem aérea?

É muito tranquilo transformar isso em passagem aérea fora de temporada. Mas em alta temporada é bem mais complicado. Você quase não acha.

Não é vantajoso porque as milhagens são mais altas.

Exatamente. Por exemplo, talvez você consiga viajar com 4 ou 6 mil pontos Livelo, ou Multiplus, Smiles etc., aqui em Belo Horizonte, ou São Paulo, ou Brasília, fora de temporada, numa terça-feira no meio do dia, em novembro, quando não tem ninguém de férias. Mas para viajar em janeiro para a praia você vai pagar as 20, 25 mil. Então, 6 ou 7 vezes mais. Então, a multiplicação disso é por oferta e demanda, mesmo.

Há diferença entre pontos e milhas? Como é que a gente escolhe esse cartão?

Basicamente é uma regra de custo-benefício. Por “custo” a gente entende anuidade – e para quem usa o rotativo, que é não pagar o total da fatura, é preciso ficar muito atento à taxa de juros que o cartão cobra.

A gente já falou aqui várias vezes que não recomenda de forma alguma que nossos ouvintes usem o rotativo do cartão de crédito. Mas para quem sabe que é descontrolado, que vai deixar escapar dois, três, quatro dias, é preciso ficar muito atento à taxa de juros que o cartão cobra. Então fique de olho nesses dois custos: anuidade e taxa de juros do cartão. A custos iguais, vá para aquele que te oferece mais milhas, ou aquele que tem um ambiente de site que você entenda melhor, que seja mais amigável, que tenha parcerias com outras empresas.

Por exemplo, para passar do programa no meu banco eu tinha que transferir para Multiplus, Smiles, Livelo, Tudo Azul. Então, muitas vezes, você tem que fazer um passo de transição para conseguir emitir a passagem. Então, se o seu programa de fidelidade tem várias parcerias, ele te dá mais escolhas de para onde ir e de como usar.

Livelo

Fred, é mais interessante você concentrar os gastos em um único cartão ou programa, ou participar de vários?

Bom, aí já é a resposta que não gostamos de dar: geralmente depende. Vou falar o que eu costumo fazer: eu concentro os meus gastos em um cartão só, porque no programa de fidelidade vale muito o seu poder de fogo. Se você tem 10 mil pontos, para transferir para a Multiplus, para emitir uma passagem pela Latam, eu vou conseguir 10 mil milhas. Se eu tiver 50 mil pontos na Livelo – saiu lá, recentemente, uma promoção do programa Tudo Azul – eu vou receber 40% de bônus – acima de 49 999. Então, se eu vou transferir 50 mil pontos, vou receber um crédito de 70 mil milhas.

Existe hoje, no mercado, uma concorrência grande entre as empresas aéreas para atrair participantes para os seus programas de milhagem. Elas estão oferecendo – e quem faz parte desses programas sabe do que eu estou falando, está recebendo e-mails na sua caixa de entrada com promoções – a possibilidade de que você transfira esses pontos dos seus programas de milhagem para eles.

Você pode sempre fazer esse intercâmbio?

Não, eu posso ir, mas não posso voltar. Esse é que é o ponto. Eu posso sair do programa de fidelidade que eu tenho no banco, no cartão de crédito e ir para Tudo Azul. Depois que eu fui para lá, estou refém dele, só me resta comprar uma passagem. É como se eles garantissem para si mesmos que vão vender uma passagem. “Olha, esse cara veio para cá e agora daqui ele não sai mais”. Enquanto você está no banco, você consegue ir para um, ou ir para outro. Se amanhã aparecer uma oferta boa na Latam, eu vou mandar meus pontos para a Multiplus e lá eu vou adquirir minha passagem.

Livelo

Esta é outra dica que fica. Além de concentrar os pontos para ter um poder de fogo maior, é bom você adiar a transferência do banco para os programas de milhagem. Vamos supor, de uma companhia aérea, se for o caso, seu destino final. Por que? Porque assim você mantém as possibilidades abertas, você pode entrar na porta que você quiser, quando bem quiser. Se você transfere antes, sem ter perspectiva de uso, aquilo fica parado, você não tem mais todas as portas abertas. E o pior: começa a contar o prazo de validade no programa, para expirar um ano, dois anos.

Nós estamos dizendo que isso vale dinheiro, mas não falamos exatamente sobre isso até agora. Existe um mercado para isso. Essas 10 mil milhas valem R$ 250. Isso é dinheiro! Tem relatos lá no blog de pessoa que vendeu 40 mil milhas, ganhou R$ 1000.

Existem até golpes agora, com transferência de milhas.

Sim, é preciso tomar cuidado.

Quais são os cuidados necessários para fazer o resgate?

Para fazer o resgate para si mesmo, o cuidado é o que você normalmente tem com suas senhas. Para fazer a transferência para terceiros, aí você está em uma transação que pode se complicar um pouco, muito embora seja muito comum hoje em dia. Existem diversas plataformas que recebem pontos dos programas de milhagem para fazer a transferência para terceiros. O mais comum é isso ser intermediado até através de agências de viagem.

Eu tenho um o caso concreto: a pessoa tinha 40 mil milhas e queria viajar em janeiro com a família para a praia. Mas, como a gente falou aqui, em janeiro é alta temporada. As companhias estavam exigindo uma quantidade enorme de pontos para viabilizar a viagem aérea. O que ele fez? Ele procurou esses sites, uma agência de viagem – muitas vezes é até combinado, o site tem uma agência. Ele vendeu, conforme nos relatou, 40 mil milhas por R$ 1000. A agência de viagem, ou o site, vão ter acesso aos dados dele. Tem que passar a senha de acesso ao programa – Multiplus, por exemplo, que foi o caso dele – e a senha de resgate, inclusive.

Passar a senha??

Sim, aí a agência passou a emitir passagens para os clientes dela. Parece que emitiram 4 ou 5 passagens, agora no mês de outubro, para São Luís, Teresina, Porto Velho. Existem alguns lugares em que a relação entre milhas e o custo da passagem é mais favorável, que não eram os trechos que ele gostaria de fazer. A agência teve um lucro porque emitiu uma passagem com as milhas dele. Pagou um pouco mais barato do que pagaria se tivesse que comprar realmente a passagem da empresa aérea. Ela teve lucro com o cliente final, que realmente usou aquela passagem, e ele, por sua vez, não deixou os pontos dos programas de milhagens. As milhas dele estavam para expirar em dezembro e janeiro. Então, ou ele usava para essas férias, ou não usava mais com passagem.

Além de passagens, o que é possível adquirir com pontos Multiplus, Livelo etc.?

Pois é, precisamos dizer também que não é só com passagem que dá para usar. Dá para comprar uma bicicleta, micro-ondas, eletrodomésticos. Você tem parceria desses programas fidelidade com lojas de eletroeletrônicos. Então há inúmeras possibilidades de conversão de pontos dos programas de milhagem.

Livelo

Então primeira dica é: não deixe expirar de jeito nenhum, controle bem a validade. Dois: concentre os seus gastos em um cartão só, de preferência que tenha uma boa relação de conversão em pontos. 1,5 milha já é considerada uma boa relação, hoje em dia. Os de uma relação de duas vezes já são bem mais escassos, e muitas vezes eles cobram anuidade cara. A terceira dica: compare bem custos do cartão, taxa de juros, com os benefícios dos programas de milhagem. Muitas vezes não vale a pena você ter um cartão mais poderoso em termos de milhagem se você tem que pagar uma anuidade caríssima para mantê-lo.

Eu percebi também, no mercado, que para eles te oferecerem esse cartão que faz uma conversão favorável de pontos em milhas, também pedem comprovação de renda. Porque eles não oferecem todas as bandeiras de cartão para qualquer consumidor.

É, a gente está falando, para ser mais específico, desses cartões que se chama de black. Esses cartões têm programas de milhagem melhores. Não são oferecidos para qualquer um, realmente só para quem tem uma renda ou um movimento no cartão muito grande. Então a gente tem relato de pessoas que fizeram a reforma da casa e começaram a pagar por tudo através do cartão. Logo o banco chamou, falou “Olha, vem cá, eu tenho um cartão para você aqui”, porque o padrão de gasto dele no cartão aumentou tanto que eles entendiam que aquele cliente era um cliente com poder financeiro maior. Eles não são oferecidos para todo mundo, não.

Então, os cuidados de um relacionamento com uma terceira parte: fornecer sua senha para alguém. Você pode criar uma senha diferente, temporária. Porque você dá acesso a empresa ou agência de viagem ao teu extrato, aos teus programas de milhagem, durante dois meses, por exemplo – porque eles precisam de um tempo para ir recebendo pedidos dos clientes e emitindo as passagens para se recompensar do que pagaram. Eles pagam antecipadamente, inclusive, segundo nos relatou o leitor do blog. Ele recebeu esses R$ 1000 de cara, abriu o acesso à conta dele por dois meses para a empresa e eles foram aos poucos emitindo passagens.

Então até uma análise de crédito essas empresas fazem, de quem está vendendo as milhas. Porque a pessoa pode vender, depois querer dar um golpe em quem comprou, ir lá e mudar a senha de novo, e vender de novo. Então pode ser uma relação meio complicada.

O que eu já vi de golpe é desses em que pessoas te ligam oferecendo serviços, produtos, fala que você pode pagar com os programas de milhagem, te pedem número de cartão.

Ah, sim, é preciso saber com quem está se relacionando, se é uma empresa estabelecida. É muito fácil você criar sites na internet, hoje, que amanhã não existem mais. Então você tem que saber disso tudo, onde é que está situada fisicamente aquela empresa, buscar relatos de experiências anteriores de outros clientes daquela empresa. E hoje é muito fácil fazer isso, através do Reclame Aqui, por exemplo. E entender se aquela empresa realmente honrou as promessas que fez em relação aos negócios passados.

Outra dica: deixar para transferir também de última hora para a emissora de passagem – a Multiplus, por exemplo. Você está dando uma vida útil maior para esses pontos. Para que você tenha mais possibilidades de utilizá-lo. O objetivo é não deixar isso passar, isso vale dinheiro. Como eu falei, isso vale R$ 250. Estamos no ambiente de vacas magras. Não vamos deixar perder.

Tem algum banco, algum administrador de cartão, que fala assim, ‘Olha, você tem tantos pontos, eu te dou tantos Reais’, que faz a conversão em moeda mesmo?

Eu tinha experiência do HSBC, que fazia isso. O programa Valeu, do HSBC, convertia esses pontos em créditos na próxima fatura. Também, mais ou menos nessa faixa. Dependendo do valor, R$ 250 ou R$200, a cada 10 mil pontos. O que era ótimo, porque eu não precisava de fazer essas transações.

E estimula também esse mercado paralelo

No Bradesco, ou na Livelo, que é o mesmo do Banco do Brasil, dois bancos enormes, não há essa possibilidade. Lá fora isso é muito comum, há um produto chamado cashback. Os cartões de crédito são ofertados, fazem propaganda deles na televisão, muito em cima dessa possibilidade. Americano adora isso de ter esse recurso de volta. O American Express é famoso por ter um dos melhores programas de cashback nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, só recentemente começaram a surgir os programas de cashback.

É isso! Estamos à disposição do ouvinte da Inconfidência, dos ouvintes do podcast. Aproveito a oportunidade para pedir o pessoal para avaliar, entra lá na Apple Store, na Google Store. Dizer o que que está achando, inclusive criticar, sugerir temas. A gente quer falar de assuntos facilitem a vida do máximo de pessoas possível. Vamos fazer o nosso dinheiro render!

 

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