Como se chega ao endividamento excessivo?

Assinar Podcast Educando Seu Bolso no Apple Podcasts
Assinar Podcast Educando Seu Bolso no Spotify
Assinar Podcast Educando Seu Bolso no Google Podcasts
Assinar Podcast Educando Seu Bolso no Castbox

“A sua justificativa é o ensino escolar.
Não aprendeu a dividir, só quer multiplicar.”
(O Rappa, Dívida)

Na semana passada publiquei a coluna “Como sair do endividamento excessivo?” Por coincidência, o Banco Central publicou, no mesmo dia, o relatório preliminar de uma pesquisa qualitativa que procurou entender os caminhos que levam as pessoas a essa situação. A pesquisa foi feita por meio de oito entrevistas com grupos de oito a dez pessoas especialmente selecionadas – consumidores com restrições cadastrais ou excessivamente endividados. Os autores esclarecem que, da forma como foi composta a amostra, os resultados não podem ser generalizados para o universo de consumidores. Mas, certamente, nos permitem reflexões interessantes.

Eis os principais motivos que levaram as pessoas a entrar no atoleiro: fatos inesperados, falta de planejamento financeiro e empréstimo do nomeÉ difícil falar sobre fatos inesperados sem cair na especulação; as situações são muito particulares e variadas – perda de emprego, doença na família, gravidez não programada, separação. Posso dar duas sugestões para as pessoas refletirem, dentro de suas possibilidades: procure ter uma poupança para emergências; e pense cuidadosamente sobre ter seguros.

Já a falta de planejamento, bem, esta é uma das principais inimigas contra quem estamos batalhando aqui no blog. Consumo por impulso, excesso de compras parceladas, desconhecimento da própria situação financeira, uso irresponsável do crédito, tudo isso pode e deve ser evitado. A solução para isso passa invariavelmente pela santíssima trindade da educação financeira.

Por fim, o empréstimo do nome, que foi tema de coluna aqui no blog esta semana. A pessoa toma empréstimo para repassar a um amigo ou parente, ou aceita ser fiadora, ou empresta o cartão de crédito… E aí, quando se dá conta, está afundada em dívidas por culpa dos outros, ou melhor, culpa dela própria também.

Outra informação interessante da pesquisa é que muitos dos entrevistados assumiram serem os principais responsáveis pela sua situação de endividamento excessivo, mas alegaram que as instituições financeiras usam armadilhas que as induziram a usar inadequadamente o crédito.

Uma dessas armadilhas é a oferta ostensiva de linhas de crédito. Isso pode ser facilmente percebido no nosso dia a dia. Os dois bancos de que sou cliente costumam divulgar em seus caixas eletrônicos diversas linhas de crédito, antes de realmente iniciar o atendimento. Já cheguei a, apressado, apertar a opção “Quero contratar”, e caí numa página ainda mais sedutora, que me mostrava como era fácil e maravilhoso contratar o crédito e conquistar tudo aquilo que eu mereço… Aham… Sei…

Além disso, nos extratos, o “saldo disponível” costuma trazer, embutido, o limite de crédito, induzindo os clientes mais distraídos a pensarem que têm mais dinheiro do que realmente têm e, assim, a entrarem no cheque especial sem perceberem, pagando juros altíssimos.

Outra armadilha citada na pesquisa está nas faturas de cartão de crédito, no famoso “pagamento mínimo”. É comum a pessoa confundir o valor a ser pago, quitar apenas o mínimo e, sem perceber, rolar uma dívida a juros também altíssimos. E acontece também – mais comum, possivelmente – de a pessoa deixar-se seduzir pelo valor mínimo e, com as próprias pernas, entrar no parcelamento.

Em nosso programa desta semana na rádio Inconfidência, também falamos sobre o tema. Confira!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *