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O que é melhor pro bolso e pra carreira, ser promovido ou ter vários empregos?

Tenho um amigo da faculdade que fez na carreira tudo “como manda o figurino”. Entrou como estagiário em uma empresa gigante, foi efetivado e, poucos meses depois de formar, já estava em um cargo de coordenação. Subiu rápido, seguindo direitinho o roteiro da famosa escada corporativa.

Eu fui para outro caminho. Virei MEI, trabalho como PJ e tenho mais de uma fonte de renda. Ou seja, menos estabilidade, mais flexibilidade e uma certa dose de caos organizada.

Outro dia, conversando, ele soltou que apesar de gostar do trabalho e da evolução rápida, sentia que a rotina CLT estava pesando. Menos tempo, menos liberdade, mais cobrança. Queria testar algo diferente.

Eu ri e falei: “olha… do lado de cá também não é exatamente o paraíso”. Porque não é mesmo. A liberdade existe, mas a insegurança vem junto. Enquanto ele queria mais leveza, eu queria um pouco da previsibilidade dele.

E aí ficou a dúvida que parece perseguir muita gente da nossa geração: será que dá pra equilibrar liberdade e segurança? Ou a gente sempre vai ter que escolher um lado?

O que é carreira profissional?

Carreira profissional é o conjunto de escolhas que você faz ao longo da vida para ganhar dinheiro. Os trabalhos que aceita, as experiências que acumula e os rumos que decide seguir. Durante muito tempo, esse caminho era bem definido. A ideia era entrar em uma empresa, crescer dentro dela e, com o tempo, alcançar cargos e salários maiores.

Hoje, esse modelo continua existindo, mas já não é o único e nem sempre é o mais atraente. A carreira virou algo mais dinâmico. Pode ser um emprego fixo com renda extra, vários projetos ao mesmo tempo ou até mudanças completas de área.

Em vez de seguir um roteiro pronto, o foco passou a ser montar uma trajetória que funcione na prática, que pague as contas e, de preferência, não acabe com a sua sanidade.

Qual o objetivo profissional da Geração Z? 

Quando a gente ouve falar na famosa “Gen Z” a gente imagina adolescentes rebeldes só curtindo a vida sem responsabilidade. Mas o tempo passou e a Geração Z já está sofrendo no mercado de trabalho em um mundo saturado pós pandemia.

E aí, se você perguntar para eles qual é o objetivo profissional, dificilmente vai ouvir “quero ser diretor”. E isso não significa falta de ambição, significa que o conceito de sucesso mudou.

Uma pesquisa do Glassdoor mostra que 68% dos jovens não aceitariam cargos de liderança sem um aumento relevante de salário ou status. Ou seja, só o título já não convence mais. Outro dado desta pesquisa chama atenção. 57% têm alguma renda extra. E isso não é moda, é estratégia. Fato é que depender de uma única fonte de renda hoje em dia parece arriscado demais.

Como membro orgulhosa da Geração Z, tenho um lugar de fala. Eu e meus colegas crescemos ouvindo que o caminho certo era estudar, entrar em uma boa empresa e ser promovida aos poucos, até atingir um cargo de direção, com um salário enorme para bancar os luxos que a gente ainda sonha em conquistar.  

Só que, na prática, esse plano começou a falhar, demissões em massa, salários que não acompanham o custo de vida e burnout viraram parte do cenário. Além de que eu não quero ficar rica aos 70 anos, quero ter dinheiro para aproveitar enquanto eu ainda posso. 

E finalmente, a prioridade mudou. Mais do que crescer no mercado de trabalho, a ideia agora é ter controle. Ter controle da renda, das escolhas e, principalmente, do tempo. E flexibilidade para mim (e pra muitos outros) deixou de ser bônus e virou requisito.

Qual é o preço da flexibilidade na carreira? 

Ter um emprego CLT ainda significa acesso a benefícios importantes tipo férias pagas, 13º salário, INSS e uma certa previsibilidade de renda. E isso ainda faz sentido para muita gente, principalmente para quem não pode se dar ao luxo de receber um centavo a menos no mês, se não as dívidas batem na porta.

Então, buscar mais liberdade na carreira significa abrir mão desses benefícios. E isso tem um custo, mesmo que ele não apareça imediatamente. Eu por exemplo, não tenho horário para bater ponto, mas também não vou receber um salário a mais no fim do ano e se eu parar de trabalhar, não tenho rescisão nem seguro desemprego. 

Ter mais de um salário pode ajudar, claro. Mais entradas de dinheiro aumentam a proteção contra imprevistos. Mas também traz desafios como renda irregular, dificuldade de planejamento e a sensação de que nunca dá pra relaxar totalmente.

O que esperar da minha carreira profissional?

A resposta curta? Menos previsibilidade do que antes.

Para quem está começando, escolher um caminho definitivo parece quase impossível. A dúvida entre fazer o que gosta e o que dá dinheiro continua e agora é acompanhada da escolha entre estabilidade e liberdade.

E deixa eu te dar a notícia ruim? Nenhum trabalho vai entregar tudo ao mesmo tempo. Salário alto, propósito, estabilidade, tempo livre e zero estresse nunca vêm no mesmo pacote. Em algum momento, vai ser preciso priorizar.

Uma boa forma de começar é pelo básico: entender quanto você precisa para viver. A partir daí, dá pra decidir como esse dinheiro vai entrar, seja em um emprego fixo, em múltiplas rendas ou em uma mistura dos dois.

Mas nem só de notícia ruim vive a Gen Z. O bom é que você não precisa acertar tudo de primeira. Dá pra ajustar o caminho ao longo do tempo.

Como construir estabilidade financeira?

Se depender de um único salário parece arriscado, construir estabilidade virou obrigação. E essa estabilidade começa pelo básico.

1. Saber quanto entra: some tudo que você ganha incluindo salário, freela, renda extra. Ter clareza já muda o jogo.

2. Entender para onde o dinheiro vai: sem saber o destino da sua renda, não existe controle. E sem controle financeiro, qualquer aumento de renda perde efeito e a diminuição dela vira dívida.

3. Criar uma reserva de emergência: porque imprevistos vão acontecer. A ideia é estar preparado.

4. Usar crédito com cuidado: conseguir cartão de crédito e empréstimo está cada vez mais fácil e até ajudam, até o momento em que vira problema.

5. Ter paciência para construir patrimônio aos poucos: ganhar dinheiro é importante, mas fazer esse dinheiro crescer é o que traz segurança de verdade. Além disso, mais importante ainda é entender que ele não vai crescer de uma hora pra outra. Apostas, tigrinho e criptomoedas parecem atrativos mas não vão te deixar rico da noite pro dia. 

No fim, estabilidade hoje não é sobre ter um emprego fixo. É sobre estar preparado para quando as coisas saírem do plano, porque elas vão.

Conclusão: o que é uma carreira profissional bem-sucedida?

Eu e meu amigo seguimos em caminhos diferentes e, até agora, nenhum dos dois parece totalmente certo ou errado. Ele tem estabilidade, mas menos tempo. Eu tenho liberdade, mas menos previsibilidade.

E talvez o ponto seja justamente esse. Não existe um único modelo que funcione para todo mundo. Para a nossa geração, sucesso não está só no cargo ou no salário. Ele pode significar: 

  • aumentar a renda sem mudar de cargo
  • trabalhar menos mantendo o mesmo padrão
  • criar projetos paralelos com algo que amamos

Além disso, o sucesso está em conseguir viver sem sufoco, ter alguma segurança, que vai ser construída aos poucos, e entender que está tudo bem mudar de rota quando necessário. No fim, uma carreira bem-sucedida não é a que parece melhor por fora, é a que funciona na vida real.

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