Quem vive de benefício do INSS já sabe: acompanhar notícias e prazos é quase tão importante quanto o valor que cai na conta. Uma regra nova, um prazo esquecido, e o orçamento pode desandar. E foi exatamente isso que aconteceu com as mudanças recentes anunciadas pelo governo, que mexem no auxílio-doença e nos pedidos de devolução de descontos indevidos.
As alterações não são pequenas nem burocráticas. Elas impactam diretamente quem depende do benefício para pagar aluguel, comprar remédios ou manter as contas em dia.
Afinal, o que mudou no INSS?
As novas regras envolvem dois pontos principais:
- O tempo máximo do auxílio-doença concedido sem perícia médica presencial
- O prazo final para pedir a devolução de descontos feitos de forma irregular em aposentadorias e pensões
Na prática, essas mudanças definem quem continua recebendo, por quanto tempo e quem pode perder dinheiro se não agir dentro do prazo. O recado é simples: não dá para deixar para depois.
Auxílio-doença sem perícia: mais tempo, mas com limite
O INSS ampliou o prazo do auxílio-doença concedido apenas com atestado médico, sem necessidade de perícia presencial imediata. Antes, o benefício durava até 30 dias. Agora, pode chegar a 60 dias.
Isso significa que trabalhadores afastados por doença ou acidente conseguem permanecer recebendo o benefício por mais tempo, desde que apresentem documentação médica válida. A ideia do governo é reduzir filas e acelerar o atendimento.
Mas atenção: esse tipo de concessão tem prazo definido. Ao final dos 60 dias, o benefício pode ser encerrado automaticamente ou o segurado pode ser chamado para perícia. Não é algo permanente.
Quem pode solicitar o auxílio sem perícia?
Apesar do nome, não é um benefício “sem avaliação”. O que muda é a ausência da perícia presencial. O segurado precisa apresentar atestado médico completo, com diagnóstico, tempo de afastamento e assinatura do profissional de saúde.
Ou seja, esse modelo costuma ser aplicado a casos considerados mais simples ou de curta duração. Nem toda doença se enquadra automaticamente, e o INSS pode pedir documentos extras ou até negar o pedido se encontrar inconsistências.
Por isso, acompanhar o processo pelo Meu INSS é fundamental. Falta de resposta não significa aprovação definitiva.
Como solicitar o auxílio sem perícia?
Apesar do nome, não é ausência de avaliação. É ausência de avaliação presencial.
O segurado precisa apresentar:
- Atestado médico válido
- Diagnóstico claro
- Tempo de afastamento definido
- Assinatura do profissional de saúde
Mesmo assim, o INSS pode negar, pedir complementação ou simplesmente demorar a responder. E aqui vai um erro comum: silêncio no sistema não é aprovação.
Prazo maior não elimina o risco
Embora pareça uma vantagem, o prazo maior pode virar um problema se o segurado não se planejar. Quando o período acaba, quem precisa continuar afastado pode enfrentar longas filas para conseguir perícia presencial.
Por isso, especialistas alertam que o problema foi apenas adiado. O pagamento acontece agora, mas o risco de ficar sem renda depois continua. Ignorar esse detalhe pode resultar em corte repentino do benefício.
O que fazer antes do auxílio acabar?
Quem recebe auxílio-doença sem perícia precisa acompanhar a data final do benefício. Se a incapacidade continuar, o pedido de prorrogação deve ser feito dentro do prazo.
Esperar o pagamento parar para agir costuma gerar atraso e dor de cabeça. Ter documentos médicos atualizados e acompanhar o Meu INSS regularmente faz toda a diferença.
O básico que deveria ser óbvio:
Esperar o benefício acabar para depois tentar resolver é o caminho mais rápido para ficar sem nada. Então anota aí o que fazer:
- Acompanhar a data final no Meu INSS
- Separar documentos médicos atualizados
- Solicitar prorrogação dentro do prazo
No INSS, atraso custa caro.
Devolução de descontos indevidos: prazo final definido
Outra mudança importante envolve os descontos feitos de forma irregular em benefícios do INSS. O prazo para pedir a devolução desses valores foi estendido até 14 de fevereiro de 2026.
Entram nessa lista cobranças indevidas, erros administrativos e empréstimos consignados não autorizados. Em muitos casos, o desconto aconteceu por meses sem que o beneficiário percebesse.
Mas atenção: o prazo existe. Quem não solicitar até a data limite perde o direito de pedir o dinheiro de volta.
Quem deve ficar atento à devolução?
Aposentados e pensionistas que notaram descontos estranhos no valor do benefício devem verificar se têm direito ao ressarcimento. Isso é especialmente comum entre idosos, que muitas vezes só percebem a redução, mas não sabem a origem.
Por fim, mesmo quem já tentou reclamar no passado deve conferir se o pedido precisa ser renovado dentro do novo prazo.
Como solicitar a devolução no INSS?
O pedido pode ser feito pelo aplicativo ou site Meu INSS. Também existe atendimento presencial, mas as filas costumam ser longas.
Guardar extratos, comprovantes e qualquer documento que comprove o desconto indevido aumenta as chances de sucesso. Deixar tudo para a última hora eleva o risco de erro ou falta de atendimento.
Atenção especial aos idosos
Grande parte das vítimas de descontos indevidos são idosos, que enfrentam dificuldades com aplicativos, senhas e sistemas digitais. Muitos nem sabem que sofreram cobranças irregulares.
Nesse ponto, o apoio de familiares e cuidadores é essencial. Verificar extratos e prazos pode evitar prejuízos importantes.
O INSS não faz distinção de idade quando o prazo acaba.
E se perder o prazo?
Perder o prazo significa abrir mão do direito à devolução. Depois da data final, o INSS não é obrigado a aceitar novos pedidos, mesmo que o desconto tenha sido claramente irregular.
Na prática, quem perde o prazo fica no prejuízo.
Conclusão: dica final ao segurado
As mudanças deixam uma lição clara: no INSS, prazo é coisa séria. O direito pode existir, mas sem ação dentro do tempo correto, ele se perde.
Auxílio-doença sem perícia tem limite. Devolução de descontos tem data final. As regras mudam, mas a responsabilidade de acompanhar continua sendo de quem depende do benefício.
No fim das contas, informação não é detalhe. É proteção financeira.