Move Brasil promete crédito mais barato, mas ainda existem obstáculos para muitos motoristas

Carlos é motorista de aplicativo há quase uma década. Nos últimos anos, o carro passou dos 200 mil quilômetros rodados e a manutenção aparece com cada vez mais frequência. Em casa, a situação também não ajuda. Algumas contas atrasaram, o nome acabou negativado e a ideia de financiar um veículo novo virou um sonho distante.
Por isso, quando ouviu falar do Move Brasil Táxi e Aplicativos, Carlos enxergou uma oportunidade. Afinal, os juros menores podem tornar a troca do carro finalmente viável. O problema é que conseguir um financiamento não depende apenas de taxas mais baixas. A aprovação continua passando pelo crivo dos bancos e, em muitos casos, ainda exige uma entrada significativa.
Ou seja, justamente os profissionais que mais precisam de ajuda para comprar um carro novo podem continuar enfrentando dificuldades para acessar o programa. Mas afinal, o que é o Move Brasil, quem pode participar e quais são as reais chances de conseguir o financiamento?
O que é o Move Brasil?
O Move Brasil é um programa criado pelo Governo Federal para estimular a renovação da frota utilizada por profissionais do transporte. A iniciativa contempla diferentes categorias, como caminhoneiros, entregadores, motociclistas, produtores rurais, taxistas e motoristas de aplicativo.
Para isso, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) disponibiliza os recursos, que repassa o dinheiro às instituições financeiras participantes. Ao todo, o programa conta com mais de R$30 bilhões destinados às diferentes linhas de financiamento.
Como funciona o financiamento do Move Brasil?
Na prática, o processo se parece bastante com um financiamento de veículo tradicional. O motorista escolhe um automóvel que se enquadre nas regras do programa e procura uma instituição financeira habilitada para solicitar o crédito.
O governo impôs limites para os juros e é aí que entra a ajuda. Apesar disso, a responsabilidade ainda é do banco em analisar o perfil do cliente e decidir se aprova o empréstimo. Ou seja, o fato de o programa existir não significa que qualquer interessado terá acesso automático ao crédito.
Quais são as condições oferecidas pelo Move Brasil?
O principal atrativo do Move Brasil está nas taxas de juros. Segundo as informações divulgadas pelo governo, elas podem chegar a:
- 0,91% ao mês para mulheres.
- 0,99% ao mês para homens.
Para efeito de comparação, financiamentos de veículos têm taxas que podem chegar até 3,47% ao mês de acordo com informações do Banco Central.
Além dos juros reduzidos, o programa também oferece parcelamento em até 72 meses e carência de até seis meses para começar a pagar. Vale ressaltar que o financiamento é exclusivo para veículos novos.
Como fazer a inscrição no Move Brasil?
O primeiro passo é realizar o cadastro na plataforma oficial do programa (gov.br/pt-br/servicos/solicitar-adesao-ao-move-brasil-taxi-e-aplicativos).
O procedimento é relativamente simples:
- Acessar o portal do Move Brasil;
- Entrar com a conta Gov.br;
- Solicitar adesão ao programa;
- Informar a categoria profissional;
- Aceitar os termos de participação;
- Enviar a solicitação para análise.
Depois disso, os dados são cruzados com informações das plataformas de transporte, cooperativas e órgãos públicos. Caso a inscrição seja aprovada, o profissional recebe autorização para procurar uma instituição financeira participante e iniciar a análise de crédito
Quais carros estão no programa?
O governo federal criou o programa não apenas para renovar a frota, mas também para incentivar veículos com menor impacto ambiental. Por isso, apenas automóveis novos são aceitos.
Além disso, o veículo precisa:
- Custar até R$150 mil;
- Ser flex, híbrido, elétrico ou movido a etanol;
- Pertencer a uma montadora habilitada pelo programa Mover.
Confira a lista de modelos disponíveis:
| Hatches | Sedãs | SUVs | Picapes |
| BYD Dolphin e Dophin Mini | Chevrolet Onix Plus | Chevrolet Spin, Spark EUV, Sonic eTracker | Chevrolet Montana |
| Chevrolet Onix | Fiat Cronos | Citroën Basalt e Aircross | Volkswagen Saveiro |
| Citroën C3 | Honda City Sedan | Fiat Fastback e Pulse | |
| Fiat Argo e Mobi | Hyundai HB20S | Honda WR-V e HR-V | |
| Geely EX2 | Nissan Versa | Hyundai Creta | |
| GWM Ora 3 | Volkswagen Virtus | Jeep Renegade e Compass | |
| Honda City Hatch | Nissan Kait e Kicks | ||
| Hyundai HB20 | Renault Duster e Kardian | ||
| Peugeot 208 | Peugeot 2008 | ||
| Renault Kwid | Toyota Yaris Cross | ||
| Volkswagen Polo | Volkswagen Nivus,Tera e T-Cross | ||
O financiamento é garantido para todos?
Não. Para participar é necessário estar com cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma de transporte. Também é necessário ter realizado pelo menos 100 corridas nos últimos 12 meses. No caso de taxistas, precisam estar com licença ativa, regularmente cadastrados nos órgãos competentes e estarem em dia com os impostos.
Além disso, mesmo após ser aprovado pelo programa, o motorista ainda precisa passar pela análise de crédito do banco. As instituições financeiras continuam avaliando fatores como:
- Score de crédito;
- Histórico de pagamentos;
- Endividamento;
- Capacidade de pagamento;
- Restrições no CPF.
Ou seja, quem está com dívidas em atraso ou dificuldades financeiras dificilmente será aprovado. Isso acontece porque o risco de inadimplência continua com a instituição financeira.
A entrada pode ser o maior obstáculo
Apesar dos juros mais baixos, existe um detalhe que pode dificultar o acesso de muitos motoristas ao programa: a entrada.
Embora o governo subsidie as condições do financiamento, o risco da operação continua sendo das instituições financeiras. Por isso, muitos bancos devem exigir entrada.
Se essa entrada ficar próxima de 30% do valor do veículo, um automóvel de R$100 mil exigiria cerca de R$ 30 mil de entrada. E na realidade, quem está negativado, com contas em atraso ou mal passando pelo mês sem crédito, raramente tem esse valor disponível para uma entrada. .
Na prática, uma parcela já está fora por estar negativado e os que ainda são aprovados, ainda assim não conseguem concretizar a compra pela necessidade da entrada.
Vale mais a pena financiar ou continuar alugando?
A resposta depende do perfil do motorista.
Hoje, muitos profissionais pagam aproximadamente R$ 2.500 por mês pelo aluguel de um carro. Sob a ótica puramente financeira, o financiamento parece mais atrativo em alguns casos.
Por outro lado, o aluguel oferece vantagens importantes. Quem aluga normalmente não precisa se preocupar com revisões, desvalorização do veículo, venda futura e depreciação.
No fim, a comparação deve ir além do valor da parcela. Por isso, desenvolvemos uma ferramenta que compara aluguel e financiamento de veículos. Nele, você insere seus dados e a conta é feita considerando a sua realidade.
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Conclusão: juros menores não resolvem todos os problemas
No fim das contas, o Move Brasil até entrega uma condição bem melhor do que o financiamento comum. Com juros mais baixos e prazos mais longos, a diferença no valor da parcela pode ser grande.
Pra quem já tem um carro próprio e consegue vender pra dar entrada, a oportunidade fica ainda mais interessante. Em vez de seguir com um veículo mais antigo ou pagando aluguel, dá pra pensar em trocar por um carro novo, gastar menos por mês e até melhorar a categoria nas plataformas de aplicativo.
Mas não é pra todo mundo. A aprovação continua dependendo dos bancos. E, mesmo para quem recebe sinal verde na análise, a necessidade de uma entrada é uma barreira difícil de superar.
A maioria dos profissionais, aqueles que enfrentam endividamento, score baixo ou dificuldades para juntar dinheiro continuam encontrando obstáculos para colocar um carro novo na garagem.










