Moto nova pelo app: o Move iFood vale a pena? 

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Moto nova pelo app: o Move iFood vale a pena? 

Imagine fazer 20 entregas por dia, pagar todas as contas em dia e, mesmo assim, ouvir do banco que você "não tem renda". Afinal, para o sistema financeiro, quem não tem holerite é quase um fantasma. Um fantasma que sobe ladeira de moto debaixo de chuva, mas ainda assim um fantasma.

Por isso, o iFood e a Caixa Econômica Federal querem mudar esse cenário. As duas empresas fecharam uma parceria para financiar moto e bicicleta elétrica para entregadores, usando o que eles ganham no próprio aplicativo como prova de renda.

Em resumo, a ideia é boa. Mas tem um detalhe que não aparece no anúncio: a parcela é fixa, e a renda de quem trabalha com aplicativo não é.

Como funciona o crédito do iFood com a Caixa para comprar moto?

Em outras palavras, pense no extrato do aplicativo como um "holerite digital". Em vez de pedir carteira assinada ou declaração de imposto de renda, a Caixa olha o seu histórico dentro do iFood: quanto você ganha e com que frequência trabalha.

Mas, para isso acontecer, você precisa dar permissão. Esse pedido de permissão aparece, então, na hora de contratar o crédito com a Caixa. Por outro lado, se você não autorizar, o banco faz a análise do jeito antigo, que costuma ser bem mais duro com quem não tem renda formal.

Na divisão de tarefas, cada um tem seu papel:

  • a Caixa decide quem é aprovado e assina o contrato;
  • o iFood só repassa os dados de ganhos que você liberou.

Move iFood: o canal do Move Brasil para entregadores

O crédito faz parte do Move Brasil, um programa do governo federal para ajudar profissionais de entrega a trocar de veículo. Dentro dele, iFood e Caixa também montaram um caminho próprio, chamado Move iFood.

Assim, a grande vantagem é a praticidade. Ou seja, dá para fazer o pedido inteiro pelo celular, sem pisar numa agência. Menos fila, menos papel.

Quanto dá para financiar e quais motos entram?

Os números principais:

  • até R$ 30 mil de crédito;
  • até 48 meses para pagar;
  • só veículos zero quilômetro: motos, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas;
  • motos de até 160 cilindradas.

Além disso, na primeira fase, a lista tem opções das marcas Honda, Yamaha e Vammo.

Pelas regras do Move Brasil publicadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os juros da linha de motos são de até 0,99% ao mês para homens e até 0,91% ao mês para mulheres, com dois meses de carência (período inicial sem parcela). Porém, carência não é desconto: os juros continuam correndo.

Quem pode pedir o financiamento de moto pelo Move iFood?

Mas ter cadastro no iFood não garante vaga. Afinal, a Caixa usa critérios próprios, como há quanto tempo você trabalha na plataforma e se os seus ganhos são regulares.

Além disso, pelas regras do Move Brasil, o entregador precisa ter pelo menos seis meses de cadastro e 100 corridas. E mesmo quem cumpre isso ainda passa pela análise de crédito do banco. Portanto, estar dentro do perfil é só a primeira porta.

Se você começou agora ou faz entregas de vez em quando, confira os requisitos no canal Move iFood antes de escolher a cor da moto.

Compartilhar os dados do app com o banco é seguro?

Porém, o histórico de ganhos do aplicativo conta muito sobre você. Ele mostra quanto você trabalha, em que ritmo e quanto recebe. Em outras palavras, é um raio-x da sua vida profissional.

Ninguém está dizendo que a parceria tem má intenção. Mas clicar em "li e concordo" sem ler é praticamente esporte nacional. Por isso, aqui vale abrir uma exceção. Antes de autorizar, procure saber:

  • quais informações exatamente vão para o banco;
  • por quanto tempo a Caixa continua com acesso a elas depois do contrato.

Por que a parcela fixa é o maior risco para o entregador?

Acima de tudo, aqui está o coração do problema. O dado compartilhado preocupa menos do que a conta que vem todo mês.

A renda de quem trabalha com aplicativo sobe e desce. Por exemplo, tem semana boa e tem semana parada. Enquanto isso, a parcela não quer saber se choveu, se o app ficou fraco ou se a moto foi para a oficina. Ela chega no mesmo dia, com o mesmo valor, com uma pontualidade que nenhum cliente tem.

Estudos recentes apontam que entregadores e motoristas de aplicativo correm mais risco de se endividar justamente por causa dessa renda instável. E ainda tem os gastos que saem do bolso do próprio trabalhador: combustível, manutenção e seguro.

O tamanho do público também chama atenção. Segundo pesquisa do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Brasil tem mais de 1,7 milhão de trabalhadores de plataformas digitais. Além disso, grande parte deles não sabe quanto vai ganhar no mês seguinte.

Juro menor não torna a dívida pequena

Planejadores financeiros já fizeram o alerta: travar uma fatia grande da renda numa parcela fixa é coisa séria, mesmo com juros mais baixos que os de outras linhas de crédito.

Na prática, então, o perigo aparece no mês fraco. As entregas caem, o dinheiro encolhe, e a parcela continua do mesmo tamanho. Sem planejamento, a moto que deveria aumentar a renda vira a dívida que tira o sono.

Conclusão: o que fazer antes de pedir o financiamento de moto do Move Brasil?

Fazer as contas com o melhor mês do ano é como planejar as férias contando com o prêmio da Mega-Sena. Portanto, use números realistas. Estes cuidados servem para qualquer empréstimo de quem trabalha por conta própria:

  • Primeiro, tire a média do que você ganhou nos últimos seis meses, e não só das semanas boas.
  • Depois, escolha uma parcela que deixe folga no orçamento para os meses mais parados.
  • Anote todos os custos do trabalho, como combustível e manutenção, numa planilha de gastos gratuita.
  • Por fim, antes de fechar, compare a proposta da Caixa com outras ofertas num simulador de empréstimo.
  • Lembre do risco de todo financiamento com garantia de veículo: a moto costuma ficar como garantia, e quem atrasa as parcelas pode perdê-la.
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