No programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, falamos sobre máquinas de cartão de crédito. E esse assunto dá pano pra manga... Às vezes pode ser fundamental ao comerciante oferecer aos seus clientes a opção de pagamento por meio de cartão. Mas há alguns detalhes importantes a que ele deve ficar atento. Nossa conversa com o radialista Pedro Vieira foi para esclarecer o tema.
Qual o melhor modelo de maquininha de cartão?
A gente usa muito cartão, facilita muito. Mas o comerciante fica em dúvida: qual é o melhor modelo? E como ele paga pelo uso da máquina?
Algumas administradoras de cartão cobram mensalidade, outras cobram apenas uma porcentagem sobre o volume das vendas. Esta porcentagem pode variar de acordo com o segmento de atuação do comerciante.
Há uma série de novos fornecedores no mercado. Vou citar alguns, sem fazer propaganda de nenhum, apenas para informar: Elavon, Bin, Cielo, PagSeguro, Rede.
Usar cartão é bem prático, as pessoas podem evitar andar com muito dinheiro no bolso, além de outras vantagens. Mas, claro, não nos esquecendo dos riscos dele.
Como escolher a melhor máquina de cartão de crédito?
Estou com uma dúvida da nossa leitora Cristiane. Ela é Microempreendedora Individual – MEI e quer adotar uma máquina. Ela quer comparar as taxas e custos entre as diversas opções existentes, mas não tem estimativa de faturamento.
Fizemos, então, uma simulação. Como ela é MEI, pode ter um faturamento médio mensal de, no máximo, R$ 5 mil. Estimamos que ela fature esses R$ 5 mil, sendo R$ 1 mil em dinheiro e os outros R$ 4 mil no cartão. Esses R4 mil, dividimos em: R$ 1 mil no débito, R$ 2 mil no crédito à vista e R$ 1 mil em crédito parcelado.
Lançamos estes valores em várias opções de máquinas de cartão crédito existentes no mercado. Neste caso, a mais barata foi a Pag Seguro. No primeiro ano ela teria o custo de aquisição da máquina (R$ 480), mais as taxas de desconto, o que ficaria em R$ 2212,80 (para um faturamento de R$ 48 mil).
Entraram na nossa comparação as máquinas da Rede, Cielo, Bin e Elavon, e a Pag Seguro foi a mais barata. E a partir do segundo ano, fica mais barata ainda, pois o comerciante não terá o custo da máquina.
Quanto vou receber pela compra na maquininha?
Certo. A administradora retira sua comissão. Mas e o restante, o comerciante recebe imediatamente?
Nem sempre. Depende da empresa e da função. No débito, a pessoa leva em média 2 ou 3 dias para receber. No crédito à vista, a pessoa leva cerca de 30 dias. No crédito parcelado, recebe de acordo com o número de parcelas em que foi efetuada a venda.
Este é um ponto importante. Para o comerciante adotar esta forma de recebimento, ele precisa se planejar financeiramente. Precisa entender a gestão financeira do pequeno negócio. Não é muito diferente da gestão financeira pessoal. A maioria de nós tem seus recebimentos e despesas ocorrendo periodicamente, mês após mês. E todos precisamos equilibrar bem nossas receitas e despesas ao longo do tempo. Da mesma forma, é importante que o comerciante saiba que não basta implantar a máquina, começar a vender mais, e agir como se já tivesse o dinheiro em mãos. É preciso se acostumar com o fato de que, ao adotar máquinas de cartão de crédito, o tempo da venda pode ser bem diferente do tempo do recebimento.
Antecipação de recebíveis
Aí entra outra forma pela qual as administradoras vêm ganhando dinheiro: a antecipação de recebíveis. Por meio desta modalidade, o comerciante recebe o valor das suas vendas imediatamente, mesmo que tenha vendido a prazo. Isto, claro, vai lhe custar dinheiro. As administradoras antecipam o valor, mediante uma taxa de desconto maior.
Muitos comerciantes, quando têm urgência de dinheiro para honrar seus compromissos, recorrem a esta opção. Para o banco, isto é uma operação de crédito comum, sujeita a taxas e outros custos. Por isso é muito importante que o comerciante entenda e se adapte a esta forma de realizar vendas. Quanto menos taxas ele pagar, melhor, evidentemente.
É importante reparar que, mesmo sem a antecipação de recebíveis, o custo não é baixo. Na opção mais barata que encontramos para a Cristiane, o custo foi de mais de R$ 200, em um faturamento de R$ 40 mil. Isto é, mais de 5%. Não é pouco. Quem é comerciante sabe que não é fácil conceder um desconto de 5% aos clientes. Da mesma forma, não é fácil pagar uma taxa dessas à administradora. Por isso, é fundamental gerenciar bem as entradas e saídas de dinheiro, para não precisar adotar a antecipação de recebíveis e aumentar mais ainda o desconto.
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