Guardar para comprar X comprar parcelado: o que vale mais?

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Na edição da última sexta-feira do jornal O Tempo, a repórter Ana Paula Pedrosa trouxe matéria com o seguinte título: “Economista aconselha a fazer prestação em vez de poupar”. Reproduzo abaixo um trecho da matéria – a íntegra pode ser lida aqui: “Segundo o economista Márcio Lana, conselheiro do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), ‘o pequeno poupador não tem alternativa’. ‘O que ele pode fazer é antecipar alguma compra e pagar a prestação’, diz. Ele explica que se a pessoa quer uma geladeira que custa R$ 1.200 e pode pagar R$ 100 por mês, é melhor assumir a prestação. No cenário atual, com inflação alta e rendimento baixo, se a pessoa juntar os R$ 100 por mês, quando ele chegar a ter R$ 1.200, o produto já estará bem mais caro e seu dinheiro terá um rendimento muito menor. ‘O dinheiro está sendo corroído’, segundo o economista”.

Pegando o gancho para uma reflexão, que me desculpe o Márcio , mas não posso concordar com a recomendação dele, por algumas razões. Vamos lá:

  1. O fato da poupança ter perdido da inflação em janeiro não quer dizer que ela vá perder no ano inteiro. Aliás a estimativa para o rendimento anual da poupança (7,5%) é ligeiramente superior à expectativa de inflação para 2015 (7,3%). Ou seja, a se confirmarem estas expectativas, mesmo uma aplicação ruim como a poupança teria um ganho real, o que significa dizer que o dinheiro não está sendo corroído, contrário ao que disse o Márcio;
  2. Como já comentamos aqui no blog e também no nosso programa de rádio,  há aplicações muito melhores do que a poupança, não é mesmo?! Mesmo pegando o caso citado pelo Márcio, do pequeno poupador – R$ 100,00 por mês –, é possível investir, por exemplo, no Tesouro Direto (saiba como) com valores tão pequenos quanto R $30,00. Lá, além da segurança de aplicar em títulos do governo, os menos arriscados de todos, você terá acesso a remuneração líquida de Imposto de Renda de aproximadamente 10% ao ano, ao invés dos 7,5% da poupança. Ou seja, bem maior do que os 7,3%  esperados para a inflação. Cadê a corrosão do dinheiro mais uma vez?!
  3. Por fim, mas não menos importante, o gasto agora te compromete com um parcelamento. Engessa seu orçamento. Já uma aplicação financeira te permite justamente o contrário. Flexibilidade durante o período de acúmulo do dinheiro para a compra do bem, a tal geladeira a que ele se referiu. Suponha por exemplo que algum imprevisto lhe ocorra durante o ano. Desemprego, despesa eventual ou outros. Será que dá pra usar a geladeira pra substituir a renda do salário ou pra enfrentar esses gastos não previstos?

Aqui no Educando Seu Bolso, nós continuamos com a nossa recomendação de sempre: que você construa sua reserva financeira, mesmo que seja aos poucos, e que coloque os altos juros brasileiros pra jogar a seu favor.

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