Não só mais endividados, endividados por mais tempo…

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Duas pesquisas para embasar este texto

Segundo recente pesquisa sobre o endividamento e a inadimplência do consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de brasileiros endividados gira em torno de 62,7%. Isto compromete toda a estrutura familiar.

Já a Serasa Experian realizou pesquisa que apontou que a reincidência de caloteiros em 2013 foi de 36,6%. Isto significa que mais de um terço das pessoas que atrasaram contas em 2012 voltaram a atrasar pagamentos em 2013. Se serve de consolo, este número é melhor do que os verificados nos anos anteriores. Sim, pasme: estamos melhorando.

O que elas nos mostram?

São dados preocupantes, apesar de que você pode não estar achando novidade. Afinal, quase todo mundo sabe que a maioria dos brasileiros vive endividada. Se os números apontados são médios, significa que se temos pessoas que não estão endividadas, é bem provável que outras estão enforcadas…

E não é só isto: o tempo médio da dívida continua aumentando. Agora, em média, temos o povo endividado por quase 7 meses (6 meses e 27 dias). Mais de 30% das famílias possuem dívidas que se arrastarão mais de um ano! Ainda que estejamos em um país no qual o desemprego formal está baixo, a estatística pode estar boa para a economia mas é preocupante pontualmente para quem está desempregado.

O fantasma do desemprego

Devemos lembrar que para o arrimo de família que perde o emprego ao longo do período em que está entre os endividados torna-se substancialmente perigosa a fronteira entre o endividamento e a inadimplência. Perder o emprego nos próximos 3 meses pode ser algo improvável para alguns, mas será que podemos dizer que continua sendo tão improvável quando falamos de prazos mais longos? Eu acho que não. Quanto mais distante o futuro, mais imprevisível ele é.

Você sabe quanto paga de juros?

Para piorar, o brasileiro em geral não tem o hábito de comparar taxas de juros, ou mesmo verificá-las no momento de se endividar. Em geral, está preocupado é se a prestação vai “caber no bolso”. Pode até caber enquanto as receitas e as despesas estiverem “comportadas”. Mas e se ele perde o emprego? E se surge um imprevisto urgente? Enfim, se surge qualquer problema que reduza as receitas ou aumente as despesas de modo que as dívidas estourem o orçamento?

Evite endividar-se

Endividar-se raramente é algo positivo. Há exceções, mas a dívida comum é ruim, mesmo de curto prazo. O que dizer, então, das dívidas mais longas, especialmente quando não estamos atentos à busca das melhores taxas? Não é comum um brasileiro comparar taxas de juros quando contrata uma dívida. Imagine você pagando parcelas de uma dívida mais cara – porque não comparou os juros – por looooongo tempo…

Confiram nosso podcast abaixo com dicas para quem está no vermelho.

Até a próxima.

(Publicado com alterações também em http://vocemaisrico.com/2014/03/31/nao-mais-endividados-endividados-por-mais-tempo/)

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