BBzinha e Bradesquinha, as novas maquininhas

Nosso assunto nesta semana, no programa Em Boa Companhia, mais uma vez foi máquinas de cartão. O ponto de partida foi o lançamento das marcas BBzinha, do Banco do Brasil, e Bradesquinha, do Bradesco. O que significa, para o mercado, o lançamento de marcas próprias de maquininhas de cartão por duas instituições tão grandes?

Banco do Brasil e Bradesco já têm participação acionária na Cielo. Isto é, eles já estavam faturando no mercado de máquinas de cartão Então por que lançar máquinas próprias? O que BBzinha e Bradesquinha podem lhes trazer, que a Cielo já não trazia? Em nossa visão, há mais de um motivo. Vamos comentar no podcast e no texto.

Esse assunto sempre rende muita conversa. Além do papo sempre agradável com Pedro Vieira, hoje nós também comentamos dúvidas e experiências trazidas por ouvintes. Ficou bem legal a conversa, vale a pena ler e ouvir.

BBzinha e Bradesquinha

Pois bem, Banco do Brasil e Bradesco lançaram suas maquininhas de cartão, batizadas de BBzinha e Bradesquinha, respectivamente. O mercado já tinha a Moderninha, a Minizinha, agora vêm aí mais duas “inha”. Se a Caixa lançar a dela, será que vai se chamar Caixinha? O Sport Club Corinthians Paulista já lançou a sua Fielzinha – não é piada, lançou mesmo. Se o Boa Esporte lançar uma maquininha, será que vai se chamar Boazinha? E se a montadora de automóveis Lada lançar a sua, será que vem aí a Ladainha?

Brincadeiras à parte, o nome importa pouco. O que nos interessa é entender o que essas duas gigantescas instituições financeiras, os maiores bancos do país, pretendem ao lançar suas marcas próprias de máquinas de cartão. E não são só esses dois: a Caixa e o Itaú também vêm estudando o assunto. O Santander já tem a sua marca própria de maquininhas, a GetNet.

Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica já são acionistas da credenciadora de cartões Cielo. Itaú já controla a credenciadora Rede. Por que será, então, que esses bancos decidiram lançar suas marcas próprias?

Faturamento direto

Bem, um dos motivos é bastante intuitivo: os bancos querem faturar no mercado de credenciamento de cartões de forma mais direta. BB e Bradesco controlam a Cielo, mas as empresas são independentes. Com o lançamento de Bradesquinha e BBzinha, o faturamento vai diretamente para a instituição financeira.

Fidelização

Outro motivo é reforçar a marca do banco junto aos seus clientes. Agora o banco poderá, além de fornecer conta corrente, crédito e outros serviços, oferecer também a máquina de cartão. Isso reforça a fidelização e permite elaborar pacotes de serviços mais atrativos para os clientes.

Fortalecimento da marca

Além da fidelização junto aos seus próprios clientes, ter a maquininha própria ajuda a fortalecer a imagem do banco junto ao mercado como um todo. Isto é, junto aos clientes dos seus clientes. Afinal, a máquina de cartão geralmente fica exposta no balcão, e passa pelas mãos e olhos das pessoas todos os dias, em um momento psicologicamente importante: o da concretização da aquisição do produto ou serviço. Parece pouco importante, mas não é. Pense bem, dezenas de pessoas diariamente olhando para a marca BBzinha e para a logomarca do Banco do Brasil. Isto não é pouca coisa, não.

Informação

Mas há também um motivo importante, muito interessante e que muita gente não percebe: a informação. Ao fornecer o serviço de credenciamento de cartões, a instituição financeira passa a acompanhar a vida financeira do seu cliente. Com muita precisão, riqueza de detalhes e em tempo real.

O banco passa a saber em que período do ano, do mês, da semana, ou mesmo do dia o seu cliente vende menos ou mais. Sabe se os clientes dele preferem pagar no débito ou no crédito. Sabe se preferem parcelar o pagamento de suas compras ou não. E, o mais importante: o banco passa a saber QUANTO seus clientes receberam e têm a receber.

Por que essa informação é tão preciosa? Bem, por vários motivos.

Verificando o fluxo da BBzinha, o Banco do Brasil pode, por exemplo, saber se seu cliente tem valores a receber que podem ser dados em garantia em operações de crédito.

Acompanhando o movimento da Bradesquinha, o Bradesco pode saber como anda o fluxo de caixa de seu cliente. Assim, pode oferecer produtos e serviços adequados às suas necessidades e possibilidades em cada momento.

A utilização de informações sobre fatos e comportamentos não é novidade. Não é de hoje que praticamente todos os nossos passos na internet são monitorados, e que essa informação pode ser transformada em ações de marketing. Isso pode ser um pouco incômodo e assustador, mas tem também um lado prático e bastante útil para o consumidor.

Você já deve ter percebido que, logo após pesquisar preços de algum produto na internet, você começa a receber ofertas daquele produto, nas mais variadas formas. Coincidência? Claro que não. Marketing puro!

O que o lançamento de BBzinha e Bradesquinha significam para o mercado?

Acabamos de mencionar alguns dos motivos que possivelmente levaram os maiores bancos do país a lançarem suas marcas próprias de máquinas de cartão. Mas, sob a ótica do mercado, o que isso significa? O que está por trás disso?

Concorrência

Bem, em primeiro lugar, parece que a concorrência está surtindo efeito. Quem acompanha o Educando Seu Bolso sabe o quanto nós falamos sobre a importância da concorrência. O mercado de serviços financeiros no Brasil é bastante concentrado. Os cinco maiores bancos do país concentram entre 80% e 90% de alguns dos principais serviços financeiros, como depósitos e crédito.

No caso específico dos serviços de credenciamento de cartões – representado pelas maquininhas de cartão – a coisa é um pouco diferente. As pequenas empresas têm se mostrado bastante competitivas e têm mudado a cara do mercado. Por exemplo, bastou uma pequena credenciadora oferecer isenção de taxas durante um período, e logo em seguida outras – até maiores – passaram a oferecer também.

Isso é muito bom. Significa serviços com maior qualidade e menores preços para os clientes. BBzinha e Bradesquinha poderão significar serviços melhores para os clientes dos dois bancos e, esperamos, para os clientes de outras maquininhas também.

Crescimento do mercado

O aumento no número de fornecedores de máquinas de cartão tem origem em um fato muito simples: o aumento da demanda dos consumidores finais. É crescente o número de pessoas que usam cartões. Além disso, as pessoas usam seus cartões com cada vez mais frequência, até para compras de valores bem baixos.

Até alguns anos atrás, era absolutamente impensável pagar um taxi ou comprar algo de um vendedor ambulante usando cartão. Hoje em dia, isso é cada vez mais comum. Daqui a algum tempo, a exceção vai ser o taxista ou o ambulante que não aceitam cartão.

(aliás, daqui a pouco tempo as pessoas nem usarão mais os cartões de plástico, e sim meios de pagamento 100% eletrônicos; mas isso é assunto para outro post…)

O aumento da preferência do consumidor final por pagar contas com cartões provocou o aumento da demanda dos comerciantes e prestadores de serviços pelas maquininhas. Os avanços da tecnologia fizeram com que pequenas empresas pudessem entrar neste mercado em pé de igualdade, atendendo à demanda e expandindo o mercado.

O resultado é que há muito dinheiro correndo neste mercado. Em 2017 o mercado de cartões movimentou mais de R$ 1,36 trilhão de Reais! É claro que as grandes instituições financeiras também estão de olho nestes números. Com isso, aí vêm BBzinha, Bradesquinha e quem mais chegar.

Mas como escolher?

Bem, com tantas marcas, como o comerciante, o empreendedor e o autônomo podem escolher? Não é fácil. Se fosse somente uma questão de comparar preços, seria fácil. Mas não é simples assim.

É preciso, por exemplo, comparar as taxas de desconto que as credenciadoras cobram por cada compra. E há taxas para débito, para crédito à vista e para crédito parcelado. Além disso, é preciso comparar o aluguel da máquina. Só que algumas não cobram aluguel, mas vendem a máquina. Outras não cobram nada. Há ainda a famosa antecipação de recebíveis, isto é, receber à vista pelas vendas feitas a prazo.

É muita coisa junta para pesquisar, comparar, decidir…

Foi por isso que nós desenvolvemos o Simulador de Máquinas de Cartão. Por meio dele, o empreendedor que deseja ter uma máquina de cartão pode comparar com mais facilidade as várias opções disponíveis.

O uso é muito simples: a pessoa informa seu ramo de negócios e alguns números básicos sobre suas vendas. Nosso Simulador calcula quanto ela gastaria para ter cada um dos modelos de máquinas. Os resultados vêm ordenados, da mais barata para a mais cara, levando em conta todos os fatores que compõem o custo. Esta informação é, possivelmente, a principal – embora não seja a única – na hora de escolher que máquina usar.

Reveja suas escolhas

Mesmo que você já tenha uma máquina de cartão em seu estabelecimento, recomendamos que use nosso Simulador. Afinal, pode ser que haja algum produto mais barato no mercado, e você não saiba.

É importante revermos periodicamente tudo aquilo que contratamos, em nossa casa e em nosso negócio. Isso vale para diversos serviços: telefonia celular, internet, TV por assinatura, seguros – e, claro, a maquininha de cartão de crédito. Há quanto tempo você vem contratando os mesmos fornecedores, sem dar uma conferida na concorrência?

Recentemente fizemos uma pesquisa informal com empreendedores e profissionais autônomos, procurando entender como eles escolheram suas máquinas de cartão. As respostas foram variadas. Alguns deles contrataram suas máquinas anos atrás, quando não havia muitas opções disponíveis, e nunca mais procuraram outra. Outros queriam fugir do aluguel, e por isso contrataram uma que não é alugada, mas vendida. Outros não quiseram confiar em empresas novas, e adotaram soluções de bancos famosos. E, naturalmente, muitos avaliaram as taxas cobradas pelas credenciadoras, em busca da opção mais barata.

O resultado da pesquisa virou uma série de três posts muito interessantes, que publicamos recentemente. Vale a pena conferir.

Capital de giro

Falando em “taxas cobradas pelas credenciadoras”, há um ponto muito importante que quero ressaltar aqui. É a operação conhecida como antecipação de recebíveis. Como o nome diz, é a operação em que a credenciadora paga antecipadamente, ao empreendedor, as vendas que ele fez a prazo. Então, se o lojista faz uma venda parcelada em 10 vezes, mas deseja receber o valor todo de uma vez, a credenciadora antecipa o pagamento e credita o dinheiro na conta dele, alguns dias após a venda. Parece bacana, né? Mas é claro que você sabe que não existe almoço grátis. Essa operação custa dinheiro, e não é pouco. As taxas de desconto para antecipação de recebíveis costumam ser bastante altas.

“Ah, Ewerton, mas eu preciso de capital de giro, não tenho como fugir da antecipação de recebíveis”!

Opa. Concordo com a primeira parte da frase, discordo da segunda. Vamos lá.

É claro que seu negócio precisa de capital de giro. Você precisa de dinheiro para pagar fornecedores, adquirir insumos, pagar funcionários. É natural.

Mas somos convictos de que, em condições normais, é possível aos empreendedores manter capital de giro sem depender de operações de crédito caras. Sabemos que, no Brasil, às vezes é difícil falar em “condições normais”. Este não é um país muito normal. Não queremos dizer que seja fácil empreender no Brasil. O que queremos dizer é que, mesmo com toda a maluquice reinante no ambiente de negócios do nosso país, muitas vezes é possível se organizar, planejar e manter um capital de giro sem pagar juros por ele.

Não é fácil, mas é simples

Vamos supor que um empreendedor inicie todos os meses necessitando de R$ 5 mil para capital de giro. Como ele não tem o dinheiro, precisa antecipar o recebimento de suas vendas a prazo. Para isso precisa sacrificar, digamos, R$ 5500 em vendas. Todo mês é a mesma coisa: antecipa R$ 5500 para receber, à vista, os R$ 5 mil.

É importante que este empreendedor faça um plano para se ver livre dessa ciranda. Que estabeleça a meta de, por exemplo, precisar antecipar, a cada mês, R$ 1 mil a menos em vendas. Então, no primeiro mês, ele se esforça para chegar ao dia 30 com pelo menos R$ 1 mil guardados para capital de giro. Assim, precisará antecipar apenas R$ 4 mil. Já vai sacrificar menos as suas vendas futuras. No segundo mês, tenta guardar R$ 2 mil. E assim por diante, até que um dia, finalmente, vai conseguir virar o mês com os R$ 5 mil. Assim, poderá receber as suas vendas a prazo no momento certo, sem pagar mais por isso.

“Ah, Ewerton, falar é fácil, né?”. Sim, falar é facílimo. Eu sei que, na prática, as coisas podem não sair como o planejado. Mas, se você não planejar, aí é que não acontece nada mesmo. É importante se organizar, estabelecer objetivos para ficar livre dos custos mais sacrificantes.

Concluindo

O podcast ficou muito bacana. Eu sei, quase toda semana eu falo isso, mas desta vez o Fred e o Pedro estavam especialmente inspirados. Fizeram umas comparações muito legais entre Guerra nas Estrelas e a guerra das maquininhas. Não vou dar spoiler, ouça lá, vale a pena.

BBzinha e Bradesquinha foram apenas o ponto de partida. A conversa levantou voo. Trouxemos as experiências de três ouvintes da Rádio Inconfidência. Uma senhora que telefonou para lá, ao vivo, perguntando se um comerciante pode cobrar preços diferentes para vendas com dinheiro e com cartão. Pode, sim. E, acredite, esta é uma boa notícia. Ouça o programa e entenda o porquê. Outros dois ouvintes enviaram mensagens contando sobre como lidam com vendas e recebimentos por meio de cartões. Fizemos nossos comentários sobre isso também.

É isso. Os meios eletrônicos de pagamento são o presente e o futuro. Esteja você na condição de consumidor final ou de vendedor, é importante saber usá-los. Nós estamos aqui para ajudar. Acompanhe nossos posts e podcasts, envie suas dúvidas e comentários. E não deixe de se planejar!

Bbzinha

 

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