Colecionar figurinhas é barato ou caro no Brasil?

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Colecionar, por quê?

O hábito de colecionar é muito, mas, muito antigo. Qualquer coleção que seja: de objetos de arte, selos ou figurinhas! Perpassa pelas épocas pré-históricas, pela Roma antiga, pelo faraó Tutancâmon, pelos séculos XVI e XVII e, claro, pelos dias atuais. E uma pessoa em particular resolveu investigar os motivos: o historiador alemão Philipp Blom. Em seu livro “Ter e Manter: Uma história íntima de colecionadores e coleções”, ele afirma que o ato de colecionar tem explicações psicológicas, histórias e filosóficas.

Segundo ele, os principais motivos podem ser: a necessidade de pertencimento a algum grupo, a simples “modinha”, desejos não-realizados, vontade de isolamento e de controle do mundo. Segundo o escritor alemão em seu livro, após a fase da infância, colecionar é puro saudosismo. É a vontade de reviver momentos maravilhosos que os adultos, de modo geral, não têm mais. É querer voltar a jogar “bafo” (ou “tapão”; cada cidade denomina de uma forma) com os colegas da escola.

Educar através das coleções

Mas, não pense que o ato de colecionar é ruim e um hábito dos isolados e frustrados. Pelo contrário! Quando se é criança, colecionar pode ajudar muito na formação como ser humano. É uma ótima forma de ensinar lições importantes de organização e controle. É ensinar, também, que quando se tem um objetivo, deve-se buscá-lo com dedicação e com foco. Todos esses são ótimos hábitos para  serem replicados nos cuidados com as finanças pessoais. Isto é, aproveitar o momento para transmitir bons ensinamentos.

Começo, meio e fim

Outro motivo para colecionar, sejamos crianças, adolescentes ou adultos, é o desafio de terminar uma atividade.  É conquistar, é terminar o que foi iniciado, é buscar um objetivo. Segundo o renomado filósofo Mário Sérgio Cortella, ninguém monta um quebra-cabeça de 5.000 peças, por exemplo, para ver a imagem construída, afinal, já vimos na capa da caixa como ela será. Monta-se para concluir uma difícil tarefa e ter a sensação de “dever cumprido”. O que leva um adulto a completar um álbum de figurinhas é o prazer de brincar, retomar as sensações da infância e de completar a tarefa. E o ato de completar gera duas sensações antagônicas: a felicidade em finalizar uma empreitada e a tristeza porque a “brincadeira acabou”.

Geografia, história, idiomas…

Um terceiro motivo para colecionar é abordar algum tema específico. No álbum da Copa do Mundo de 2018 há seleções de diversos países e de quase todos os continentes. Será bem mais interessante praticar alguns conceitos de geografia, história e idiomas através do álbum. Ensinar a pronúncia de alguns nomes em inglês ou espanhol, por exemplo, com os nomes de jogadores do Uruguai ou da Austrália, será bem mais divertido. Ou, talvez, demonstrar a importância dos acidentes geográficos para um conflito internacional atual ou algum momento histórico importante, será muito mais bem aprendido com a ajuda do álbum de figurinhas.

Raciocínio financeiro

O álbum, os pacotinhos e as figurinhas avulsas são exemplos reais de coisas que custam dinheiro. São uma forma de se abordar o assunto com a criança de maneira que ela compreenda com facilidade. E são vários os valores envolvidos, veja só:

  • Figurinha avulsa, pedindo pelo site: R$ 0,40
  • Pacotinho de figurinhas: R$ 2,00
  • Álbum comum: R$ 7,90
  • Álbum de capa dura: R$ 49,90. Mas, vem com R$ 24,00 em figurinhas.

Durante a coleção, são várias as situações em que a criança lida com cifras e, assim, exercita cálculos e planejamento financeiro. É a matemática aplicada de forma simples e lúdica.

Negociação

Trocar as figurinhas pode ser uma excelente aula de negociação. Se as trocas forem feitas nos locais públicos, pode ser uma ótima oportunidade para a criança aprender a interagir com desconhecidos, de forma segura. Especialmente para crianças tímidas, pode ser uma oportunidade e tanto.

Mas, além disso, as trocas são uma forma de a criança aprender a negociar.

Imagine a seguinte situação: João está quase completando o álbum, e tem uma enorme quantidade de figurinhas repetidas. Artur, ao contrário, ainda está no início do álbum. Numa situação assim, você não acha plenamente aceitável que João troque duas de suas repetidas por apenas uma de Artur? Afinal, para quem está quase completando o álbum, cada figurinha nova significa muito. E suas repetidas, daqui a pouco, não servirão para mais nada.

Esta é uma situação muito clara para João aprender que, às vezes, o valor é diferente do preço. Por outro lado, se Artur pedir CINCO figurinhas, e não apenas duas, é uma oportunidade para João entender que, mesmo em certas situações, não se pode aceitar preços abusivos. E Artur poderá aprender que, geralmente, quem tudo quer, tudo perde.

Risco

A noção de risco, dentro das finanças, também pode ser trabalhada por meio de um álbum de figurinhas. Ao contrário do que muitos pensam, a palavra risco, em finanças, não significa a possibilidade de que algo ruim aconteça. Ela está mais ligada à imprevisibilidade, a chance de que algo ocorra fora do esperado, seja para o bem ou para o mal.

Tomemos a história de João e Artur, por exemplo. E se João der as duas figurinhas para Artur em troca de uma e, logo em seguida, encontrar alguém que trocaria a mesma figurinha por apenas uma das suas? É um risco.

E se a criança já tiver conseguido mais de 400 figurinhas em seu álbum, e faltarem cerca de 200? Compensa comprar mais pacotinhos na banca?

A criança conhece alguém que vende figurinhas à sua escolha, por R$ 1,00 cada. Compensa? A partir de que momento da coleção?

Enfim, são muitas as situações em que a criança pode trabalhar a noção de risco.

Entre irmãos

E se a pessoa tem mais de um filho que quer colecionar as figurinhas da Copa do Mundo 2018? Bem, pode ser interessante ter apenas um álbum para a família inteira. Afinal, pode ser bem mais enriquecedor trabalhar a cooperação do que a competição.

E por aí vai…

A motivação para colecionar alguma coisa é algo muito particular. Alguém pode dar muito valor para todos os discos de vinil dos Beatles e pouco querer saber das figurinhas da Copa do Mundo, ou o contrário.

Barato perante o mundo e caro perante o próprio Brasil

Milhares (talvez milhões) de pessoas (crianças e adultos) no Brasil estão colecionando o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de Futebol de 2018, que ocorrerá na Rússia. A editora Panini fabrica os álbuns desde a Copa do Mundo de 1970.

Segundo um estudo feito pelo banco Santander, o Brasil tem as figurinhas mais baratas do mundo, em dólares. Os pacotinhos contêm 5 figurinhas em cada e custam, no Brasil, R$ 2,00, o que totaliza, em dólar, USD 0,59. Em termos comparativos, o pacotinho mais caro é encontrado na Suíça, que tem o incrível preço de R$ 1,80. Utilizando a mesma taxa cambial, o valor na Suíça custaria no Brasil pouco mais de R$ 6,10, ou, aproximadamente, R$ 1,22 por figurinha.

Podemos estar baratos no mundo, mas, não podemos nos esquecer da nossa própria situação, não é mesmo? Comparando os preços, percebemos um aumento de 100% em relação ao álbum da Copa do Mundo de 2014. E, se compararmos com a inflação do período, vemos a abusividade do aumento. Em 4 anos, a inflação acumulada foi de, aproximadamente, 30%. Ou seja, o preço das figurinhas aumentou cerca de 70% acima da inflação!

Brasil: barato apenas nas figurinhas

Que no Brasil você encontra as figurinhas mais baratas do mundo já está claro. Mas, comparar com base nas figurinhas é muito pouco! A inspiração da pesquisa feita pelo banco Santander foi do Índice Big Mac. Você já ouviu falar neste índice?

O Índice Big Mac (Big Mac Index, em inglês) foi criado em 1986 e é calculado pela revista The Economist. Tem o objetivo de comparar o poder de compra entre os países com base no mesmo produto, que é produzido com os mesmos ingredientes.

O índice busca trazer o conceito de paridade do poder de compra em que o mercado de câmbio deveria se ajustar para o valor que o dólar se equivalesse em qualquer país. Como não há paridade de preços, o Big Mac tem preços variados em cada lugar no mundo. Se houvesse a paridade, ele deveria custar o mesmo valor. Outro ponto importante é que o índice explicita o trabalho necessário para se comprar um Big Mac em diferentes países.

E o Brasil no índice do sanduíche?

E em qual colocação o Brasil está no Índice Big Mac? O mais recente resultado (janeiro / 2018) mostrou que o Brasil tem o nono sanduíche mais caro do mundo! Em dólares, o preço é de USD 5,10. E a Suíça, como nas figurinhas, está em primeiro lugar, com o preço de USD 6,80. O sanduíche mais barato é encontrado na Ucrânia, com o preço de USD 1,60.

Comparando o Índice Big Mac e o “Índice das Figurinhas” temos cenários bem diferentes. E, em tese, os dois índices deveriam ter o mesmo resultado. Afinal, os sanduíches e as figurinhas são padronizadas e globalizadas. O preço das figurinhas serem mais baixos no Brasil pode ser explicado com alguns pontos:

  • O volume de vendas de figurinhas, gerando assim, ganho de escala, devido à paixão do brasileiro pelo futebol.
  • Preços muito altos fariam com que as pessoas não se entusiasmassem a colecionar.
  • O aumento de 100% dos preços em comparação com 2014; aumentar ainda mais seria ainda mais abusivo.

Quanto custa completar o álbum da Copa do Mundo de 2018?

Para saber quanto custa completar o álbum da Copa do Mundo temos que ter alguns dados em mente. Inicialmente, dois números impressionam: a Panini, fabricante do álbum e das figurinhas, prevê produzir 8 milhões de pacotes de figurinhas por dia e a tiragem inicial de álbuns foi de 7 milhões.

A edição do álbum para o Mundial de Futebol de 2018 tem 80 páginas num total de 682 figurinhas, sendo que 50 são especiais com efeito holográfico (as figurinhas douradas), e está sendo vendido em 92 países.

Para calcular quanto custaria para completar o álbum é necessário imaginar alguns cenários. Veremos, a seguir, que conseguir uma rede de pessoas para trocar as figurinhas repetidas é fundamental, seja com amigos, na escola ou nas redes sociais. O educador Samy Dana e o professor Cláudio de Lucinda fizeram algumas simulações :

  1. Quem coleciona sozinho e é um sortudo e, assim, tira poucas figurinhas repetidas, compraria 574 pacotinhos e gastaria R$ 1.148,00.
  2. Quem coleciona sozinho e é um sortudo médio compraria 969 pacotinhos e gastaria R$ 1.938,00.
  3. Quem coleciona sozinho e é um azarado convicto compraria 2.677 pacotinhos e gastaria R$ 5.354,00.

Ainda segundo os calculistas, encontrando 1 pessoa para trocar, cada um gasta, em média, R$ 1.283,00 e compra 641 pacotes de figurinhas. Encontrando 5 pessoas, o valor para cada um cai para R$ 825,00, com um total de 413 pacotinhos comprados. Encontrando 10 pessoas, cada um compra 313 pacotinhos e gasta R$ 626,00. E, finalmente, encontrando 20 pessoas o custo despenca caindo para R$ 507,00 por pessoa, e, assim cada um comprará 254 pacotinhos.

E, colecionar pode ser uma ótima forma de conhecer pessoas novas com os mesmos interesses e, também, fortalecer laços! Descobrir os locais de trocas de figurinhas na sua cidade ou região, também é muito importante e divertido.

Colecionando com tecnologia

Com a internet e os aplicativos, a vida dos colecionadores melhorou, e muito. Uma opção é o site TrocaFigurinhas.com. Nele o colecionador encontrará pessoas de todo país para trocar as repetidas. Como há muitas pessoas cadastradas, há as mais variadas categorias de álbuns! Ou seja, não há mais desculpas de não achar alguém que coleciona o mesmo álbum.

E, para trocar com os amigos as figurinhas do Álbum da Copa do Mundo de 2018 não é mais preciso levar todas as figurinhas. Pode-se , agora, registrar as figurinhas repetidas nos aplicativos, trocar de forma mais simples e, também, controlar o álbum! Alguns dos aplicativos são:

  • Panini Collectors (Android | iOS)
  • Gerenciador Figurinhas Álbum da Copa 2018 Oficial (Android)
  • Figurinhas – Copa do Mundo 2018 (Android)
  • Figurinhas (iOS)
  • Coleciona – Gerencie seu Álbum (Android | iOS)
  • Panini Sticker Album (Android | iOS)

Vale ou não a pena colecionar?

Essa pergunta é muito difícil de ser respondida! É o famoso DEPENDE!

Psicologicamente, pode valer muito a pena! Afinal, é uma ótima forma socializar num mundo em que a tecnologia permeia as relações humanas. Corporativamente, também! Mas, como corporativamente? É isso mesmo! Em algumas empresas, as salas de reuniões no intervalo para o almoço estão reservadas para uma tarefa muito nobre: trocar figurinhas! E, neste momento não há hierarquia e as regras passam longe. Exceto que as figurinhas douradas valem um pouco mais!

Do ponto de vista financeiro, colecionar qualquer coisa é classificada como despesa ou custo dispensável! Mas, como dissemos em outros posts, fazer o orçamento pessoal e familiar é fundamental. Quem sabe o Método dos Envelopes é o melhor para você? Será que não cabe no envelope “diversão e lazer” colecionar figurinhas?

Isto é, colecionar pode ser uma tarefa muito divertida, desafiadora e prazerosa. Basta a organização das finanças pessoais! Organizando e planejando, qualquer diversão será possível e caberá no orçamento!

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