IGP-M ou IPCA. Qual é melhor para nossos investimentos?

IGP-M ou IPCA. Qual é melhor para nossos investimentos?

Caro (a) leitor (a), você já deve ter visto em várias corretoras independentes títulos privados como CDBs, LCIs, LCAs, LCs e, também, no Tesouro Direto, títulos públicos atrelados ao IPCA, os famosos Tesouro IPCA+. Nos títulos privados, além do IPCA, é muito comum que vários títulos paguem uma taxa pré-fixada mais a variação do IGP-M. Mas, então, qual das duas opções é melhor?

O IPCA é o índice oficial de inflação no Brasil, significa Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo e é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O objetivo deste índice é medir a inflação das famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos de algumas regiões metropolitanas. A composição do IPCA é:

Item

Peso

Alimentação

25,21%
Transportes e Comunicação

18,77%

Despesas Pessoais

15,68%
Vestuário

12,49%

Habitação

10,91%

Saúde e Cuidados Pessoais

8,85%

Artigos de Residência

8,09%

Fonte: Portal Brasil

O IGP-M, por sua vez, significa Índice Geral de Preços de Mercado e, diferentemente do IPCA, busca medir a inflação em todos os níveis de renda. Ele é composto por três outros índices, o IPA (Índice de Preços no Atacado e, posteriormente, Índice de Preços ao Produtor Amplo), o IPC (Índice de Preços Consumidor) e o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) com os seguintes pesos:

Item

Peso

IPA

60%
IPC

30%

INCC

10%

Fonte: Portal Brasil

Ou seja, pela análise das tabelas, há uma prevalência no IGP-M nos preços do setor agropecuário e industrial (antes do consumidor final) e um peso relativo importante da inflação ao consumidor final, entretanto, com renda de até 20 salários mínimos na cidade de São Paulo. E, a inflação de uma cidade apenas, não reflete a situação nacional, mesmo a capital paulista sendo a que tem o maior desenvolvimento econômico do país. Outro ponto a se ressaltar é que o IGP-M sofre um impacto mais significativo da variação cambial que o IPCA devido ao peso o IPA, ou seja, em cenários de alta do dólar, o IGP-M tende a ter alta e momentos de baixa, ele tende a registrar deflação.

Vamos ao impacto de ambos os índices nos nossos investimentos. Antes, vamos comparar a variação mês a mês das taxas em um único gráfico:

Percebe-se que em termos de tendência, em uma linear, que os dois índices têm comportamento bastante similar e algo bem notório é que a volatilidade no IGP-M é muito mais acentuada que do IPCA. Outro ponto importante a se ressaltar é que o IGP-M “ganha” mais vezes que o IPCA. Se fôssemos analisar não de 2004, mas, desde 1995, teríamos 13 “vitórias” do IGP-M contra 9 do IPCA. Contudo para perceber esse ganho, é necessário analisar um espaço de tempo maior.

Assim, caro (a) leitor (a), se você estiver em dúvida quando for investir em títulos de renda fixa que pagam um taxa prefixada mais IGPM ou IPCA, tenha em mente as seguintes situações:

  • Para investimentos em longo prazo o título atrelado ao IGP-M tem um histórico de maior rentabilidade.
  • Pensando em curto prazo, os atrelados ao IPCA tem menor volatilidade e perdas são menos comuns (no gráfico percebe-se apenas em 2 momentos, sendo um com queda próxima a 0,5%).

Por isso, se você for investir em longo prazo, prefira títulos atrelados ao IGP-M; ou ao IPCA com taxa fixa superior ao do IGP-M com o mesmo prazo. E a situação para investimento em curto prazo é o oposto: prefira títulos atrelados ao IPCA para não correr de, exatamente, no período do título ocorrem baixas consecutivas no IGP-M. Imagine se você investisse em um título atrelado ao IGP-M em julho de 2008 e o vencimento do mesmo fosse em janeiro de 2010?! Portanto, busque casar o prazo do seu investimento com o vencimento do título analisando sempre a melhor opção, sempre pensando na dilação do seu investimento.

Autor

Quintiliano Campomori
Quintiliano Campomori é profissional na área econômico-financeira e professor há 12 anos. Já atuou em bancos, empresas privadas e, atualmente, atua no setor público. Pretende trazer ao(à) leitor(a) e ouvinte esclarecimentos nas suas finanças pessoais, na luta pelos seus direitos, em buscar uma renda extra e em pensar o dinheiro como um meio e não um fim.

10 comments

    • Quintiliano Campomori

      Prezada Marina, obrigado pela sua mensagem.

      Em termos brasileiros, entende-se como curto prazo, o período de até 2 anos, o médio prazo, de 2 a 5 anos e o longo prazo, mais de 5 anos.

      Atenciosamente,
      Quintiliano Campomori

      Responder
    • Quintiliano Campomori

      Prezado Domingos, obrigado pela sua mensagem.

      Em termos brasileiros, entende-se como curto prazo, o período de até 2 anos, o médio prazo, de 2 a 5 anos e o longo prazo, mais de 5 anos.

      Atenciosamente,
      Quintiliano Campomori
      Educando seu Bolso

      Responder
  • Prezado senhores do site tenho uma previdencia privada por mais de 20 anos, e hoje ao verificar o saldo tive uma surpresa( o indice de garantia mínima é igpm mais 6% ao ano), em vez de render, houve decrescimo, ao questionar o gerente ele falou que como o igpm de abril de 2017 foi de menos – 0,36, então haveria diminuição também no meu investimento, isto é possível , no mes posterior ter minha renda diminuida?

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    • Quintiliano Campomori

      Prezado Carlos, obrigado pela sua mensagem.
      O IGP-M em abril de 2017 foi de -1,1%.
      Quando um investimento ou uma dívida são corrigidos por algum índice de inflação, quando há uma queda, o investimento irá diminuir na mesma proporção. Como descrito no post, o IGP-M tem maior volatilidade devido à sua composição. Como seu plano tem mais de 20 anos, essa perda mensal, foi e será compensada pelo histórico do índice. Por exemplo, se pensarmos, de fevereiro de 2016 até fevereiro de 2017, o IGP-M teve uma taxa acumulada de 5,3866% e o IPCA de 4,7588%. Ou seja, essa variação é normal e é, como dito, devido à volatilidade.
      Abraços,
      Quintiliano Campomori
      Educando seu Bolso

      Responder
    • Quintiliano Campomori

      Prezado Cleiton, obrigado pela sua mensagem!
      Para o longo prazo, o IGP-M tem histórico de maiores altas e no curto prazo, o IPCA tem menos volatilidade. Assim, o ideal é “casar” o seu objetivo com o prazo do título. Mas, a situação para o prazo permanecem.
      Abraços,
      Quintiliano Campomori
      Educando seu Bolso

      Responder

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