Arriscando no Tesouro Direto

Arriscando no Tesouro Direto

Você já deve ter ouvido falar que o Tesouro Direto é um tipo de aplicação financeira segura. Nele o investidor não corre o risco de perder dinheiro e, por outro lado, também não consegue rendimentos acima da média do mercado.

Será que é assim mesmo? Bem, se a pessoa deixa para resgatar o dinheiro apenas no vencimento do título, sim. Acontece que ela pode resgatar antes. E, se fizer isso, existe a possibilidade de perder dinheiro – ou, por outro lado, de ganhar mais que o esperado.

Quer entender como isso pode acontecer? Então vamos a um exemplo concreto.

Vamos supor que um investidor tenha comprado um título no início de 2016. Na época, o cenário era de inflação acima dos 11% nos 12 meses anteriores, e taxa Selic a 14,25% ao ano.

Nesse cenário, a pessoa comprou 1 título Tesouro Pré-Fixado (LTN), com vencimento para dali a 3 anos. É aquele título que paga exatos R$ 1.000,00 no vencimento. No dia da contratação, a taxa de rendimento estava em 13% ao ano. O título estava custando R$ 693,00. Como o nome diz, a taxa é fixa: no momento da contratação era de 13%, a pessoa pagou os R$ 693 em um título que, dali a 3 anos, valerá exatos R$ 1000, mesmo se a inflação disparar ou despencar.

Suponhamos agora que, 1 ano depois, a expectativa de inflação tenha caído para 5% ao ano. E, nesse cenário, o governo tenha passado a pagar 7% de juros ao ano. Um título, para valer R$ 1000,00 em 2 anos, passaria a custar R$ 874. Se a pessoa vender o título por esse preço, receberá R$ 181,00 a mais do que pagou, ou 26,1%. Em 1 ano.

O que fazer? Compensa vender o título e realizar o lucro de 26%? Bem, compensa se a pessoa estiver precisando do dinheiro, ou se tiver uma oportunidade ainda melhor para investir – o que, num cenário de juros baixos, não é muito provável, pelo menos na renda fixa. Caso contrário, ela pode permanecer com o título e ganhar os 13% ao ano nos 3 anos de investimento.

Mas vamos ver, agora, um cenário inverso. Suponhamos que, 1 ano depois, a inflação tenha disparado ainda mais, para 15% ao ano – Deus nos livre! – e o governo passasse a pagar juros de 17% ao ano. Um título, para valer R$ 1000,00 em 2 anos, passaria a custar R$ 731. Se a pessoa vender o título por esse preço, receberá R$ 38,00 a mais do que pagou, ou 5,5%. Em 1 ano.

Nesse caso, é claro que não compensa vender de jeito nenhum! Se a pessoa não tiver escolha e precisar vender, vai ter perdido dinheiro para a inflação.

Para que o Tesouro Direto cumpra sua função de ser uma aplicação de baixo risco, a pessoa precisa saber como aplicar.

A primeira coisa: levar em conta o prazo em que vai precisar do dinheiro. Pode precisar a qualquer hora? O título Tesouro Selic é o mais adequado. Vai precisar daqui a alguns anos? É melhor escolher um título que vença quando for precisar.

Outro ponto importante: não se deixar levar pela cotação de mercado dos seus títulos. Eu mesmo, em dezembro de 2015, comprei um Tesouro IPCA 2035 (ou NTN-B Principal) por R$ 720. No mês seguinte ele estava valendo R$ 650. Se eu tivesse me assustado e vendido, teria perdido dinheiro. Hoje, 1 ano e 3 meses depois, ele está valendo R$ 1100, rendimento de 2,8% ao mês. Quer dizer que é hora de vender? A meu ver, também não. Não comprei esse título para especular, mas sim para fazer uma reserva para a aposentadoria.

Concluindo: é possível especular com Tesouro Direto, mas não é para isso que ele serve. Se você quer obter bons rendimentos com Renda Fixa no curto ou médio prazos, aqui vai uma boa dica: conheça o comparador de investimentos do Educando Seu Bolso. Acesse o link http://educandoseubolso.blog.br/compare-investimentos/.

Recomendo que ouça também o podcast da semana passada, em que o Fred conta mais uma história de ganho acima da média no Tesouro Direto e explica como funciona o comparador.

E, se ainda não entende bem como funciona o Tesouro Direto, recomendo dois textos do Daniel Loureiro. Primeiro leia este, depois este.

É isso aí. Bons investimentos!

 

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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