Compensa sacar o saldo de contas inativas do FGTS?

Compensa sacar o saldo de contas inativas do FGTS?

O Governo Federal anunciou que será possível sacar o saldo de contas inativas do FGTS. Segundo estudos do próprio governo, o objetivo é injetar na economia R$ 30 bilhões. Um ótimo valor, sem dúvida alguma; ainda mais em um momento de crise, com indicadores econômicos tão ruins. Então, se você tem a possibilidade de realizar o saque, o que fazer com esse dinheiro?

Inicialmente, vamos entender as condições para realizá-lo. Antes do anúncio, as possibilidades de saque do FGTS eram bastante restritas. As mais comuns eram:

  • Demissão sem justa causa, de contrato determinado ou rescisão indireta;
  • Aposentadoria, falecimento ou idade superior a 70 anos;
  • Desastre natural ou estado de calamidade pública
  • Doenças graves;
  • Aquisição, liquidação ou amortização de financiamento imobiliário;
  • Três anos ininterruptos fora do regime do FGTS, e aguardar a data do aniversário.

Ou seja, não era tão fácil retirar um recurso que tem um rendimento tão pequeno – 3% + TR; algo bem próximo da metade da Caderneta de Poupança!

Com o anúncio do governo, o saque a contas inativas será irrestrito. O calendário dos saques será disponibilizado e se baseará na data de aniversário das pessoas. O principal uso do FGTS é para compra ou amortização do Financiamento Imobiliário, pois, além de ser uma das formas de ter acesso ao recurso, é como trocar uma taxa de mais de 8% em comparação ao rendimento de 3% + TR. Tal troca é extremamente vantajosa!

Porém, caro (a) leitor (a) caso você tenha um conta inativa em 31/12/2015 (que não recebe depósitos) vale a pena sacar o recurso? O que fazer com o dinheiro se tiver dívidas? O que fazer com o dinheiro se não tiver dívidas?

Independentemente de ter dívidas ou não, sacar o recurso é muito vantajoso!

Se você tiver dívidas, essa é uma oportunidade espetacular para reduzi-las ou quitá-las! Independentemente de qual seja, com certeza a taxa de juros do FGTS é muito, mas muito menor. Imagine trocar uma taxa de 12% ano mês (ou mais de 390% ao ano) por uma de 3% ao ano + TR? É quase um sonho! Ainda mais de um recurso a cujo acesso é tão restrito. E, ideal é liquidar a dívida de uma única vez e com desconto pela liquidação antecipada.

Se você não tem dívidas, a notícia é tão boa quanto! É uma oportunidade rara de iniciar uma reserva de emergências ou uma aplicação financeira muito rentável como no Tesouro Direto ou iniciar uma aposentadoria independente da previdência oficial. No Educando seu Bolso, você encontra a Comparador de Investimentos e a Calculadora de Aposentadoria; use-as sem moderação! E, o ideal é fazer o investimento imediatamente após o saque do FGTS para que você não seja  seduzido (a) pelas armas da publicidade e ser levado para o consumo.

Mas, cuidado! Receber um recurso inesperado pode gerar dívidas. Não entendeu? O Educando seu Bolso explica! Supondo que uma pessoa tenha R$ 45 mil reais em uma conta inativa do FGTS – valor suficiente para comprar um carro com uma configuração muito boa. Então, essa pessoa compra o carro de exatamente o valor que foi mencionado. Porém, comprar um veículo não é apenas despender o valor do mesmo; é necessário contabilizar o valor do combustível, IPVA e demais impostos, seguro e algo muito importante: a depreciação do veículo. Assim, caro (a) leitor (a), fundamental é não direcionar todo o saque do FGTS para o consumo que pode fazer de alguém sem dívidas alguém descontrolado financeiramente! E, é exatamente isso que você não quer, certo? Então, muita cautela! Outro ponto importante é gastar uma reserva: mesmo que tenha o pior rendimento do mercado, é uma reserva. Portanto, sempre ponha na “ponta do lápis”!

Não deixe de ouvir o podcast que, além de outros assuntos muito interessantes, aborda a possibilidade de saque no FGTS (Clique aqui para ouvir o podcast). Sacar as contas inativas do FGTS é uma ótima notícia! Aproveite para pagar dívidas ou aumentar suas reservas financeiras! Mas, nunca compre algo que gere despesas e um passivo no seu orçamento pessoal e familiar.

Autor

Quintiliano Campomori
Quintiliano Campomori é profissional na área econômico-financeira e professor há 12 anos. Já atuou em bancos, empresas privadas e, atualmente, atua no setor público. Pretende trazer ao(à) leitor(a) e ouvinte esclarecimentos nas suas finanças pessoais, na luta pelos seus direitos, em buscar uma renda extra e em pensar o dinheiro como um meio e não um fim.

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