O GERENTE TESTOU: Peer-to-Peer

O GERENTE TESTOU: Peer-to-Peer

Nossa avaliação deste produto é totalmente isenta e independente. Não temos qualquer acordo comercial com a empresa ou com o produto. Não recebemos ou receberemos qualquer comissão relacionada ao produto ou ao serviço testado. Com esta seção, nossa intenção é apenas ressaltar produtos e serviços que julgamos que valham ser experimentados no meio desse emaranhado de opções que estão por aí ou alertar em caso de propostas que sejam armadilhas em potencial para o consumidor. Nada mais.

Recebemos um e-mail do nosso leitor Will Rosa em que ele perguntou acerca de empresas de empréstimos Peer-to-Peer. Por ser um tema bastante interessante, a resposta a ele transformou-se em um post!

É muito provável que você esteja lendo este post neste momento devido à curiosidade de saber o que é Peer-to-peer! Por isso, importante esclarecer inicialmente o que é! A tradução de Peer-to-peer é “par-a-par” ou “ponto-a-ponto”, com a sigla P2P. O termo surgiu no ramo da tecnologia de informação como uma forma de estruturar redes de computadores que ao invés de se ter um servidor com vários computadores conectados, cada um dos pontos de rede serve tanto como servidor quanto como cliente. Essa tecnologia permite que arquivos, dados, informações e serviços sejam compartilhados sem a obrigatoriedade de um servidor central.

Essa estrutura vinda da informática foi “exportada” para o setor financeiro com o objetivo de mudar a forma pela qual as pessoas e empresas interagem para investir dinheiro e pegar empréstimos. Mas, qual o motivo de mudar a forma no mercado financeiro?

Desde que o escambo (troca de mercadorias) deixou de ser utilizado e com o surgimento da moeda no fim da Idade Média e início da Idade Moderna, a existência dos bancos passou a ser obrigatória para emprestar, tomar emprestado e guardar dinheiro. E, de modo bem simplificado, a forma que as instituições financeiras operam é a mesma desde esses tempos mais longínquos: você empresta seu dinheiro ao banco e ele empresta para outras pessoas a um taxa mais alta que você foi remunerado. Essa diferença de taxa é o conhecido spread bancário. Por serem extremamente fortes, a relação entre o investidor e o tomador de empréstimos é ditada pelos bancos. E, neste contexto, o Brasil tem um dos maiores spreads do mundo.

Mas, essa relação de mais de 500 anos está dando sinais de mudança. Com a Internet, surgiram as Fintechs como o Nubank que tem uma forma de pensar, abordar e gerir processos de produtos financeiros através da tecnologia. E, as Fintechs estão diretamente relacionadas com o Peer-to-Peer (P2P) Lending (empréstimo coletivo). O P2P existe, também, no compartilhamento de músicas (Napster), em sites como o Mercado Livre ou Ali Express. De modo simplificado, o Peer-to-Peer Lending tira o intermediário nas relações de investimento e crédito, fazendo com que alguém empreste dinheiro diretamente para outra pessoa ou empresa – e tudo é feito de forma online. Imagine investir dinheiro e tomar empréstimos sem a necessidade de um intermediário – O BANCO? A tendência é que as taxas caiam, pois o spread não existe mais. Certo? Veremos o teste feito pelo Educando seu Bolso!

No Brasil, o P2P é mais recente. No mundo, a origem foi em 2005, no Reino Unido, com uma empresa chamada Zopa. Com a crise financeira em 2008, o modelo se fortaleceu nos Estados Unidos. Em 2014, foram movimentados 8.9 bilhões de dólares – nada mau! O crescimento é muito grande na Austrália, China e na América Latina (Argentina e Chile, principalmente). No Brasil, algumas empresas são a Lendico, o Just Bank e o Biva.

O Biva é exclusivo para Pessoas Jurídicas; e o Just Bank tem um problema grave: para que seja feita uma simulação personalizada, é necessários dar acesso de visualização à conta bancária. Leitor (a), dar acesso, mesmo que apenas para visualizar é extremamente desconfortável. A que foi possível simular, foi a Lendico. Ela tem uma estrutura bastante desburocratizada, rápida e até envia SMS para confirmar a pré-aprovação.

Para um empréstimo de R$ 5.000,00 foi ofertada uma taxa final (CET) de 3,26% a.m. Vamos comparar com duas modalidades em bancos – crédito pessoal e crédito consignado com desconto em folha de pagamento:

Crédito Pessoal Consignado INSS Consignado Público Consignado Privado

Banco 1

2,90 % a.m. 2,01 % a.m. 1,96 % a.m. 2,30 % a.m.

Banco 2

2,95 % a.m. 2,10 % a.m. 2,00 % a.m. 2,45 % a.m.

Banco 3

2,80 % a.m. 2,30 % a.m. 2,01 % a.m.

2,45 % a.m.

Média do Banco Central

7,50 % a.m. 2,18 % a.m. 2,33 % a.m.

3,09 % a.m.

Fonte: Pesquisa Educando seu Bolso e Banco Central – Taxas de juros de operações de crédito – Período compreendido entre 23/11/2016 a 29/11/2016.

 

 

Assim, caro (a) leitor (a), percebe-se que mesmo que, inicialmente, possa parecer mais vantajoso, a taxa que foi ofertada é maior que a dos bancos que têm a menor taxa (mesmo que acrescida do IOF e tarifas).

Importante, leitor (a) é analisar e colocar “na ponta do lápis” as ofertas de crédito e decidir pela menor taxa (e CET). Mas, o que é, realmente, fundamental é não ter dívidas, afinal, pagar juros não agrega em nada a qualidade de vida de cada um, apenas da instituição que emprestou!

Autor

Quintiliano Campomori
Quintiliano Campomori é profissional na área econômico-financeira e professor há 11 anos já tendo atuado em bancos, empresas privadas e no setor público. Pretende trazer ao(à) leitor(a) e ouvinte esclarecimentos na luta pelos seus direitos em suas finanças pessoais, em buscar uma renda extra e em pensar o dinheiro como um meio e não um fim.

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