Imprevistos

Imprevistos

 

Eu quis prever o futuro, consertar o passado
Calculando os riscos
(Paralamas do Sucesso, “Um pequeno imprevisto”)

 

No início do ano saí de férias por duas semanas. Fiz uma viagem em família, turma grande, tudo programado com meses de antecedência: passagens aéreas, hospedagem, aluguel de carro, tudo. Assim sai mais barato, certo? Sem dúvida. Se nós deixássemos para a última hora certamente teríamos gastado mais.

Num belo dia, bem no início da viagem, quando eu saía do supermercado, engatei a marcha à ré, olhei para um lado, para o outro, acelerei e paf!, bati em outro carro, vindo ainda não sei bem de onde. Traseira com traseira, culpa – ou azar – dos dois. Cada um conserta o seu.

Não estragou muito, mas, sabe como é, em carro tudo é caro. E o meu era alugado, lembra? O contrato incluía seguro, mas o estrago possivelmente não alcançaria o valor da franquia. Como eu estava no interior do estado, só conseguiria comparecer à locadora para fazer o orçamento e negociar nos últimos dias da viagem. Isto é, passei uma semana das férias com esse assunto pendente na cabeça.

O preço do conserto ficou próximo de R$ 1 mil. De uma hora para outra, foi-se embora o que eu havia conseguido economizar por programar a viagem com antecedência. Ou foi-se embora tudo o que economizei com os “não” que eu disse a mim mesmo durante um bom tempo.

E aí? Vale a pena eu escolher aquele prato mais barato no restaurante, para economizar R$ 20? Ou deixar de comprar algo para minha filha para poupar R$ 30? Ou escolher aquele plano de telefonia mais barato para pagar R$ 50 a menos? E depois perder toda essa economia numa distração de trânsito?

Em minha opinião, vale, sim. Não estou aconselhando o leitor a ter uma vida de extremos sacrifícios e privações, em nome de poupar dinheiro. Estou apenas sugerindo, como sempre sugeri, que ele tenha atenção ao esbanjamento e, principalmente, ao desperdício. Que conheça a si mesmo, entenda o que valoriza mais e escolha bem as áreas de sua vida em que se permitirá gastar mais, e aquelas em que apertará o cinto.

Se eu não tivesse poupado ao longo do ano passado, se não tivesse contratado a viagem com antecedência, certamente entraria em janeiro bem mais apertado, e a colisão do carro seria bem mais dolorosa.

Imprevistos acontecem, a única coisa que sabemos sobre eles é isso. Podemos não saber QUANDO e COMO acontecerão, e QUANTO custarão. Mas QUE vai acontecer algo fora dos planos, cedo ou tarde, que vai custar dinheiro, isso é garantido.

O que pode ser feito, então? Algumas coisas:

  • Poupança. Ter uma reserva para imprevistos é uma boa forma de sofrer menos com eles. Manter as finanças controladas e disciplinadas permite à pessoa priorizar essa prática.
  • Seguros. Já falamos sobre isso aqui. Muitas vezes é um produto caro, mas que vale a pena ter.
  • Diferenciar imprevisto de negligência. A pessoa escolhe andar em locais perigosos em hora imprópria, é assaltada e chama isso de imprevisto. O outro só anda atrasado, com pressa, vive levando multas no trânsito e se diz azarado. A outra entrega o tablet para o filho de 1 ano brincar, o aparelho cai por acidente. Convenhamos, certos imprevistos não têm nada de imprevisível, podem ser evitados.

É isso. Cuidar da própria saúde, zelar pelos bens mais valiosos, evitar dar sopa para o azar, manter uma poupança e procurar relaxar, afinal nada está totalmente sob controle.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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