Uber ou Táxi: quem sobe em Santa Teresa?

Uber ou Táxi: quem sobe em Santa Teresa?

It’s Only Rock’n Roll (But I Like It)

Rolling Stones

Show dos Rolling Stones! No Rio! Nada mais sensacional para gerações e gerações de fãs da “provável” maior banda de rock de todos os tempos. Ainda que muitos tenham decretado a morte do rock ‘n’ roll!

E o que isto tem haver com Uber, táxi e Santa Teresa, já me pergunta o leitor, ansioso, sem entender nada aqui no EsB. Muita coisa. Calma, eu vou contar a historinha. Primeiro: programamos a ida ao Rio, assim de última hora, o que normalmente não é aconselhável. Mas até fomos sortudos na passagem aérea, uma pechincha para o final de semana.

Segundo: resolvemos fugir um pouco das praias no Rio. Vamos ficar em Santa Teresa! Vamos subir a ladeira. Ver a cidade de cima. Curtir os bares, um pouco da boemia. O Rio Antigo. Além disso, estamos até mais perto do Maracanã, palco do show. Antes de irmos a Santa Teresa, na chegada ao Rio, uma volta básica ao centro: centro cultural Banco do Brasil, confeitaria Colombo, Real Gabinete Português de Leitura, uma paradinha numa Brasserie/Butiquim para o almoço. Terminamos no Mosteiro de São Bento! Imperdível!

Opa! Vamos agora para Santa Teresa, que estamos cansados. Primeira opção: táxi na Presidente Vargas. Confesso, não pensei no Uber. Achei até que, no Rio, a ofensiva dos taxistas tinha desestimulado o Uber. Então, ao táxi. Entramos, e dei a notícia, vamos para Santa Teresa. O motorista, antes alegre, fechou a cara. Quase não nos leva. Ele ranzinza: “quer subir por onde?” Depois: “ah, o seu telefone manda pela Cândido Mendes. Então tá!” Ele vai. Tento puxar conversa, mas nada. Na Cândido Mendes, já subindo, ele faz um desvio. Eu pergunto e ele fala: “ah, lá é muito íngreme. O carro sofre!”. Ele chega à parte alta do bairro, enfia numa ladeira e nos deixa perto da pousada. Até não reclamou, mas não gostou. Mas a corrida foi boa para ele.

E ficamos sabendo que a maior parte dos taxistas não gosta. É muito íngreme, o trilho do bondinho fura o pneu. O problema é a “comunidade”. Na pousada, confirmamos essa informação.

À noite, para o jantar, desceríamos para a Lagoa. Chuva intensa, de verão, ficamos preocupados com o transporte. Procurei rapidamente pelo Uber, mas ainda estava com aquela ideia na cabeça: não deve estar funcionando. Mas até conseguimos fácil um táxi, assim que a chuva deu uma trégua. Quem está lá em cima, desce. O curioso é que o motorista, embora simpático, estava bastante perdido. Botei o mapinha do Google para funcionar. Na mosca: vai pela Alm. Alexandrino, você cai no Cosme Velho (faz uma reverência ao grande Machado de Assis). Logo, está na Lagoa. Perguntei ao taxista porque ele não andava com um GPS ligado, mesmo no celular. Facilita a vida. Ganha mais corridas. Ele argumentou: não, os passageiros me guiam, com o celular deles. E lá embaixo, eu sei andar. Huum!!! A corrida foi… honesta. Coisa de R$ 35.

Para voltar do restaurante, ainda sem Uber na cabeça, chamamos novamente um táxi. Assim que chegou, entramos, e dei novamente o comando: Santa Teresa! O motorista empalideceu. Eu até levo, mas não gosto de subir lá não. Já não inspirava nenhuma confiança. Aí apelamos – ou melhor, minha mulher apelou. Saímos do táxi, já cansados da “prestação de serviço”, reclamando. O restaurante acabou conseguindo outro táxi. O segundo taxista nos levou, foi gentil, mas recitou o terço novamente: a ladeira, o trilho, a comunidade…

Dia seguinte, já completamente inteirado da “prestação de serviço” dos taxistas e sabendo que, ao contrário, o Uber está vivíssimo no Rio, com UberX, Black, além de promoções como UberSummer, não hesitamos. A volta para Santa Teresa, novamente da Lagoa, foi de UberX. Serviço tranquilo, sem problemas, nos deixou dentro da pousada. Sem reclamar, o Uber faz o serviço em Santa Teresa sem qualquer constrangimento. Mesmo porque não é para ter nenhum. Imagina o taxista do Rio aqui nas ladeiras de BH! Corrida de volta: R$ 25! Aiaiai!

Embora já tivéssemos contratado transporte para o show dos Rolling Stones e para o retorno ao aeroporto, comprovamos que o serviço do Uber estava a pleno vapor e funcionando bem.

Moral da história: o artigo não necessariamente quer fazer uma ode ao Uber. Quer propor uma avaliação isenta. Mas a historinha é real. E qual é o grande problema? Falta de competição. O motorista de táxi não pode recusar corrida, com exceção de áreas de risco comprovado. O que é não é o caso de Santa Teresa. Trata-se de um serviço público, que funciona com permissão. Mas os taxistas tratam o serviço como monopólio. No Rio, por exemplo, há um código disciplinar de 1970 da Prefeitura. A multa para o motorista que recusar a corrida é de R$ 49. Sem citar o próprio Código de Defesa do Consumidor.

O Uber pode trazer igualmente alguns problemas. Outra avaliação do serviço está aqui no EsB. Necessita, obviamente, ser regulado. A proposta do Município de São Paulo, por exemplo, é um excelente começo. A única coisa que não se pode negar é que ele aumenta a concorrência e pode prestar um serviço com melhor qualidade. E muitos taxistas ainda não entenderam (ou não querem entender).

Ah, e você meu amigo leitor, deve estar se perguntando: e esta foto que abre o post de hoje? Não entendi? Esta é a vista da pousada, em Santa Teresa! E o show… Ah, It’s Only Rock’n Roll.

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

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