Conhecendo seu Bolso – Parte 4: Praticando

Conhecendo seu Bolso – Parte 4: Praticando

Mãos à obra, rala, rala.
Deus te ajuda, calma, calma.
(DigitalBomb, “Então vai)

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Nos meus três posts passados eu venho falando sobre o orçamento familiar, ferramenta para gerenciamento de finanças pessoais. Primeiro, expliquei o que é. Depois, dei sugestões sobre como anotar os fatos econômicos do dia a dia. Depois, falei sobre o passo seguinte, o agrupamento desses fatos.

Agora vou mostrar como a coisa funciona na prática, a partir de um exemplo fictício. Criei um personagem e vou descrever brevemente sua rotina, com foco nos fatos econômicos. Em seguida, vou propor uma planilha de orçamento pessoal descrevendo um mês inteiro em sua vida.

Cabe ressaltar que é apenas uma sugestão de planilha, a partir da qual o leitor poderá criar a sua própria. Como dizia um antigo comercial, “Existem mil maneiras de preparar, invente uma”.

 

O personagem

Evandro tem 30 anos, é solteiro e mora sozinho em um apartamento alugado. Trabalha em um escritório. Tem carro, mas usa ônibus para ir ao trabalho – a empresa paga o vale transporte e tem plano de saúde. Durante a semana, almoça em algum restaurante perto da empresa. Costuma sair com a namorada e amigos, principalmente aos finais de semana. Vai ao supermercado em média duas vezes por mês. A faxineira vai uma vez por semana. Tem um contrato que resolve suas necessidades de telefonia, internet e TV. Tem apenas uma conta bancária e um cartão de crédito, e não paga tarifa por nenhum deles.

Desde novembro de 2015, Evandro passou a anotar cada um dos seus gastos. Elaborou uma planilha eletrônica onde lançou, para cada despesa feita, a data, a descrição, o valor e a forma como foi paga.

Ao final do mês, viu que tinha em mãos muitos dados, mas pouca informação. Viu que precisava criar mais uma coluna em sua planilha, para registrar o grupo a que cada despesa pertencia.

O resultado foi o seguinte:

Planilha_despesas_pessoais

Algumas considerações sobre a planilha:

  • Parece muito grande? Dá a sensação de “Eu não vou ter paciência para fazer isso”? Mas veja bem, são menos de 60 linhas. Dá, em média, menos de 2 linhas por dia. Evandro costumava anotar as despesas em seu celular, à medida que ocorriam, e lançava na planilha pela manhã, no escritório, antes de começar a trabalhar.
  • Este modelo de planilha é baseado nos fatos, e não na saída do dinheiro. Ela não faz distinção entre gastos em dinheiro ou em cartão, nem entre pagamentos à vista ou parcelados. Portanto, ela não diz quanto dinheiro Evandro tem hoje, ou quanto vai desembolsar amanhã. Ela serve, basicamente, para ele conhecer seu perfil de consumidor e para estimar despesas futuras.
  • Depois de classificadas as despesas em grupos, Evandro fez uma nova planilha, com o resumo dos gastos. Ficou assim:

Tabela_resumo_despesas_pessoais

  • Esse resumo tem várias funções:
    • Permite que a pessoa enxergue mais facilmente como está gastando seu dinheiro.
    • Permite comparar mais facilmente que tipo de despesas aumentou ou diminuiu ao longo do tempo.
    • Permite construir uma previsão de caixa para o futuro. Isso vai ser assunto aqui no blog daqui a algumas semanas.
  • A classificação em grupos não tem regras fixas. Ela varia de pessoa para pessoa. Por exemplo, Evandro diferencia “Almoço” e “Restaurante”. “Almoço” é durante a semana, faz parte do trabalho, e ele lança como “Alimentação fora de casa”. “Restaurante” é aos finais de semana, e ele lança como “Lazer”. Qual é a regra? Não tem. Vale a percepção da pessoa.
  • Aliás, é bom que as classificações – e a própria planilha – variem para a mesma pessoa, ao longo do tempo. Dificilmente uma planilha nasce pronta, perfeita. Quase sempre é preciso criar a ferramenta, começar a usar e ir modificando ao longo do tempo.

 

E então? Você já faz algo parecido com o que Evandro fez? Se ainda não faz, sugiro que comece. Vale a pena. Você faria algo diferente dele, criaria novos grupos, mudaria algum? Conte para nós!

 

 

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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