Conhecendo seu bolso – Parte 3: Agrupando fatos

Conhecendo seu bolso – Parte 3: Agrupando fatos

Eu já paguei a conta do meu telefone
Eu já paguei por eu falar e já paguei por eu ouvir
Eu já paguei a luz, o gás, o apartamento
Kitnet de um quarto que eu comprei a prestação pela Caixa Federal
(Raul Seixas, “É fim de mês”)

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Nos meus dois posts passados falei sobre o orçamento familiar, ferramenta para gerenciamento de finanças pessoais. Primeiro, falei sobre sua função e importância. Depois, dei sugestões sobre como anotar os fatos financeiros que vão ocorrendo, processo fundamental para o funcionamento da ferramenta. Agora vou falar sobre o passo seguinte: o agrupamento dos fatos.

Um volume imenso de dados não serve para nada, se não for transformado em informação. À medida que passam os dias, semanas, meses, as anotações que a pessoa faz em seu orçamento vão se avolumando. O agrupamento dos fatos serve justamente para transformar centenas de registros em meia dúzia – ou pouco mais – de informações claras e úteis.

Agrupar fatos financeiros é classificar as dezenas de espécies de lançamentos em um número menor de tipos de despesas. Por exemplo: padaria, açougue e supermercado podem ser lançados apenas como “alimentação em casa”. Lanches e almoços restaurantes podem ser lançados como “alimentação na rua”. Dependendo da pessoa, tudo isso pode ser lançado apenas como “alimentação”.

Não há fórmula pronta. Autoconhecimento e adaptação são palavras de ordem nessa fase.

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Periodicidade

A freqüência como os fatos financeiros ocorrem varia de pessoa para pessoa. É importante conhecer a própria rotina, o próprio perfil de consumidor, para que o orçamento familiar funcione bem.

Alguns fatos financeiros ocorrem quase todos os dias. Alimentação, por exemplo.

Outros ocorrem semanalmente. Supermercado, certas modalidades de diversão, faxineira, são exemplos de fatos que podem ser semanais.

Alguns dos principais fatos financeiros ocorrem mensalmente. Por exemplo, salário, condomínio, energia elétrica, telefonia, plano de saúde, mensalidades escolares.

Há também os fatos anuais. Impostos, material escolar.

É necessário, então, escolher a periodicidades a ser adotada no orçamento. Na maioria dos casos, a periodicidade mensal vai ser a mais adequada. Para algumas pessoas, especialmente alguns empreendedores e profissionais liberais, a periodicidade semanal funcionará melhor.

Ao final de cada período – semana ou mês, conforme o caso – a pessoa deverá reunir e somar todas as despesas de cada tipo, para ver para quais grandes grupos está indo o seu suado dinheiro.

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Grupos

Como foi falado acima, não existe fórmula pronta. Quantos e quais serão os grupos vai depender de pessoa para pessoa. Alguns são comuns à maioria das pessoas. Vou citar aqui algumas coisas que têm funcionado para mim, e sugerir outros.

-Alimentação: nesse grupo podem entrar supermercado, padaria, açougue, sacolão, lanchonetes, restaurantes.

-Transporte: aqui entram ônibus, taxi, metrô, posto de gasolina, estacionamento, manutenção do automóvel.

-Diversão: bares, restaurantes noturnos, cinema, clubes, estádios, tudo o que for diversão entra aqui. Dependendo da pessoa, podem entrar aqui livros, revistas, jogos.

-Estrutura: criei esse grupo em meu orçamento familiar, para lançar as despesas de funcionamento da casa. Nele eu lanço energia elétrica, telefonia, condomínio, manutenção da casa, faxineira, financiamento imobiliário.

Alguns grupos fazem total sentido para algumas pessoas, e sentido nenhum para outras:

-Saúde: especialmente pessoas mais idosas gastam mais com medicamentos, exames, consultas médicas particulares. O plano de saúde pode entrar nesse grupo, ou em “Estrutura”, conforme o perfil de cada um.

-Filhos: mesadas, despesas com faculdade (ônibus, lanche, livros, fotocópias).

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A definição ideal dos grupos é a prática que vai mostrar. O importante é começar, persistir, refletir, adaptar-se e refazer, se necessário. Mãos à obra!

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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