Que tal utilizar os pontos dos programas de fidelidade para pagar até contas?

Que tal utilizar os pontos dos programas de fidelidade para pagar até contas?

 Nesse final de semana verifiquei meus pontos no Multiplus, um dos programas de fidelidade mais conhecidos. Tinha lá pouco mais de 15000 pontos/milhas. Pouco para uma troca interessante por passagens aéreas. As milhas estavam para expirar. E minha esposa me pediu um Kindle como presente no final de ano. Encontrei uma promoção do Kindle por 12000 pontos (o aparelho custa cerca de R$ 300). Pronto! O resgate está feito.

 Meus colegas Daniel Meinberg e Frederico Torres já trataram do tema aqui no blog. Já falaram sobre as alternativas de uso dos pontos no cartão de crédito e a melhor opção de resgate. Há inclusive um podcast sobre o assunto. E o momento atual me parece oportuno para voltar ao tema.

 Reportagem da Folha de S. Paulo dá conta de que a queda no resgate de passagens aéreas é proporcional ao aumento na troca de pontos por produtos. Efeito crise. O fôlego extra nas finanças com os programas de fidelidade pode ser ainda maior: podemos pagar contas de água e luz, por exemplo, trocar por créditos em postos de gasolina ou fazer as compras do mês no supermercado. Por que não utilizar os pontos como auxílio às finanças?

 No Grupo LTM, por exemplo, que gerencia os programas de fidelidade da Cielo, Shell e Nestlé, as trocas devem ser feitas diretamente nos parceiros que oferecem o serviço. No programa Pague suas Contas, o volume resgatado para pagar contas este ano – em comparação com o ano passado – cresceu 170%! Foram 168 mil resgastes. O valor médio de resgate foi de R$ 148.

 Vocês podem me perguntar o seguinte: mas será que a utilização dos pontos/milhas para pagar contas ou comprar o presente de natal é mais vantajoso do que utilizar para resgatar passagens aéreas (o uso tradicional das milhas)? Bem, a resposta vem em duas partes.

 Primeira: um estudo recente do site Brasil, Economia e Governo trabalhou uma equivalência do preço em milhas/pontos com o preço de mercado de vários produtos. O estudo também estimou um custo de oportunidade para obtenção dos pontos, algo em torno de 5,7 centavos de real por ponto. Ou seja, quanto valeria cada milha em real. Agora é só multiplicar pelo valor em milhas dos produtos.  A equivalência mais vantajosa do custo em milhas dos produtos com o preço de mercado na rede Multiplus, por exemplo, foi de um pacote de 4 ingressos do Cinemark, segundo o estudo. Clique na tabela abaixo e confira:

 Equivalência

 Se compararmos com os custos de aquisição de passagens aéreas, com milhas, veremos que a equivalência costuma ser menor, favorável à utilização com a passagem aérea, mas é indispensável a comparação. E tudo também vai depender do objeto em compra e da equivalência no momento do resgaste. No meu caso, diante das alternativas que eu tinha, penso que foi um bom resgate. Minha equivalência foi de 2,28.

 O que é importante saber aqui – ponto para ser debatido em outro post – é que as milhas não vêm sem custo. O custo das milhas é transferido pelas administradoras de cartões aos comerciantes e estes, por sua vez, repassam aos preços finais. Nós acabamos pagando de forma indireta. Não percebemos o custo do bônus. A melhor forma de utilizar os pontos, portanto, é proporcionar clareza e transparência ao programa de recompensa.

 Segunda: De qualquer forma, em momentos complicados, com necessidade de fôlego para as finanças, qualquer ajuda é bem-vinda. Se os recursos estão escassos, o custo de oportunidade se altera e a forma de comparação também. O pior cenário é não utilizar as milhas para um reforço de caixa, quando possível, deixando-as espirar. Ou simplesmente utilizar outras formas de pagamento para as contas, como a obtenção de um empréstimo. Esta alternativa certamente será mais onerosa do que a utilização dos pontos. Pense nisso!

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

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