Afinal, o que é Custo Efetivo Total?

Afinal, o que é Custo Efetivo Total?

“A taxa é zero, o juro é alto, vamos conversar”

(O Rappa, “Dívida”)

Sempre que vamos contratar um empréstimo ou financiamento em uma instituição financeira, nos são informados a taxa de juros nominal e o Custo Efetivo Total – CET. Mas, afinal, o que é esse tal de CET?

Como o próprio nome indica, é o custo real da dívida, levando em conta todos os seus componentes. Não apenas a taxa de juros, mas também impostos, tarifas, seguros etc. Isso pode fazer uma diferença considerável, no fim das contas.

O Banco Central determina que as instituições financeiras informem o CET anual antes de o cliente contratar a operação, mas nem sempre isso é o suficiente para que ele entenda o que está acontecendo.

Fiz uma simulação de empréstimo com sistema Price, no site do banco em que tenho conta. Empréstimo de R$ 1000, para pagar em 12 vezes. O site me informa a taxa nominal mensal (1,97%), o valor da prestação (R$ 96,82), o IOF (R$20,49) e o CET anual (31,00%).

O cálculo é o seguinte: o cliente, na verdade, está fazendo um empréstimo de R$ 1020,49. Desse valor, é descontado o IOF, de R$ 20,49, e são creditados na conta os R$ 1000 que ele solicitou.

O banco aplica a taxa de juros de 1,97% aos R$ 1020,49, o que gera uma prestação mensal de R$ 96,82. Na prática, porém, o cliente está recebendo R$ 1000 e pagando 12 prestações de R$ 96,82. Isso significa uma taxa real de 2,39% ao mês. Esse é o CET.

Fiz também uma simulação de financiamento com Sistema de Amortizações Constantes – SAC, adotado na maior parte dos financiamentos imobiliários. A pessoa financiou R$ 10 mil, para pagar em 5 vezes, com taxa de juros de 0,5% ao mês, mais R$ 30 mensais de seguro. Suponhamos TR e taxa de administração iguais a zero.

Nessa situação, saber o CET é importante por outro motivo: ele aumenta ao longo do tempo. Por isso, quando o cliente pensar em amortizar ou quitar um financiamento, ele precisa saber em quanto está o CET.

Acontece que as instituições financeiras normalmente não informam isso. Informam apenas os juros nominais e o CET no início do financiamento. A partir da segunda parcela, o CET vai aumentando aos poucos, porque existem custos fixos ou crescentes, como seguro e taxa de administração.

Veja o fluxo de pagamentos:

Data

Saldo devedor no início do mês

Amortização (A)

Juros (J)

Seguro (S)

Total prestação (A + J + S)

Saldo devedor no fim do mês

01/12/2015

10.000,00

01/01/2016

10.000,00

2.000,00

50,00

30,00

2.080,00

8.000,00

01/02/2016

8.000,00

2.000,00

40,00

30,00

2.070,00

6.000,00

01/03/2016

6.000,00

2.000,00

30,00

30,00

2.060,00

4.000,00

01/04/2016

4.000,00

2.000,00

20,00

30,00

2.050,00

2.000,00

01/05/2016

2.000,00

2.000,00

10,00

30,00

2.040,00

0,00

Em janeiro, o saldo devedor é de R$ 10 mil, a ser pago em 5 prestações decrescentes, começando em R$ 2.080. Observe que o valor do seguro é menor que o dos juros. Fazendo os cálculos, vemos que o CET é de menos de 1% ao mês.

À medida que o tempo passa, os juros vão caindo, pois incidem sobre o saldo devedor, que é decrescente. Mas o seguro não cai. No último mês, ele é maior que os juros. Fazendo as contas, vemos que o CET é de 2% ao mês.

Qual é a importância disso? Suponhamos que o cliente tenha um dinheiro aplicado a 1,1% ao mês (taxa Selic). No primeiro mês, não compensa ele tirar o dinheiro da aplicação para quitar ou amortizar o financiamento. Isto porque o rendimento da aplicação é maior que o CET do financiamento. Já no último mês compensa muito, pois o CET está a 2%, quase o dobro do rendimento da aplicação.

Este foi um exemplo simples, apenas para facilitar a explicação. Ninguém faz financiamento imobiliário para pagar em 5 meses, mas sim em dezenas de anos. Mas o raciocínio é o mesmo. Os bancos poderiam informar, todos os meses, o valor atualizado do CET, mas não o fazem – pelo menos eu nunca vi.

Para tomar uma boa decisão, o cliente precisa fazer esses cálculos por conta própria, ou procurar uma consultoria. É um cuidado que compensa, pois, numa situação assim, uma boa decisão pode economizar muito dinheiro.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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