Satisfação em pequenas doses

Satisfação em pequenas doses

Como sabem, há 12 dias lancei um livro sobre investimentos (“O Melhor Investimento para Você – Princípios de Educação Financeira”, que pode ser adquirido diretamente junto à Editora AR). Além de ter sido um evento concorrido, com boa presença, presenças ilustres, boas vendas e, principalmente, conversas muito agradáveis, foi muito gratificante perceber a presença de pequenos leitores: esperança que a questão da educação financeira mude no futuro. Já teria sido satisfação suficiente para um autor de primeira viagem.

Entretanto, poucos dias depois, recebo um e-mail de um leitor que diz ter apenas 12 anos e que reclama que eu não disse para ele no livro em que ele deveria investir. Talvez tenha sido minha maior satisfação com o livro até o presente. Vou tratar a questão com a seriedade que ela merece, e não desdenhar deste pequeno.

Em primeiro lugar, parabéns aos educadores deste jovem: se aos 12 anos ele já está tão interessado em educação financeira, há uma significativa esperança de que se torne um adulto que não tomará empréstimos desnecessários ou por impulso, que saberá poupar, investir e – tomara – ter um futuro bastante tranquilo. Acredito piamente que este leitor terá um futuro promissor.

Em seguida, dirijo-me ao pequeno leitor: você está certo. Este é o caminho: leitura, educação financeira, estudos. Parabéns. Você foge à curva das pessoas de sua idade de forma bastante positiva e já se preocupa com seu futuro.

Vamos à questão principal, finalmente: meu amigo, se permite que te chame assim, não te indiquei alternativa única porque não sei o seu perfil de investimento, sua tolerância a risco, o prazo pelo qual pretende poupar, o seu objetivo com este investimento, nem quanto de dinheiro você tem para investir.

Vou traçar alguns cenários para tentar te ajudar. Caso não se enquadre em nenhum deles, pode entrar em contato novamente que eu tento te ajudar de forma mais direcionada.

Cenário 1: investimento até R$3.000,00 com ou sem renda (mesada?) adicional, desejando comprar alguma coisa em até 6 meses: eu colocaria o dinheiro na Caderneta de Poupança que tem liquidez, apesar de estar perdendo para a inflação.

Cenário 2: investimento até R$10.000,00 com renda adicional, pensando em sua universidade, por exemplo: acredito que o melhor seria acreditar em títulos públicos (o famoso Tesouro Direto) com vencimentos distribuídos em 5 ou 10 anos. Qual título público? Eu investiria em algum atrelado à Selic ou à inflação. Acredito que passa a ser um prazo que valha a pena observar a inflação e, como não precisará de tanta liquidez (tem a renda para suprir as necessidades cotidianas), pode travar o investimento um pouco mais.

Cenário 3: investimento acima de R$10.000,00 com renda adicional e sem objetivo imediato de uso do dinheiro: acho muito cedo para falarmos em aposentadoria contigo. Mas quem sabe você vai querer comprar um carro, pagar sua faculdade, comprar sua casa daqui a uns anos? Acima de R$10.000,00 o leque se abre consideravelmente: LCA, LCI, CDB, Letras de Câmbio, fundos, e os próprios títulos públicos podem ser considerados.

Não ficou satisfeito ainda? Reforço: faça novo contato. Ficarei novamente muito feliz em te responder.

Até a próxima.

Autor

Daniel Meinberg
Autor do livro “O Melhor Investimento pra Você – Princípios de Educação Financeira”, editora AR, 2015, que trata de forma clara para o leigo sobre diversos produtos focados em investimentos. Ministrou palestras sobre educação financeira.

2 comments

  • Olá,
    Gostaria que me ajudasse.
    Eu e minha namorada pretendemos comprar um imóvel de aproximadamente R$300.000,00, juntos temos uma renda de R$10.000,00 e possuímos uma valor de entrada de aproximadamente R$85.000,00.
    Pretendemos nos casar em 2016. Qual seria a melhor opção de acordo com nossas condições, comprar o imóvel ou alugar e investir por um tempo esse dinheiro?

    Muito obrigado e parabéns pela bela iniciativa!
    É dessa forma que ainda acreditamos em nosso Brasil!!!

    Responder
    • Ewerton Veloso

      Olá, Ricardo, obrigado pela sua mensagem!

      Rapaz, eu tenho uma colega de trabalho que tem 40 anos, é solteira e não pretende ter filhos. Ela vendeu o apartamento onde morava, aplicou o dinheiro e mora em apartamento alugado. Considero boa a estratégia dela.

      Tenho outro colega que tem 42 anos, pretende se casar em 2017, pretende ter filhos alguns anos depois e vai comprar um apartamento à vista. Considero boa a estratégia dele.

      Como assim, são duas estratégias absolutamente opostas, e eu considero as duas boas? Sim, por causa do perfil das pessoas.

      Esse é um dos motivos pelos quais eu acho difícil te dar um conselho. Depende do perfil de vocês. O outro motivo é que tomar a decisão dobre comprar imóvel agora ou depois significa assumir uma aposta em elementos imprevisíveis do mercado, que são os juros e os preços dos imóveis.

      Se não vou arriscar te dar um conselho, quero, pelo menos, desenvolver cenários.

      Uma estratégia é você aplicar os R$ 85 mil em algum investimento seguro e líquido e ir morando em imóvel alugado. Com os R$ 85 mil, você consegue um bom rendimento em CDB, LCI ou LCA, por exemplo. A partir daí vocês podem começar a economizar e, todo mês, aplicar mais um pouco. Ao final de, digamos, 4 anos, vocês possivelmente conseguem dobrar seu capital.

      Outra possibilidade é encarar o financiamento agora. Provavelmente vão pagar uma prestação inicial superior ao valor do aluguel, essa prestação vai diminuindo pouco a pouco.

      A primeira opção parece financeiramente mais vantajosa, certo? Mas é preciso levar em conta a inflação. Quanto estará custando o imóvel daqui a 4 anos? Pode estar muito mais caro, ou nem tanto (caso estejamos realmente vivendo uma bolha imobiliária).

      A segunda opção parece menos vantajosa, mas o apartamento já será seu, você pode derrubar parede, preparar o quarto do bebê, essas coisas que não se faz em imóvel alugado.

      Enfim, Ricardo, é difícil opinar.

      No seu lugar, se meu plano com minha noiva fosse esperar alguns anos para ter filhos, eu pensaria com carinho na primeira opção. Mesmo porque, como meu dinheiro estaria aplicado, eu poderia mudar o plano de uma hora para outra, caso os juros ou os preços dos imóveis começassem a cair.

      É bom fazer os cálculos com cuidado, até com a ajuda de um consultor financeiro, se necessário. Ele poderá conversar com vocês, saber seus planos de vida, desenhar cenários com estimativas para inflação, juros, rendimentos. Vocês terão mais condições de tomar boas decisões. É um investimento que pode valer muito a pena.

      Abraço!

      Responder

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