Inflação para iniciantes

Inflação para iniciantes

Se você tem menos de 40 anos, meu amigo leitor, nunca teve que se preocupar com a inflação, de forma generalizada e contínua. É como o Mateus, da charge! Você ainda não era adulto em 1993, quando os preços chegavam a subir 2.477% em um ano e os produtos eram remarcados mais de uma vez ao dia.

O blog já falou da inflação algumas vezes. Veja aqui e aqui. A Folha de S. Paulo trouxe uma reportagem recente. Mas parece que o fenômeno está de volta, com mais força.  Mas o que é a inflação? É o aumento generalizado e contínuo dos preços. Generalizado porque não está restrito ao aumento do pão, do tomate, ou da gasolina. Atinge quase todos os produtos e serviços. Da cesta básica ao corte de cabelo. Contínuo porque o aumento não é de curto período, de um mês ou trimestre, mas ao longo do ano ou mais. Ou seja, veio para ficar.

Quais são as causas da inflação? Há três causas principais. Primeiro, quando a demanda por produtos ou serviços é maior do que oferta (chamada inflação de demanda). Pode acontecer, por exemplo, quando há aumento do poder de compra sem correspondência na produtividade. Segundo, quando o custo de produção aumenta e é repassado aos produtos (chamada de inflação de custo ou oferta). Ocorre, por exemplo, quando o dólar sobe ou há uma seca generalizada. Por fim, quando os preços são remarcados em razão da inflação passada (chamada de inflação inercial). Aqui estão os reajustes de aluguel, as mensalidades escolares ou aumento do transporte público.

E por que há diferentes índices de inflação? Cada índice acompanha uma determinada cesta de produtos. O IPCA acompanha a cesta de famílias com rendimentos mensais entre 1 a 40 salários mínimos, seja qual for a fonte de renda, residentes em áreas urbanas. O INPC, por sua vez, abrange famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, também residentes em áreas urbanas.

Qual é o impacto para você leitor? A moeda perde valor de compra, em reais. Há um ano, se uma família pagava R$ 100,00 para comprar bebidas e alimentos, hoje paga R$ 110,39. Inflação de 10,39%. Dois dígitos. Inflação generalizada e contínua.

Como fazer para se proteger? A primeira tarefa é comparar preços. Como mostra a reportagem da Folha de S. Paulo, uma pesquisa dava conta que um mesmo modelo de celular podia custar entre R$ 521 e R$ 1.069. O mesmo modelo! A dica aqui é utilizar comparadores de preços, como o próprio blog já disponibiliza. Veja mais exemplos aqui.

Vale a pena antecipar as compras. Como o salario vai perdendo o valor durante o mês – e isso pode acontecer de forma mais veloz se a inflação subir mais –, prefira utilizá-lo o mais rápido, assim que você recebê-lo, já sabendo o que comprar.

Uma outra alternativa é a compra em grupo. Já falamos disto aqui. Atacadistas e atacarejos praticam preços mais baixos, mas só vendem em grandes quantidades. A solução é reunir amigos e parentes e fazer a compra em grupo.

Negocie os reajustes e pechinche. Juntando à inflação, o Brasil vive uma baita recessão. Momento oportuno para negociar bem os reajustes de aluguel e mensalidades. A crise propicia alternativas para não perder o inquilino ou o cliente. O proprietário pode ficar mais propenso em reduzir o aumento de preço. E é importante ficar atento aos índices de inflação. Aqueles que estão sendo utilizados para definir os reajustes. Exemplo: em 2014, o IGP-M variou 3,69%, enquanto o IPCA foi de 6,41%.

Ah, não se esqueça do investimento, sobrando dinheiro. Por favor, não deixe dinheiro parado na conta. Procure alternativas de investimento que pelo menos compensem a desvalorização provocada pela inflação. O EsB tem feito inúmeras sugestões de bons investimentos.

Por fim, se todas as alternativas não funcionarem tanto, a solução – esperando que haja dinheiro – é a mudança comportamental. Mudança de hábitos. Alteração para marcas mais baratas, redução de produtos ou serviços supérfluos… É isso,  meu amigo. Bem-vindo aos anos 1980! (ainda que não estejamos lá, não custa nada ficar muito atento).

 

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

3 comments

  • De fato, esse monstro chamado “inflação” está voltando a assustar famílias brasileiras. Em termos de investimentos, o que teria uma melhor relação rendimento/risco seria o tesouro?

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    • Frederico Torres

      É Júlia, infelizmente.
      E como você bem disse, uma das maneiras de se proteger é investir bem.
      O Tesouro Direto, através de um banco ou corretora com custo baixo, é sim uma ótima opção em termos de custo benefício.
      Você já fez o seu?
      Abraço, Frederico

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