2015, reta final

2015, reta final

So here it is, Merry Christmas,
Everybody’s having fun,
Look to the future now
It’s only just begun.
(Slade, “Merry Xmas everybody”)

Neste início de semana, durante minhas leituras rotineiras de notícias sobre economia e finanças pessoais, três assuntos me chamaram a atenção. Não foi difícil fazer a conexão entre os três e trazer aqui para nosso leitor. São eles:

  • 74% dos brasileiros usarão o 13º salário para pagar dívidas.
  • Aumenta a margem do crédito consignado; aumentam também os juros..
  • Dicas sobre compras de natal.

 No primeiro assunto, causa espanto pensar que três em cada quatro brasileiros afirmam que vão usar o 13º para diminuir suas dívidas. Em 2014 eram 68%, neste ano aumentou ainda mais. A proporção de pessoas que pretendem usar o dinheiro extra para comprar presentes caiu de 11% para 8%.

Isto é, ao mesmo tempo, um bom e um mau sinal. O mau sinal é nosso velho conhecido, é o sinal de que a criseestá aí, presente, no dia a dia. O bom sinal é que a maior parte das pessoas parece ter consciência – ou necessidade, mas ainda assim é bom sinal – da importância de diminuir o endividamento pessoal.

Em consequência de vários fatores, as famílias estão mais endividadas. Ignorar o problema só vai piorar. 2016 deverá ser um ano difícil para a economia e, portanto, vai exigir sacrifícios. Uma boa forma de se preparar para o que vem é tomar atitudes desde já.

Isso me leva ao segundo assunto: as mudanças no crédito consignado. Recentemente o governo autorizou o aumento do limite das operações, de 30% para 35% do salário. Esses 5% podem ser usados para pagamento de dívidas com cartão de crédito. Além disso, o INSS aumentou o teto das taxas de juros do consignado, de 2,14% para 2,34% (crédito pessoal), e de 3,06% para 3,36% (cartão de crédito).

Maus sinais. Por um lado, facilita que as pessoas se endividem mais. Por outro, aumenta os juros, o que, se por um lado desestimula o consumidor a se endividar, por outro lado aperta ainda mais o cinto de quem não tem controle sobre seus gastos.

Como falei logo acima, as famílias estão endividadas. O crédito ficou fácil, a renda média do brasileiro – especialmente os de menor poder aquisitivo – vinha aumentando, muitos erraram a mão no consumo e agora a conta está chegando.

Chego, um pouco assustado, ao terceiro assunto. Compras de natal.  Vários sites têm apresentado dicas de compras. Não apenas sobre o que comprar, mas também como comprar. Um dos meus primeiros posts aqui no blog, no ano passado, foi sobre dicas para fazer boas comprar de natal. Elas continuam valendo dê uma olhada.

Meu conselho, esse ano, é para o consumidor ter cautela. Antes de fazer as compras de natal, planeje-se. Dê uma olhada adiante, para seu 2016. Pelo menos para o mês de janeiro, quando há viagens, IPTU, IPVA, material escolar. Veja se não é o caso de reservar parte do 13º para isso.

E, para as compras, pense bem em quem você vai presentear, o que pretende comprar, pesquise preços, calcule quanto vai gastar ao todo, negocie preços. Talvez você sinta que, este ano, as coisas estão mais apertadas. Mas o pior a fazer é ignorar o problema. Organização, paciência e atitude são parceiros para sair do problema e ter um natal sereno.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *