O ensino da Matemática e da Educação Financeira na Infância – Conclusão

O ensino da Matemática e da Educação Financeira na Infância – Conclusão

E aí? O ensino da Matemática e da Educação Financeira chegaram para ficar? Observando o nosso Brasil, percebemos que a educação e os métodos utilizados vieram passando por grandes mudanças em sua estrutura inicial, com o objetivo de modificar a forma de aprendizagem. Nos últimos 20 anos o Brasil sofreu grandes mudanças, idas e vindas no quadro escolar e na transmissão de conhecimento. As famílias já percebem que a educação é totalmente conectada com tudo o que a criança vive na escola, em casa, com amigos, dessa forma deve haver uma harmonia na forma de ensinar.

Outro aspecto que vivemos é a globalização. As novas exigências por parte dos pais e responsáveis, as constantes mudanças que ocorrem no mundo, exigem do educador (os próprios pais, professores, avós) uma postura diferenciada e segura, uma ação pedagógica inovadora e consistente. Transmitir conhecimento por meio da realização de projetos e atividades que capacitam, estimulam a autonomia e o gosto pelo saber, usar as novas tecnologias e as informações e conhecimentos prévios que os alunos possuem, são elementos muito valorizados pela sociedade atual e é um aspecto que já tratamos aqui.

Sobre o 2+2

“A Matemática comporta um amplo campo de relações, regularidades e coerências que despertam a curiosidade e instigam a capacidade de generalizar, projetar, prever e abstrair, favorecendo a estruturação do pensamento e o desenvolvimento do raciocínio lógico. Faz parte da vida de todas as pessoas nas experiências mais simples como contar, comparar e operar sobre quantidades. Nos cálculos relativos a salários, pagamentos e consumo, na organização de atividades como agricultura e pesca, a Matemática se apresenta como um conhecimento de muita aplicabilidade. Essa potencialidade do conhecimento matemático deve ser explorada, da forma mais ampla possível. Para tanto, é importante que a Matemática desempenhe, equilibrada e indissociavelmente, seu papel na formação de capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilidade do raciocínio dedutivo, na sua aplicação a problemas, situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho e no apoio à construção de conhecimentos em outras áreas curriculares” (PCN, p.24, 1998).

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNS, o ensino de Matemática costuma provocar duas sensações contraditórias, tanto por parte de quem ensina como por parte de quem aprende: de um lado, a constatação de que se trata de uma área de conhecimento importante; de outro, a insatisfação diante dos resultados negativos obtidos. A Matemática possui participação constante na vida de todos, fazendo relação com outras disciplinas curriculares e também está relacionada diretamente com a estruturação do pensamento e na agilidade do raciocínio dedutivo do aluno.

A dificuldade encontrada pelos alunos dentro dessa área de ensino demonstra que existem problemas a serem enfrentados e que o ensino da matemática mais do que nunca precisa ser contextualizado, fazer parte da vida do educando, indo além dos procedimentos mecânicos, os quais, muitas vezes, têm um significado de difícil identificação para quem aprende.

Contudo, para o educador, enfrentar tais desafios não é algo simples. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para a área de Matemática, no ensino fundamental, estão pautados por princípios decorrentes de estudos, pesquisas, práticas e debates desenvolvidos nos últimos anos. Alguns deles são:

— A Matemática é componente importante na construção da cidadania.

— A Matemática precisa estar ao alcance de todos e a democratização do seu ensino deve ser meta prioritária do trabalho docente.

— A atividade matemática escolar não é “olhar para coisas prontas e definitivas”, mas a construção e a apropriação de um conhecimento pelo aluno, que se servirá dele para compreender e transformar sua realidade.

— No ensino da Matemática, destacam-se dois aspectos básicos: um consiste em relacionar observações do mundo real com representações (esquemas, tabelas, figuras); outro consiste em relacionar essas representações com princípios e conceitos matemáticos. Nesse processo, a comunicação tem grande importância e deve ser estimulada, levando-se o aluno a “falar” e a “escrever” sobre Matemática, a trabalhar com representações gráficas, desenhos, construções, a aprender como organizar e tratar dados.

— A seleção e organização de conteúdos não deve ter como critério único a lógica interna da Matemática. Deve-se levar em conta sua relevância social e a contribuição para o desenvolvimento intelectual do aluno. Trata-se de um processo permanente de construção.

— O conhecimento matemático deve ser apresentado aos alunos como historicamente construído e em permanente evolução. O contexto histórico possibilita ver a Matemática em sua prática filosófica, científica e social e contribui para a compreensão do lugar que ela tem no mundo. (PCNs, 1998, p.19).

 

Além do que mencionamos, trouxemos também a reflexão do pensador e crítico matemático Ole Skovsmose, ele contempla que a matemática deve ocorrer como um letramento matemático, dando uma base matemática e lógica para o exercício de uma cidadania crítica. O bom uso da matemática pode ser decisivo na tomada de decisão, sendo utilizados conceitos verdadeiros que orientam as organizações e as instituições, os contextos da tecnologia, engenharia, gerenciamento, economia, etc., ou seja, a matemática se insere em todo o fazer cotidiano e, ensinada desde cedo, pode possibilitar ao indivíduo desenvolver suas habilidades exponencialmente neste âmbito, aliando esta disciplina a outros saberes da sua vida, como por exemplo, gerir a sua vida financeira com segurança apoiado em conhecimentos verdadeiros. Aprender implica uma mudança na auto-organização e auto percepção e ao compreender a realidade em que vivemos a Matemática e a Educação Financeira como aliadas contemplam a vida equilibrada que almejamos.

Autor

Lívia Senna
Lívia Senna é mestre em Gestão e Administração Educacional pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e pedagoga graduada pela UFMG. Atua na área de Educação Básica e Ensino Fundamental há 12 anos. Educadora também na área de graduação, concentra seus estudos e pesquisas na área de Educação Financeira para Educação Infantil e Formação de Professores.

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