Crianças, felicidade e dinheiro

Crianças, felicidade e dinheiro

“Eu fico com a pureza da resposta das crianças”
(Gonzaguinha, “O que é, o que é”)

Sou pai desde os 23 anos de idade, o que me deu a alegria e a responsabilidade de conviver com crianças há quase 20 anos. Hoje convivo principalmente com minha filha de 11 anos, minha futura enteada de 3 anos e os dois primos dela – uma menina de 10 anos e um menino de 8. E, menos regularmente, com sobrinha, afilhada e os amiguinhos dessa turma toda.

Desde que comecei a trabalhar com educação financeira procuro reparar em como as crianças se relacionam com dinheiro. Naturalmente, cada uma se comporta de um jeito. Algumas são mais austeras, outras mais perdulárias, algumas são preocupadas, outras não estão nem aí. Até mesmo uma partida de Banco Imobiliário diz bastante sobre a importância que elas dão ao dinheiro e, mais que isso, à riqueza.

Esse é um assunto bastante precioso para nós do blog – clique aqui e veja que praticamente todos os nossos autores já escreveram sobre isso. Temos proposto ações e reflexões para pais e educadores ficarem atentos à forma como as crianças têm se comportado num mundo cada vez mais consumista, em que são expostas à publicidade e, principalmente, aos exemplos dados pelos adultos e pelas outras crianças.

A proposta que trago hoje pode ser utilizada por educadores em sala de aula e por pais no convívio familiar. Consiste em convidar a criança a refletir sobre o que é felicidade, sobre o que é e para que serve o dinheiro e, por fim, a identificar onde as duas coisas – dinheiro e felicidade – se encontram, na cabecinha delas.

Para fazer em sala de aula, o exercício pode ser por escrito, individualmente. Para estimular os mais tímidos ou dispersos, é útil dividir a turma em vários pequenos grupos, para uma discussão inicial. Ao final, um grande debate, em que as crianças que quiserem poderão contar para todos o que pensam sobre felicidade e dinheiro – é importante que seja livre, só fala quem quer.

Para fazer em família, é bom que a conversa seja leve, durante uma brincadeira, preparando o lanche, num passeio, ou de pernas pro ar no sofá.

Os resultados podem ser surpreendentes. Algumas vão associar felicidade a ter um carrão bacana, ou a viajar todo ano. Outras vão dizer que é passear toda semana com os pais ou os amigos. Outras, que é ter um trabalho que dê alegrias – ou que não dê preocupações – para contar na hora do jantar. Poderão dizer que dinheiro serve para ter o carrão, a viagem e o passeio, ou simplesmente para não ter as preocupações. Enfim, desse exercício pode sair de tudo.

O objetivo é ajudar a criança a ser feliz. A ser feliz com o que se tem, a ser feliz apesar do que não se tem e, principalmente, a ser feliz independentemente do que ou quanto se tenha. Ensinar que não há mal em se querer ter mais, desde que este não seja o principal objetivo na vida, nem o principal critério para a escolha da profissão.

E você? Já fez algum exercício parecido em casa ou em sala de aula? Como foi? Conte para nós!

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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