Microempreendedores e os cuidados com as finanças

Microempreendedores e os cuidados com as finanças

You can get anything you want at Alice’s restaurant
Walk right in, it’s around the back
Just a half a mile from the railroad track
(Arlo Guthrie, Alice’s restaurant)

Na semana passada eu falei aqui sobre o crédito para o microempreendedor. Hoje ainda quero falar sobre as finanças dos pequenos negócios, mas abrindo um pouco o foco. Então trago algumas sugestões de reflexão, agrupadas. São três blocos com três tópicos em cada.

Primeiro, é importante cuidar bem do nascimento do negócio. Afinal, não adianta ter uma boa ideia se ela for mal executada.

  • Tenha um plano de negócios bem definido, especialmente na parte financeira. Ao iniciar um empreendimento, não há como escapar: é preciso colocar no papel – ou na tela – todos os passos, com detalhes, números, previsões, tudo.
  • Tenha um fluxo de caixa organizado. Citei isso na semana passada, quando falei sobre o crédito, mas este é um instrumento fundamental para a empresa, mesmo que ela não precise de um empréstimo. Ele permite projetar o futuro financeiro da empresa. É claro que projetar é diferente de prever, especialmente no Brasil. Por isso é importante que o fluxo de caixa seja flexível o suficiente para contemplar um cenário realista e outro pessimista.
  • Compartilhe. É importante conversar com outras pessoas sobre seus planos. Com gente da sua confiança – amigos, familiares – ou mesmo com pessoas que você ainda não conhece, mas que já atuam na área em que você pretende entrar. Isso pode poupar trabalho e dinheiro, além de evitar riscos.

Em seguida, é importante cuidar bem da organização da empresa.

  • Mantenha a documentação organizada e em dia. Isso torna mais fácil obter crédito e vender para grandes clientes, além de evitar amolações, caso seu empreendimento venha a ser fiscalizado.
  • Procure formalizar seu negócio. Todos sabemos que, no Brasil, a burocracia e a alta carga tributária dificultam a vida das empresas que querem fazer tudo corretamente. Além disso, concorrer com quem não faz tudo certinho é difícil. Ainda assim, é recomendável formalizar a empresa e os negócios. Além de ser mais fácil de conduzi-los, pode ser um diferencial para quem quer crescer.
  • Não misture suas finanças pessoais com as do seu negócio. É natural que o empreendedor queira fazer pequenas retiradas, ao longo do mês, para cuidar de sua vida pessoal. Mas isso deve ser feito de forma organizada e, principalmente, comedida. A empresa precisa ter seu próprio dinheiro, para cuidar de seu dia a dia, gerenciar imprevistos e crescer.

Por fim, é fundamental cuidar dos custos. Gerenciar pequenos empreendimentos é, antes de tudo, gerenciar custos. As vendas, a inovação, as boas idéias, tudo isso é fundamental para a empresa prosperar. Mas é nos custos que moram os riscos mais básicos e as oportunidades de crescimento.

  • Negocie preços com fornecedores. Procure ter uma boa rede de fornecedores confiáveis e com bons preços. Isso é interessante para eles também, e permite a construção de parcerias sólidas.
  • Gerencie estoques. Grandes estoques de matéria prima são sinônimo de capital parado e geram custo de armazenamento e gerenciamento. Ter fornecedores confiáveis, capazes de entregar a matéria prima rapidamente e com preço justo permite estoques menores. Isso também faz parte da boa parceria.
  • Defina bem o preço dos seus produtos. É claro que o empreendedor precisa saber quanto seus concorrentes diretos cobram pelos produtos, mas esse não deve ser o principal parâmetro para a definição dos preços. É importante saber quanto custa cada matéria prima e cada processo de produção, e definir uma margem de lucro razoável em cada produto.

É isso. São dicas simples, mas que muitas vezes são esquecidas pelo empreendedor, na correria do dia a dia. E você? Aplica tudo isso na vida da sua empresa? Há alguma outra que eu esqueci de citar? Fale com a gente, dê sua opinião!

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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