O mar não está pra peixe (nem pro Titanic)

O mar não está pra peixe (nem pro Titanic)

Já não é de hoje que a gente tem dito aqui no blog que o mar não está pra peixe. Na semana passada, meu xará Daniel Meinberg falou aqui que o cenário econômico não está nada alentador, que a crise está aí batendo na nossa porta. E fez uma provocação ao leitor: você está mesmo preparado para enfrentá-la? Repito a provocação a você, micro ou pequeno empresário: você está pronto para enfrentar o que está vindo por aí? Com que armas?

Nessa luta, nem sempre ser grande e musculoso é garantia de vitória. Se o Titanic fosse menor, talvez não tivesse trombado no iceberg. A empresa que é muito grande muitas vezes fica refém de sua lentidão, de seus processos já bem sedimentados, de sua hierarquia e burocracia.

Ser pequeno pode ser uma vantagem ao dar agilidade suficiente para mudar os rumos, alterar processos, mudar o jeito de fazer as coisas, dar um cavalo de pau, se for necessário, pra colocar seu negócio em outro rumo, mais promissor ou mais lucrativo.

Um pouco de inovação nessas horas pode ser um bom remédio, também. Repensar. Reinventar. Ousar. Olhe pra sua empresa e faça essas duas perguntas: Faz sentido continuar fazendo as coisas assim? Por que não mudar?

Seguem algumas questões para você refletir sobre o seu negócio:

–   Como andam as finanças? Já fez a conta de quanto de juros está pagando pros bancos? É possível trocar suas dívidas atuais por outras, menos custosas? Em tempos de vacas magras, o que está planejando pra reduzir suas dívidas?

–   Reveja seu processo produtivo: dá pra produzir mais com menos recursos? Note bem, não estou aqui perguntando se é possível produzir algo com qualidade inferior. O que pergunto é se é possível produzir os mesmos produtos de maneira mais eficiente.

–   Seu processo de gestão está bem “azeitado”? A informação flui bem dentro da sua empresa? Como é o processo decisório: sempre nas mãos de uma pessoa só? (essa última pergunta não se aplica, obviamente, aos MEIs)

–   Existe algum item no seu mix de produtos que tenha uma margem de lucro que não é lá essas coisas e que, portanto, deveria ser repensado (ou extinto, e só não foi até agora porque estava sobrando gordura)?

–   Em que novos mercados você acha possível entrar? Algum concorrente seu está vivenciando alguma fragilidade que possa se traduzir numa oportunidade de negócios para você? Alguma região com potencial de vendas ainda não atendida?

Pense. Reflita. A crise é uma boa oportunidade pra fazer uma faxina na casa, rever as coisas, voltar à prancheta se for preciso. Nessas horas, enxergar fora da caixinha, exercício por vezes difícil, pode ser extremamente rico e potencialmente proveitoso, podendo trazer novos olhares, novas formas de ver seu negócio, novos conhecimentos.

Por fim, uma última pergunta, não menos importante: quanta dedicação você está entregando no seu negócio pra fazer ele passar por esse maremoto? Navegar em mar de almirante é fácil, mas nesse mar revolto pelo qual estamos passando agora, é preciso muito suor, muito esforço pra passar pelos altos e baixos das ondas.

Os americanos têm um ditado, simples, mas do qual gosto muito: “no pain, no gain” (que significa “sem dor, não há ganho”). Isso vale pra um mundo de coisas. E pro seu negócio também. Dedique-se, esforce-se, sue a camisa. Você colherá frutos mais à frente quando o mar se acalmar, pode estar certo disso!

Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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