Investindo no futuro dos seus filhos pelo Tesouro Direto – parte II

Investindo no futuro dos seus filhos pelo Tesouro Direto – parte II

Na semana passada, a gente falou aqui sobre como abrir uma conta no Tesouro Direto pensando no futuro dos seus filhos. Abrir a conta é fácil, você viu, né? Mas ficou faltando responder a outra pergunta: quanto deve ser investido desde já para que você tenha os recursos necessários para pagar o curso do seu filho quando ele estiver entrando na faculdade?

Fiz uma simulação pensando nos meus dois filhos, que ainda estão aproveitando as coisas boas da infância deles e, portanto, ainda estão bem longe de se preocuparem com a faculdade. Fiz as contas e espero que o meu mais velho – se não tomar nenhuma bomba – entre na faculdade daqui a 7,5 anos; o mais novo, se tiver o mesmo sucesso, daqui a 12,5 anos  (respectivamente em 2023 e 2028).

Pesquisei algumas faculdades conhecidas aqui em BH e olhei quanto é a mensalidade de três cursos: jornalismo, negócios internacionais e engenharia elétrica. Pensei em três cursos distintos, com custos obviamente diferentes, simplesmente para termos mais resultados para comparar.  

Primeiro, calculei o preço atual dos cursos, no segundo semestre de 2015, corrigindo as mensalidades anualmente pela estimativa do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os próximos três anos. O custo estimado total dos cursos seria, respectivamente, de R$43,5 mil, R$53,2 mil e 81,4 mil[1]. Depois, calculei quanto eles custariam em 2023 e 2028, reajustando esses valores pela inflação estimada no período. O resultado está na tabela abaixo:

 Daniel_Tabela1

Depois, tentei fazer contas para responder à seguinte pergunta: quanto eu deveria investir periodicamente a partir de hoje no Tesouro Direto para que eu tenha recursos suficientes para pagar à vista um curso superior para meus filhos lá em 2023 e 2028? A resposta está na tabela abaixo:

Daniel_Tabela2

Ao investir mensalmente R$477 num título “Tesouro IPCA Principal” com vencimento em 2024, eu conseguiria pagar a vista o curso de jornalismo no início de 2023 pro meu filho mais velho. Para pagar um curso de engenharia elétrica na mesma época, eu teria que poupar mais, R$892 mensais, para dar conta de quitar o curso à vista. Para o mais novo, os 5 anos adicionais de poupança fazem com que o valor aplicado mensalmente possa ser bem menor: R$267 no caso do jornalismo e R$498 no da engenharia.

Uma última análise (considerando só o curso mais barato, de jornalismo): quando cada um deles tiver terminado o ensino médio, se eu fosse sacando aos poucos o montante investido, o suficiente para pagar as mensalidades do curso – ao invés de sacar todo o dinheiro para pagar a faculdade à vista –, ainda restariam cerca de R$11 mil reais ao final dos 4 anos da graduação do mais velho, e quase R$20 mil ao final da faculdade do caçula. Nada mal, não?!

É claro que esses resultados dependem de um monte de coisas, tais como a idade dos filhos, as taxas de juros dos títulos de hoje, a expectativa atual de inflação dos próximos 13 anos, a escolha dos vencimentos dos títulos e a correção anual das mensalidades pelo IPCA. Entretanto, eles ilustram bem o tamanho do esforço – nada desprezível! – necessário para garantir os estudos dos filhos numa boa faculdade privada no futuro. Ah, e se eles passarem numa universidade pública, tanto melhor! Será possível usar essa grana para outra coisa. Pense nisso!

[1] Considerei que o curso de engenharia elétrica dura 5 anos e os demais, 4. Para simplificar, não considerei custos adicionais, tais como livros, xerox e transporte de/para a faculdade.

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Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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