Você está preparado para enfrentar uma eventual crise econômica?

Você está preparado para enfrentar uma eventual crise econômica?

No fim de junho passado o IBGE divulgou o aumento das taxas de desemprego no setor privado de maio/2015 frente a abril do mesmo ano e também frente a maio do ano passado. São os números mais elevados para o mês de maio desde 2010: 6,7%. Foram 213 mil carteiras assinadas a menos quando comparamos com maio/2014, sendo que a indústria contribuiu com a queda de 116 mil vagas. Por outro lado, 9 mil pessoas partiram para o emprego informal, situação mais precária mas que com seus ônus e bônus ao menos assegura o leitinho das crianças.

A renda, contribuindo para o cenário nefasto, recuou 5%, maior recuo dos últimos 10 anos. Isto pode ser reflexo do desemprego com recolocação no mercado com salário menor. Parte das pessoas que estão aceitando empregos com salários menores são pessoas que não se planejaram adequadamente, que estão endividadas, que estão tendo dificuldades para sustentar suas necessidades básicas. Suas e de suas famílias, o que é pior. Imagine o drama para um arrimo de família que chega em casa após um dia exaustivo de busca por emprego (pois já encontra-se desempregado) e encontra o filho em casa com fome…

A crise, que pode representar risco e oportunidade ao mesmo tempo, ameaça agravar-se. Você está preparado para enfrenta-la? Se não está, algo ainda pode ser feito. Mesmo que não esteja com seu emprego (aparentemente) ameaçado acredito que prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém (exceto à galinha). E mesmo que não perca o emprego, as dicas abaixo podem ser úteis para construção da sua independência financeira. Vamos lá?

A primeira coisa é quitar as dívidas e não contrair novas. Acredito que esta colocação é quase desnecessária, pois afrontaria o bom senso assumir novos compromissos financeiros em um momento de incerteza econômica. Nem vou tomar seu tempo discorrendo sobre isto.

Reduzir despesas, cortar gastos, montar reserva financeira para enfrentar a tempestade. Se você estiver com as contas mais enxutas terá dois benefícios: seu custo mensal diminui e sobra mais para investir. Também considero autoexplicativo.

Montar reserva financeira para sobreviver a meses sem entrada. Alguns educadores financeiros apontam a necessidade de ter uma reserva financeira equivalente a 6 meses de despesas. Eu sou mais conservador e aponto para 12 meses. 1 ano acredito ser tempo suficiente para você superar o luto da perda do emprego, se preparar para a batalha e sair em busca de nova colocação. Em momento de crise, os empregos “somem” (veja os dados acima) e conquistar um fica ainda mais difícil. A reserva financeira deve ser calculada através da multiplicação da sua despesa mensal por 12, ou seja, sua despesa anual estimada. Em cenário onde o próprio governo aponta para inflação flertando com os 2 dígitos, manter a grana aplicada é extremamente importante, tanto para proteger seu dinheiro quanto para rentabilizá-lo.

Seja mais conservador com seus investimentos. Se seu emprego está ameaçado, se você percebe que pode vir a precisar do dinheiro em médio (ou talvez curto) prazo, é prudente que você aloque suas reservas em renda fixa, títulos do governo, diversifique entre aplicações que garantam renda mensal e tenham liquidez. Investimentos de alto risco (câmbio, ações, multimercado de alto risco) devem ser evitados pois, como você pode precisar dos recursos em curto prazo, e estes produtos apresentam grande oscilação, é um risco real que haja perda financeira caso necessite do dinheiro em curto prazo.

E a aposentadoria? Bom, não podemos esquecer dela mesmo estando nestas condições. As recomendações acima também se aplicam a ela: se o emprego não for perdido, todo este seu esforço poderá se reverter em um momento de retiro mais confortável.

Considere também outras formas de geração de renda utilizando suas habilidades diferentes das que habitualmente utiliza em sua rotina de trabalho. Até um hobby pode gerar renda. Recentemente tomei conhecimento de um caso de adolescente que criou um meio de ensinar como se joga videogame (dicas de como “passar de fase” de determinados jogos) e está fazendo uma grana roxa! Foi uma combinação de fazer o que gosta com fazer o que quer, empreendedorismo, trabalho duro, boa ideia e uma pitada de sorte. Quem sabe o seu hobby também não vira dinheiro e você começa uma nova etapa de sua vida?

Para encerrar, lembre-se: quanto mais bem preparado você estiver para enfrentar as adversidades da vida, menor seu risco, menor seu stress, melhor sua qualidade de vida. Vale ou não vale a pena se planejar?

Até a próxima.

Autor

Daniel Meinberg
Autor do livro “O Melhor Investimento pra Você – Princípios de Educação Financeira”, editora AR, 2015, que trata de forma clara para o leigo sobre diversos produtos focados em investimentos. Ministrou palestras sobre educação financeira.

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