O GERENTE RESPONDE: Aplicando investimentos na compra da casa própria

O GERENTE RESPONDE: Aplicando investimentos na compra da casa própria

“Encontrei um imóvel no qual tenho interesse por R$ 220 mil. Está 40% abaixo do preço de mercado. Minha intenção é dar R$ 100 mil e financiar o resto a juros efetivos de 9,3% ao ano. Porém, tenho dúvidas, porque tenho mais R$ 50 mil em previdência privada VGBL e R$40 mil em LCI, e não sei se uso mais esses valores na compra do imóvel ou não. O que você julga mais prudente?”
Rocky – comentário no blog 

Prezado Rocky, obrigado pelo seu contato.

Basicamente, o principal ponto a que você deve ficar atento para tomar essa decisão é a taxa de rendimento da sua carteira de investimentos líquidos de IR. Se ela for igual ou superior aos 9,3% ao ano que você paga pelo seu financiamento imobiliário, compensa você manter o dinheiro aplicado.

Além de ganhar mais no rendimento da aplicação, você ainda tem a vantagem de manter sua reserva, que é um investimento no futuro ou, na pior hipótese, uma proteção contra emergências.

Mas a coisa não é tão simples assim. É preciso ficar atento a outros fatores:

  • Avalie se, sem resgatar seu investimento, você consegue um financiamento com prazo e valor das parcelas confortáveis para você. Não compensa manter uma reserva de dinheiro e viver sufocado durante anos. Um pouco de aperto é normal e até saudável quando se adquire um imóvel, mas viver com a corda no pescoço, não.
  • Verifique muito bem as taxas de administração e as condições de saída do seu VGBL. Isto é, verifique o rendimento real do plano, já descontadas as taxas, e também se há alguma cláusula contratual que dificulte ou penalize os saques, caso você decida sair de uma hora para outra.
  • Verifique também o perfil do investimento. Há várias opções de aplicações, das mais conservadoras até as arrojadas – que podem trazer mais rentabilidade, mas envolvem mais riscos.
  • Lembre-se de que a taxa de juros do seu financiamento é fixa, mas os rendimentos do seu investimento não são. O fato de, hoje, a taxa de retorno da sua carteira de aplicações ser superior aos juros que você paga não garante que será assim no futuro. É preciso sempre avaliar o comportamento e as projeções dos rendimentos.
  • Não se esqueça de que o VGBL não é protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos, como CDB, LCI, LCA, entre outros tipos de investimento.

Já falei aqui no blog que, dependendo das condições, eu considero uma boa opção manter, ao mesmo tempo, um financiamento imobiliário com juros razoáveis e aplicações em bons investimentos. E, em determinado momento – levando em conta uma série de fatores –, amortizar ou quitar a dívida.

Resumindo e concluindo, é isso que eu sugiro. Se os juros do seu financiamento forem menores que os rendimentos da sua carteira de investimentos, mantenha seu dinheiro aplicado. Mas fique bem atento a que tipo de aplicações você mantém. Verifique sempre os rendimentos, as projeções, os regulamentos, a segurança e as opções de mercado. Se for o caso, mude de investimento. E não descarte a possibilidade de, em algum momento, amortizar ou quitar seu financiamento.

Para isso, você deve levar em conta vários fatores. Se precisar de ajuda, entre em contato conosco novamente, com mais informações, para que possamos dar nossa sugestão. Será um prazer!

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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