Casos da vida real: Rosângela

Casos da vida real: Rosângela

Rosângela é uma colega de trabalho e amiga. Em um almoço, começamos uma conversa que acabou tomando rumo para uma troca de ideias sobre o relacionamento com o dinheiro. Criada em uma família que, durante muito tempo, deu a ela total tranquilidade quanto a dinheiro – nada faltava e os pais cuidavam de tudo –, Rosângela não desenvolveu cedo a consciência de como lidar com suas finanças. Foram os caminhos da vida que a colocaram frente a frente com a necessidade de se reorganizar. Tivemos mais dois encontros em que nos aprofundamos em sua história. E é o depoimento dela que hoje trago para nossa série Casos da vida real. Com Rosângela, podemos aprender que nunca é tarde para mudar o comportamento em relação ao consumo e ao dinheiro, com o intuito de construir uma vida mais sólida, mais sustentável e saudável. Boa leitura!

Nasci em uma família financeiramente muito bem estruturada. Meu pai era um homem de posses, com boa condição, e ofereceu aos seus filhos tudo do bom e do melhor. Desde menina, nunca me preocupei com o preço de nada. A herança que meu pai recebeu nos proporcionou condição de vivermos uma boa vida. Contudo, meu pai não tinha conhecimento na época para multiplicar aquele valor e administrá-lo, então, quando os filhos chegaram na adolescência, a fonte secou. Passamos por uma fase mais contida, de economia e algumas privações.

Ainda jovem, conheci o homem que viria a ser meu marido. Nos casamos e construímos nossa família. Ele tinha a política do ‘ter que comprar’. ‘Precisamos comprar se aquilo vale a pena’, ele dizia. Recordo uma vez em que estávamos de férias na praia. Vimos uma promoção de prancha e ele disse: ‘temos que comprar’. Realmente, a prancha durou uns dez anos, mas naquele momento não era necessidade.

Passado alguns anos, com a nossa separação, pela primeira vez, comecei a querer entender e melhorar o meu relacionamento com o dinheiro. Antes, eu não tinha noção do preço de nada, nada mesmo, e nunca me preocupei com o valor das coisas. Na nova etapa da vida, comecei a pesquisar o preço das coisas, escolher para comprar e observei que um mesmo produto poderia ter valores muito diferentes, simplesmente mudando de um bairro para o outro. Foi uma fase financeira mais apertada, tive que reduzir o meu padrão de vida para poder me equilibrar e me adequar ao meu salário e, assim, poder cumprir com meus compromissos.

Passado um tempo, consegui alugar meu apartamento e dei início ao meu primeiro investimento na intenção de economizar algum dinheiro. Comecei pagando um, depois dois, três, quatro e quando vi já pagava mais de cinco. Era um dinheiro que, ao final de dois anos, voltava com uma boa quantia, que eu me forçava a guardar.

Aos poucos fui me equilibrando financeiramente e aprendendo a ter gosto em economizar, comprar as minhas coisas e pagar as minhas contas.

Consegui quitar meu antigo apartamento e vendê-lo, para então comprar o meu atual, do jeitinho que eu queria. Mais tarde, comprei um lote em um condomínio, onde pretendo construir para, quando me aposentar, morar lá.

Hoje já sou avó e consigo economizar aproximadamente 50% de tudo que recebo. Entendi que o dinheiro se bem usado, de forma planejada, pode ser um grande aliado, principalmente se a pessoa não for imediatista e cultivar a paciência.

Autor

Lívia Senna
Lívia Senna é mestre em Gestão e Administração Educacional pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e pedagoga graduada pela UFMG. Atua na área de Educação Básica e Ensino Fundamental há 12 anos. Educadora também na área de graduação, concentra seus estudos e pesquisas na área de Educação Financeira para Educação Infantil e Formação de Professores.

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