Taxa Selic na prática

Taxa Selic na prática

Nos últimos meses, temos acompanhado a escalada da taxa Selic (nem que seja pelos noticiários e jornais). Mas quais as consequências do aumento da Selic para você, para mim, para as pessoas, para as empresas, para os bancos, enfim, para a sociedade? Vamos tentar tornar algo tão distante de nós, uma taxa que – grosso modo – rege os juros pagos pelo governo, em algo mais palpável, mais próximo à nossa realidade.

Uma das coisas para as quais a Selic serve é para definir quanto o governo federal vai pagar de juros sobre a dívida pública. E daí? Bom, daí que se o governo aumenta a Selic significa que está disposto a pagar mais para girar seus empréstimos (dívida pública). Se o governo está disposto a pagar mais pelo mesmo dinheiro, naturalmente os bancos e os investidores passam a querer que todos os demais parceiros também paguem mais (se não concordarem, emprestam para o governo, que tem risco menor de não pagar que uma pequena empresa ou uma pessoa física, e a pessoa que se vire para encontrar quem queira financiar sua dívida).

Se os bancos (e demais investidores) exigem que se pague mais pelo mesmo dinheiro, as taxas de juros para as diversas modalidades de crédito aumentam: taxa de financiamento imobiliário, crédito pessoal, crédito consignado, financiamento de automóveis etc. Se a taxa de juros não foi pré-fixada e varia de acordo com a Selic, o valor mensal a ser pago pelo endividado aumenta, comprometendo ainda mais sua renda e ameaçando leva-lo ao choro e ranger de dentes dos inadimplentes.

Aumentar a Selic aumenta, também, o risco de recessão (e desemprego, e demais consequências danosas), pois em vez do empresário arriscar e investir na produção passa a ser mais seguro e rentável emprestar dinheiro para o governo ou para os bancos. Com isso, são gerados menos empregos (quando não fechados postos de trabalho), dificultando as pessoas a honrarem seus compromissos.

Como os salários (e demais formas de renda geradas pelo trabalho), na média, não conseguem acompanhar a Selic, as consequências são desastrosas para os endividados. Nem preciso falar dos reflexos do aumento do desemprego, né? Resultado: em abril/2015 o endividamento das famílias atingiu seu valor máximo quando avaliados os 10 últimos anos, talvez também decorrente do aumento dos custos dos empréstimos imobiliários ou outras modalidades de crédito. Triste realidade do povo brasileiro: quase metade da renda comprometida com dívidas.

Se serve de consolo, para quem se planejou adequadamente e não tem dívidas (tem investimentos) o aumento da Selic não é de todo ruim: os fundos atrelados ao CDI (taxa que acompanha as variações da Selic muito de perto) passam a pagar mais também, ou seja, seu dinheiro rende mais.

Enfim, quem nos lê já sabe: de qual lado você quer estar, independente da Selic subir ou descer: do lado devedor ou do lado credor (investidor)?

Até a próxima.

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Autor

Daniel Meinberg
Autor do livro “O Melhor Investimento pra Você – Princípios de Educação Financeira”, editora AR, 2015, que trata de forma clara para o leigo sobre diversos produtos focados em investimentos. Ministrou palestras sobre educação financeira.

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